Relatos de viagem (II) – Um estrangeiro celibatário

Especial


 

Lembram do administrador Gauss Portela, pernambucano de Recife, que está a trabalho na Líbia? Olha ele aqui de novo, mandando notícias e contando suas impressões sobre essa cultura tão diversa da nossa! Detalhe: em apenas duas semanas no país, ele já descobriu que, apesar das diferenças abissais, algumas coisas parecem ser iguais em todo o mundo. Lá, como cá, é possível obter algumas facilidades em repartições públicas molhando a mão de um outro funcionário.

Meus amigos,
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Estou aproveitando para compartilhar com vocês um pouco mais desta experiência que estou vivendo neste país de cultura tão diferente da nossa e que devemos respeitar. Penso que nada é 100% ruim ou bom, devemos sim é ter um olhar aberto. Afinal, o que é diferente para nós, certamente, será para eles quando tiverem a mesma oportunidade de nos conhecer. O diferente tem que ser visto apenas como diferente e não como pior….ou para alguns, melhor.
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Semana passada contei a vocês do trânsito daqui, de como quero experimentar um pouco do sabor de se dirigir no caos. Eu conheci um colaborador de nossa empresa, que é amigo de alguém lá do departamento de trânsito e logo percebi a primeira semelhança com nosso Brasil varonil: paguei um ‘por fora’ para conseguir a licença. Não que eu ache isso certo, mas fiquei me imaginando fazendo o pedido para a licença… Tenham certeza de que não entenderia nada, o idioma árabe é muito difícil de se entender. Então, apelei para o jeitinho brasileiro e lá se foram LYD 150.00 (cento e cinquenta dinares), o que equivale a R$ 210, aproximadamente. É o preço da comodidade. Em breve, serei mais um doido solto neste trânsito.
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Bom, como não poderia deixar de notar, os costumes locais são bastantes interessantes. Continuo afirmando que o diferente não é errado, apenas diferente. Ficava observando uns carros parados na estrada quando retornamos do trabalho e via pessoas lá fazendo piquenique.  Logo o que me veio à cabeça foi que, no Brasil, não faríamos isso de jeito nenhum! Quem é doido de querer ser assaltado? Aqui, eles fazem muito isso nos dias de sexta-feira. Sei que vão perguntar: “Por que às sextas-feiras?”.  Porque o dia de folga aqui é este. Trabalha-se de sábado até a quinta-feira. Jornada de 48 horas. Não reclamem daí do Brasil, não, viu?
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Pretendo, com o passar do tempo, entender mais os costumes daqui e explicar a vocês acerca deles. Tentarei me dedicar mais ao capítulo mulheres, tipo responder a perguntas como por que das mulheres todas cobertas? Por que usar tanto a cor preta?… Acho este assunto extremamente relevante, afinal, como havia dito antes a vocês, viverei como um estrangeiro celibatário aqui. Será só para matar a minha, a nossa, curiosidade.
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Como já se foram duas semanas, meu olhar para certas coisas se tornou mais tolerante, mais aberto. Vejo isto como um ganho que estou tendo no lado pessoal, afinal abre-se mão de muita coisa para vir para cá. Abrimos mão até da “liberdade de ir e vir”. Não sei a expressão mais correta para dizer a vocês que, de certa maneira, a gente se sente um pouco vigiado aqui. Para entrar e sair do país, você precisa de autorização do governo líbio, precisa de um carimbo em seu passaporte e isto é o que eles mais fazem, carimbar. Para qualquer coisa existe um aqui.

Em breve, pretendo começar a viajar por outros lugares, outros países sempre que houver uma oportunidade e folga. Vou contando a vocês depois para onde vou, aguardem e confiem.
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Abraços a todos
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Gauss

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Sobre Jaciara Santos

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.