Relatos de viagem (III) – Brasileiro ao volante

Especial


Olha quem está falando aqui! Depois de quase um mês de silêncio, o administrador Gauss Portela, pernambucano de Recife, que está a trabalho na Líbia, nos brinda com mais um capítulo dos seus relatos de viagem. Ele já está dirigindo e nos fala de algumas curiosidades relacionadas à cultura e economia desse país situado ao norte da África. Quer ficar de água na boca? Saiba que lá é possível comprar dez pães por um valor equivalente a R$0,30. E mais: o litro da gasolina não sai por mais que R$0,28! Confira aí.

Oi, meus amigos,

Sentiram falta de mais um conto inacabado (plagiando J.R.R. Tolkien)? Pois bem, estou de volta para saciar mais um pouco da curiosidade de vocês. Como sempre, vinha eu voltando de mais um dia de trabalho quando começo a conversar no carro sobre trânsito daqui e um colega, que por sinal é líbio, mas morou alguns anos no Brasil, assim sendo fala fluentemente o português, e para não perder o costume perguntei o que acontece aqui quando uma pessoa é atropelada. (suspense!)

Já sei o que vocês pensaram, ela morre! Juro que, na hora, eu também pensei exatamente isto, mas não era isso o que queríamos saber certo? Certo.  Continuando a conversa… o nosso colega nos respondeu que se você atropelar alguém é mais seguro não prestar socorro, você deve ir imediatamente para a delegacia para sua própria segurança (sic!). Ele disse que, no mínimo, você fica uns dois dias por lá, vendo o sol nascer quadrado, mas é um tempo necessário para a família da vítima se acalmar e a sua ir conversar com a da vítima. Aí, eles acertam um valor para indenização e o problema é resolvido. Enxerguei apenas uma semelhança com o Brasil: o camarada atropela e foge para não ser linchado, até aí tudo igual, mas ele fica foragido e se apresenta três dias depois para fugir do flagrante (advogados me corrijam se estiver equivocado).

Já haviam me dito anteriormente, logo que cheguei aqui, que o camarada só e solto quando a família da vítima o perdoa, mas, depois que o colega explicou o procedimento, acho que entendi o que quiseram dizer com perdão ($$$$$).

Aproveitando a oportunidade, vivendo por aqui na Líbia, ainda não vi uma única pessoa mendigando na rua. Como já tinha dito a vocês antes, muita coisa aqui é bem mais barato, paga-se menos impostos etc. Existe uma ajuda de custo do governo, tipo o Bolsa Família, que o governo paga às famílias enquanto se está desempregado. Mas tenham certeza de que é muuuuiiiiiittttoooo maior que o que o governo brasileiro dá aos brasileiros. Não vou tecer nenhuma crítica porque sabemos que religião, política e mulher não se discute.

Fora a ajuda do governo e os preços mais acessíveis – sim, acessíveis sim! – o padrão de vida é melhor para quem tem menor poder aquisitivo que no nosso país. Vejam só: dez pães custam, aproximadamente, R$ 0,30 e não são cheios de vento como os que comemos aí. A gasolina, aqui, custa R$ 0,28 por litro. Claro que sabemos de onde vem isso, do petróleo. Vamos a um pouco de aula de história para vocês. A economia do país é dirigida pelos princípios socialistas. A base econômica advém da extração e exportação do petróleo, sendo esse produto o responsável por compor grande parte do PIB (Produto Interno Bruto).

Quer saber mais sobre o país? Clique aqui.

Mas, voltando, novamente, ao nosso bate-papo tenho me aventurado no trânsito. Aquele rodeio todo foi para chegar neste ponto. Estou no ápice deste conto inacabado, vou contar a vocês como é a sensação de dirigir aqui. Depois de estar de carona por quase um mês, me pediram para voltar dirigindo do trabalho. Logo pensei que seria uma boa oportunidade para experimentar esta aventura. Aceitei de imediato, é claro. Pessoas, o ponto de tensão é quando você chega na rotatória, é cada um por si, literalmente. Na estrada, você acaba tomando susto de vez em quando, imagina que eu vinha a mais ou menos 1x0Km/h (não vou dizer qual o número por trás do “x”, está censurado) e atravessou um carro e entrou na minha faixa e na outra vinha um líbio na contramão para pegar um retorno…..imaginem o susto que tomei.

Por enquanto é só, aguardem novos contos inacabados…quanto à Copa do Mundo, estou assistindo, sim, é uma maravilha escutar em árabe…CALA A BOCA GALVÃO!!

Abraços

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Sobre Jaciara Santos

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.