Osvaldo Emanuel A. Alves*
Uma das causas motivadoras da existência de vários homicídios tem como origem situação relacionada ao poder da posse exagerada existente entre as pessoas. O ser humano é criado vivendo em função da posse e da propriedade, o que, para o direito civil, são fatos completamente diferentes, pois nem sempre quem tem a posse possui a propriedade. Para o direito, a posse pode estar relacionada a algo puramente momentâneo, já propriedade implica em uma situação de ser “dono” (legítimo possuidor) de algo. O problema consiste em que as pessoas querem se tornar proprietárias umas das outras, como se fossem simples objetos e procuram determinar comportamentos e impedimentos, sufocando-as dentro dos seus próprios mundos, manipulando-as ao seu próprio prazer pessoal. A realidade é que existem homens e mulheres que “sufocam” uns aos outros, quer por ciúme exagerado ou manipulação de comportamentos, fazendo surgir ações e reações de violência que desgastam relações e sentimentos. Pessoas que alteram o seu modo de agir em razão de um novo relacionamento, afastando-se do convívio dos amigos, dos hábitos do cotidiano, do modo de se vestir etc., tudo por conta da “paixão”. Essas pessoas ficam cegas, surdas, tornam-se inimigas de todos aqueles que por ventura venham a lhe aconselhar a terminar aquele “perigoso relacionamento”. Não adianta falar, aconselhar, brigar, pois um indivíduo apaixonado se torna quase sempre irracional.
A paixão é uma excitação sentimental levada ao extremo, de maior duração, causando maiores alterações nervosas ou psíquicas (cf. Antônio Gomes Penna, Introdução à motivação e emoção, p.113). Nelson Hungria, citando Kant em uma das suas obras, já afirmava que a paixão é o “charco que cava o próprio leito, infiltrando-se paulatinamente no solo (…) é um estado de ânimo ou de consciência caracterizada por viva excitação do sentimento”. Freud diz, quando se trata de emoção: “Não somos basicamente animais racionais, mas somos dirigidos por forças emocionais poderosas, cuja gênese é inconsciente”. – “A emoção pode apresentar tanto um estado construtivo, fazendo com que o comportamento se torne mais eficiente, como um lado destrutivo; pode ainda fortalecer como enfraquecer o ser humano. E as emoções vivenciadas pelo ser humano podem ser causas de alteração do ânimo, das relações de afetividade e até mesmo de condições psíquicas, proporcionando por vezes, reações violentas, determinadoras de infrações penais”. (cf. Guilherme Nucci, Código Penal Comentado, p.268). Assim, ainda que este sentimento possa intervir na vontade e até mesmo no raciocínio de um indivíduo, não exclui a culpabilidade pela ação criminal praticada.
Homens e mulheres que não aceitam perder as suas paixões cometem homicídios bárbaros noticiados nos meios de comunicação. O assassinato movido pela paixão ocorria com mais frequência nas culturas antigas, onde predominava a ideia de propriedade do homem sobre a mulher. Apesar desse conceito já ter sido abolido, os crimes passionais continuam ocorrendo todos os dias e alcançam repercussão pelo fato de envolverem pessoas da considerada alta sociedade. Por sua vez, o Código Penal estabelece no artigo 28, inciso I, que a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal, em outras palavras, a culpa do ato de um crime passional permanece. Explicar essa conduta torna-se uma tarefa bastante árdua. O que leva as pessoas a destruírem aquele ou aquela que é o objeto do seu desejo, ou às vezes se vingar de alguém que está próximo e querido dessa pessoa? A resposta está ligada ao fato de que esses homicidas passionais são desprovidos de amor próprio e acreditam que, a partir de um abandono, sua vida perdeu o sentido. É importante salientar que o amor e paixão não se confundem, muito embora sejam termos equivocadamente utilizados como sinônimos.
No século XIX, em particular no ano de 1873, um desembargador – José Cândido Pontes Visgueiro – “matou Maria da Conceição, de quem estava apaixonado, motivado pelo ciúme e pela impossibilidade de obter a fidelidade da moça, que era prostituta”. A defesa de Pontes Visgueiro, arguiu a tese de “desarranjo mental” causado pelo “mais violento ciúme inspirado por uma mulher perdidíssima” (o caso Pontes Visgueiro pode ser encontrado na íntegra no livro A Paixão no Banco dos Réus, de Luiza Nagib Eluf). Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça, por unanimidade, afastou a tese da defesa, acolhendo o homicídio agravado, considerando que o crime havia sido praticado com abuso de confiança e surpresa. (Código Criminal do Império, artigo 192. Matar alguém com qualquer das circunstâncias agravantes mencionadas no art. 16, ns. 2, 7, 10, 11, 12, 13, 14 e 17. Penas: Máximo – Morte; Médio – Perpetua; Mínimo – 20 anos de prisão com trabalho.)
