Persistência de mãe: ‘Não dá para esquecer. É o meu filho’

Onde está?


Edgar foi morar em Maceió e não deu mais notícia

A última vez em que Edgar Lourenço Filho, 32 anos, entrou em contato com a mãe, Lucila da Silva, foi no dia 23 de março de 2008, quebrando uma rotina de telefonemas que se repetia de duas a três vezes por semana, desde que foi morar em Maceió-AL, onde trabalhava em uma barraca de praia, mesma atividade que exercia na orla marítima de Salvador. Lucila lamenta a falta de notícias de Edgar, o filho que mais se preocupava com ela entre os dez irmãos, conforme afirma. “Ele nunca deixava de fazer contato comigo, era o que mais se lembrava de mim e o que mais me ajudava. Os outros moram em Aracaju”, explica. Da mesma forma que demonstrava interesse com tudo o que dizia respeito à mãe, Edgar também a mantinha informada sobre sua vida e lhe confidenciou que a convivência com a companheira estava bastante conturbada. “Ele estava morando com uma mulher, mas eles não se entendiam, era muita briga”, recorda. A solução encontrada por Edgar seria sair de casa. “Ele falou que estava pensando em ir morar longe dela para evitar conflitos”, completa Lucila.

Distante do filho e sem ter recursos para ir até a capital alagoana, restou a Lucila pedir ajudar à Polinter e expor o seu caso em programas de televisão, na esperança de conseguir alguma pista, caso alguém reconheça as fotografias que sempre exibe. Ela também não esconde o fato de que o filho é usuário de drogas, razão pela qual demonstra receio sobre o que realmente possa ter acontecido. “Meu medo é que ele tenha morrido, que alguém tenha matado o meu filho. Fico desesperada só em pensar”, desabafa. Mais calma, ela diz que Edgar é uma pessoa boa. “Mas é muito estouvado, não posso negar”, ressalta. A procura pelo filho é prioridade na vida de Lucila. Demonstrando fragilidade e muita coragem ao mesmo tempo, ela fala decidida da determinação de fazer o que for possível para voltar a ver Edgar.  “Não posso ficar parada. Não dá para esquecer. É o meu filho”, fala com emoção.         

Estou me acabando aos poucos’

 

Quem vive drama semelhante é Maria Izabel da Silva Cordeiro, mãe de

Andrea é portadora de distúrbios mentais

 Andrea Silva Santos, 29 anos, desaparecida desde 20 de novembro do ano passado. Portadora de distúrbios mentais, Andrea começou a fugir de casa desde os 14 anos. “O negócio dela é sumir, nem os remédios seguram mais ela”, diz Maria Izabel, viúva e mãe de mais outros sete filhos. Incansável, já foi à Polinter, delegacias, emissoras de televisão e sai da Lagoa da Paixão, no subúrbio de Vista alegre, onde mora, procurando por Andrea pela cidade. “Estou me acabando aos poucos”, diz com muita tristeza na voz. Maria Isabel relata que a filha se envolveu com pessoas de rua e que está ficando cada vez mais difícil encontrá-la. Andrea reage e rejeita os tratamentos médicos já tentados. “Ela fica pior. Não consegue dormir. Mas o problema maior é que ela não quer se sentir presa”, acredita.   

Qualquer pista sobre desaparecidos pode ser comunicada à Polinter, telefone (71) 3116-6573 e Movimento Simone Pinho (71) 3345-6578. Contatos podem ser feitos também através dos sites www.movspinho.com.br e www.ssp.ba.gov.br.

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Sobre Arlita Santana

Arlita Santana (arlita@aqueimaroupa.com.br) é jornalista formada pela UFBA (com diploma), com experiência profissional nos jornais Tribuna da Bahia, Correio da Bahia, extinto Bahia Hoje, jornais de entidades de classe, nas rádios Sociedade e Itapoan FM, prestação de serviço em assessoria política e de eventos e, atualmente, é subcoordenadora de jornalismo da Secretaria Municipal de Comunicação Social. Ajuda a encontrar pessoas desaparecidas na seção Onde Está?, além do apoio aos colaboradores da seção Com a palavra…