
Oscila entre ruim e péssimo o serviço prestado pela TWB, empresa que se apresenta em seu site como “uma das principais companhias de transporte hidroviário de passageiros e veículos do Brasil” e opera, desde 2005, a travessia Salvador-Ilha de Itaparica. Como se sabe, o serviço público de transporte marítimo é explorado pelo setor privado, mediante concessão do governo do estado. E é exatamente por se tratar de uma concessão, que torna-se inaceitável a pouca seriedade com que o serviço vem sendo prestado ultimamente.
Por uma questão de justiça, vale ressaltar que a queda progressiva na qualidade do serviço não é um fenômeno inaugurado pela atual operadora. A degradação coincide com a privatização do sistema, a partir do desmonte da antiga Companhia de Navegação Bahiana e inclui episódios nebulosos como o sucateamento dos ferries Monte Serrat e Gal Costa (avaliados em mais de 15 milhões de dólares), o apodrecimento do navio “Maragogipe” e o sumiço da lancha “Maré”. Mas esta é outra história. Para usar uma antiga expressão bem popular, aí já são outros quinhentos…
Voltemos aos dias de hoje e ao serviço ruim, feio e caro prestado pela TWB. E não se está falando apenas dos penosos 90 minutos que o navio Ipuaçu gasta para cobrir os aproximadamente 14km entre os terminais de São Joaquim (Salvador) e Bom Despacho (Ilha de Itaparica). Tampouco da decadência dos demais barcos do sistema que, à exceção do glamoroso Ivete Sangalo, já não conseguem esconder a longeva idade. A degradação começa nos terminais de passageiros: em São Joaquim, criatório de baratas; em Bom Despacho, uma inadequada criação de pombos.
Curiosamente, os órgãos da Vigilância Sanitária, sempre tão diligentes em puxar as orelhas dos responsáveis por estabelecimentos comerciais, faz vistas grossas às condições inqualificáveis dos terminais de passageiros do sistema ferry boat. A título de ilustração, cito abaixo dois recentes episódios de que fui testemunha e que são tão repugnantes quanto preocupantes sob o ponto de vista da saúde pública.
Na sexta-feira (17), à noite, uma criança deixou cair ao chão um “snack” de batata (do tipo Elma Chips) do saco que degustava. Em pouco tempo, a guloseima foi coberta por umas dez a doze baratas, que formavam uma espécie de “cacho” repugnante, sob o banco em que alguns passageiros aguardavam a liberação do acesso ao salão de embarque. Era por volta das 21h.
Dias antes, no feriado de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), também perto das 21h, uma meia dúzia de pombos se refestelava num bebedouro instalado no terminal de Bom Despacho. Como se estivessem em seu habitat natural, algumas das aves brincavam sobre o equipamento, indiferentes ao vai e vem de passageiros. Outras sobrevoavam o teto, onde se via excrementos aqui e ali. O cheiro de sujeira excluía qualquer dúvida quanto às condições de higiene do espaço.
Quanto ao desrespeito da empresa em relação ao cliente e ao próprio poder concedente, nem precisamos nos alongar. O episódio do reajuste de tarifa (seguido de cancelamento) demonstrou claramente o desprezo da companhia em relação às normas que regem o serviço. Mesmo que, numa tardia tomada de posição, a agência reguladora tenha vindo a público bater na mesa e dizer de quem é a última palavra, fazendo com que todos acreditássemos naquele midiático jogo de cena.
Se servir de consolo, uma informação colhida em notícias veiculadas pela mídia paulista: a má prestação de serviços da TWB não é uma exclusividade do ferry boat Salvador-Itaparica. Quando operou o sistema de travessias litorâneas de balsas (veículos) e barcas (passageiros) no Estado de São Paulo, a companhia era alvo de críticas dos usuários “por causa das constantes quebras, e dos funcionários, que reclamam dos baixos salários”, como registra o site Cotidiano , em 22 de junho de 2007.

- Pombo no bebedouro do terminal de Bom Despacho, no dia 8 (Foto: Luciana Rodrigues)
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