Muitas dessas tragédias poderiam ser evitadas, se não fosse a cegueira aparente dos envolvidos que não souberam ouvir a velha frase do escritor Ernest Hemingway autor do “Velho e o Mar” quando defendia “razão antes do coração”. Por outro lado, não me lembro onde, li uma frase que dizia: “Não sei se a morte é maior que a vida, só sei que o amor é maior que os dois”.
*Osvaldo Emanuel A. Alves é professor de Direito Penal e advogado criminalista em Salvador-BA
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É preciso entender que a felicidade da Mulher não está no Homem, nem a do Homem está na Mulher.Viemos para o Mundo com uma missão e quem vai determinar a felicidade ou infelicidade depende de cada um de nós, pois merecemos ser feliz custe o que custar.
A grande questão é que, infelizmente, a paixão não é tão racional e os crimes passionais são, como o próprio termo já afirma, movidos por paixão. É o “ser feliz custe o que custar” que Edmilson Oliveira afirma. As pessoas, movidas pela paixão – nem sempre pela outra pessoa, mas pela paixão em si – agem de maneira impulsiva, tendo acabar com a dor da possibilidade da perda da pessoa ou do sentimento. Infelizmente, essa dor pode ser tão grande que arrebata a pessoa e a sua reação é violenta. Não estou aqui tentando encontrar justificativas para pessoas que cometem crimes passionais. Só acho que há o amor e a paixão são, às vezes, muito maiores do que a razão.
Acho que estes crimes poderiam serem evitados se tratarse-mos essas pessoas no comerço destes sintómas. Vejo como um estágio doentio psicologicamente.
Muitas vítimas sabem o risco que correm, e muitas comunicam com a polícia ou até mesmo familiares. Mas infelizmente as autoridades não tem muita infraistrutura para lidar com tais casos, não acho o suficiênte manter essa pessoa afastada por metros imaginários após varias tentarivas de abuso por esta.
So a justiça teria o poder de colocar estes individos em lugares apropriados para tratamentos. Isso quando tiver-mos no Brasil politicos que funcionem de verdade.
Para uma pessoa apaixonada o outro é TUDO. É sabido que a irracionalidade impera, vindo a praticar crimes crueis conforme é verificado no nosso cotidiano. Efetivamente uma tratamento psicológico é necessário, entretanto o autor do delito deve “pagar” pelo ilicito praticado, pois como fora dito pelo Dr. Osvaldo Emanuel, em consonância com Código Penal, em seu Artigo 28 “Nao excluem a imputabilidade penal: I a EMOÇAO ou a PAIXÃO.
Os grandes sociólogos considerados os “Três porquinhos” da sociologia, Max Weber (1864-1920), Émile Durkheim (1858-1917) e Karl Marx (1818-1883), já diziam que o crime na sociedade é um fato normal, o que não pode ocorrer são os “Serial Killers”, traduzindo, os matadores em séries, pois isto sim, segundo a visão destes grandes mestres da sociologia, configuraria uma coisa patológica, uma doença. A fidelidade não pode ser confundida com a lealdade. O ser humano não precisa ser fiel, mas que seja leal, quando poer fim a uma relação, que seja sincero, verdadeiro, autêntico,evitando assim a quebra da lealdade, já que a fidelidade, ao meu ver, é efêmera, traímos até por pensamento, isto falando sem hipocrisia, portanto, os humanos tem que se acostumar a ter e não a possuir, tem que pensar em amar, jamis em aprisionar. Quem ama mata, mas mata de beijos, de paixão, de carinho, amar é vida, matar, isto é coisa sem vida…
CARLOS NASCIMENTO
INFELIZMENTE A VIOLÊNCIA AINDA PREVALECE E MUITO ENTRE OS SERES HUMANOS. E MUITAS VEZES OU MELHOR DIZENDO: NA MAIORIA DAS VEZES, A MULHER SOFRE MUITO MAIS COM TODAS ESSAS ATITUDES COVARDES DOS HOMENS. ACREDITO QUE O AMOR JAMAIS VAI LEVAR A ALGUEM A COMETER ATOS DE VIOLÊNCIA E MUITO MENOS DE ALGUEM TIRAR A VIDA DO OUTRO.
O AMOR É ALGO MUITO LINDO E SUBLIME!!! QUEM AMA VERDADEIRAMENTE NÃO MATA.
BJS PARA TODOS! CLAUDIA