Há mais de dez anos sem qualquer notícia, a família de Givanildo Ribeiro dos Santos, nascido em 1978, já passou por diversas cidades do interior da Bahia, começando em Palame, povoado de Entre Rios, último endereço dele de que tem conhecimento. Givanildo vivia com a mulher e os quatro filhos na localidade, para onde foi como trabalhador em um assentamento do Movimento dos Sem-Terra (MST), a convite de um amigo. A partir do ano 2000, cessaram as ligações telefônicas que fazia frequentemente para os pais e irmãos, residentes na cidade baiana de Rui Barbosa.
Falando em nome dos familiares, Luciana Ribeiro dos Santos, irmã de Givanildo, afirma não entender o que teria acontecido e também diz não ver motivos para que ele quisesse simplesmente desaparecer. “A única coisa que ele fazia demais era beber. Só se foi isso que afetou a cabeça dele”, sugere, sem muita convicção. Ela reconhece que o longo tempo afasta cada vez mais as possibilidades de que apenas os esforços dos parentes sejam suficientes para encontrar o irmão. “Perdemos o contato. Não temos como chegar até ele. Já fomos a vários lugares”.
Filho de uma numerosa família de 18 irmãos, Givanildo começou a trabalhar cedo na roça e nunca frequentou qualquer escola. Luciana acha que o fato de não saber ler pode dificultar a situação do irmão, a ponto de Givanildo não ter condições nem mesmo de se localizar. Segundo afirma, ele não é portador de qualquer tipo de doença e sempre foi uma pessoa tranquila.
A dor dos pais é outra preocupação na vida da família. “Até hoje, minha mãe não dorme direito. Meu pai só pensa em ver o filho. Não é fácil a vida de quem não tem notícias de um filho. O desespero é de toda a família”. Ela ainda tem esperança de que a pessoa que foi trabalhar com Givanildo termine aparecendo e traga alguma pista dele. “A gente nunca vai deixar de acreditar”, ressalta, sonhando com a volta do irmão e a consequente felicidade que isso proporcionaria ao pai e à mãe.
Cecília saiu com o namorado e sumiu
O filho de dez anos chora de saudade de Cecília São Pedro da Silva, 29 anos, desaparecida desde o dia 14 de julho do anopassado. Nesse dia, ela saiu de casa com o namorado, dizendo que não iria demorar. O mais estranho, comenta Arlindo São Pedro Passos, é que a irmã não frequentava festas e muito menos tinha envolvimento com drogas.
Cecília morava com a mãe e o filho no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, e quase nunca saía de casa. “Somos seis irmãos e todo mundo ajudava ela com a criança, inclusive o pai”, explica, dizendo ainda que Cecília não se desentendeu com ninguém da família, o que poderia ser uma justificativa para o desaparecimento. “Já espalhamos cartazes pela cidade, mas até agora não obtivemos nenhum resultado”. Ao lado do neto, a mãe de Cecília divide os momentos de angústia. É mais uma que perdeu o sossego. “Minha mãe já não consegue nem dormir”, lamenta Arlindo.
Qualquer pista sobre desaparecidos pode ser comunicada à Polinter, telefone (71) 3116-6573. Contatos podem ser feitos também através dos sites www.movspinho.com.br e www.ssp.ba.gov.br.
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