Filha sonha em um dia reencontrar o pai desaparecido

Onde está?


A lembrança do pai ficou esquecida em meio às reminiscências da infância, mas não a ponto de fugir totalmente da

Luis trabalhava como vaqueiro em uma fazenda em Mundo Novo

memória. A dona de casa Maria Luiza Santos de Jesus, 38 anos, não perde a esperança de um dia encontrar Luis Lima dos Santos, 57 anos, com quem conviveu até os dois anos idade, mas de quem, ainda assim, sente imensa falta, a ponto de chorar de saudade, especialmente no Dia dos Pais. Quando Luis se separou da mulher, em 1973, a família morava em uma fazenda, em Novo Mundo, interior da Bahia, onde ele trabalhava como vaqueiro. A partir daí, o nome de Luis virou assunto proibido e a filha nem mesmo sabe o motivo do fim do casamento. “Minha mãe nunca me contou nada sobre ele. Somente quando comecei a me entender por gente é que comecei a procurá-lo. Foi assim que eu consegui, com a minha avó materna, a Carteira de Trabalho dele que ela guardava. E é tudo o que eu tenho do meu pai”.

Através da companhia telefônica e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Maria Luiza descobriu que Luis mora na cidade baiana de Jacobina. No entanto, alega falta de recursos financeiros para sair de Nova Itarana, interior da Bahia, onde mora com o marido e os quatro filhos. Orgulhosa, afirma, com base na única fotografia que possui,  que é “ a cara dele”, assim como o filho mais velho. “Quando eu olho para o meu filho é a mesma coisa de estar olhando para o avô dele”. Ela acredita que Luis já tentou se aproximar dela, porém não teve sucesso. “Uma vez, um homem ligou para nós, dizendo que sabia onde encontrar meu pai e que ele já estava em outro relacionamento e com três filhos, mas minha mãe não quis saber”. Persistente, não pensa em desistir do que ela classifica como o maior sonho da sua vida. “Ainda vou encontrar o meu pai”.

Maria Luisa tem convicção de que sua mãe poderia ajudá-la a realizar esse sonho. “O problema é que ela tem uma raiva tão grande dele que acaba descontando em mim. Um exemplo é o tratamento melhor que ela dá aos outros filhos que teve posteriormente, de um outro relacionamento”. Ela demonstra grande tristeza quando relata uma conversa que ouviu entre a mãe e uma tia.  “Ela contou que encontrou com ele e disse que as duas filhas tinham morrido”. Na verdade, o casal teve duas filhas. Contudo, quem morreu foi a mais velha. “Eu estou aqui, amo o meu pai e vou fazer o que puder para vê-lo. Quero também que ele conheça os netos. Isso me deixaria muito feliz”.

Qualquer pista sobre desaparecidos pode ser comunicada à Polinter, telefone (71) 3116-6573 e Movimento Simone Pinho (71) 3345-6578. Contatos podem ser feitos também através dos sites www.movspinho.com.br e www.ssp.ba.gov.br.

Textos relacionados:

  1. Mãe procura filho desaparecido
  2. Mulher suspeita que ex-marido raptou a filha
  3. Homem acusa ex-mulher de raptar a filha
  4. Família teme por vida de ajudante de pedreiro desaparecido
  5. Todo dia é dia das mães

Sobre Arlita Santana

Arlita Santana (arlita@aqueimaroupa.com.br) é jornalista formada pela UFBA (com diploma), com experiência profissional nos jornais Tribuna da Bahia, Correio da Bahia, extinto Bahia Hoje, jornais de entidades de classe, nas rádios Sociedade e Itapoan FM, prestação de serviço em assessoria política e de eventos e, atualmente, é subcoordenadora de jornalismo da Secretaria Municipal de Comunicação Social. Ajuda a encontrar pessoas desaparecidas na seção Onde Está?, além do apoio aos colaboradores da seção Com a palavra…