Terror na Lapa

Circulando


Para os gestores que alardeiam medidas cosméticas de recuperação da Estação da Lapa e para aquel’outros que dizem que a segurança na Bahia vai bem, segue o relato com toda a carga de dramaticidade de um cidadão que vivenciou o terror de um quase assalto nos subterrãneos do referido terminal de ônibus. Quem é obrigado a utilizar o espaço sabe que aquilo ali assemelha-se com a visão fantasiada que se tem do mítico inferno dos católicos.

Confira o relato em primeira pessoa do crítico de arte Aldo Tripodi,que escapou de um assalto, neste domingo (30), na Estação da Lapa, por volta das 16h30.

Prezado colegas, amigos companheiros,

fui à Lapa, hoje, dia 30, às 16h30, pegar um ônibus para Paripe. Eu e meu amigo Weldon, estávamos sozinhos no ponto na parte de baixo da Lapa, ai surgiu alguém a um metro de distância, em frente a gente e meteu a mão numa sacola de papel. Quando vi que ia tirar uma arma, consegui passar por debaixo dos ferros que dividem a estação e saí correndo e gritando. Meu amigo ainda ficou um pouco e, sem dar as costas para o ladrão, ficou de frente com ele, com medo de receber um tiro nas costas, mas conseguiu passar por baixo de ferro ainda em tempo de ver o indivíduo com a arma na mão.

Como saí antes e gritando por socorro, creio que o tenha assustado, e meu amigo saiu correndo. Foi loucura, mas o pânico tomou conta de mim e ainda avistei o indivíduo sair andando, com a certeza de que ninguém iria atrás dele. Perto da escada, no piso inferior, havia algumas pessoas e, pasmem, elas ficam na escada pois na hora que o ônibus chega para desembarcar elas embarcam ali mesmo, pois sabem que se ficarem no ponto podem ser assaltadas.

Subi e vi uma viatura, como sempre, parada e falei o que tinha ocorrido. Como estava tremendo e em pânico, queria que (os policiais) fossem atrás dele. Como nada tinha sido levado, se pegassem ele iria negar e não fui para não marcarem minha cara e depois….

Como pode isso? Cadê a polícia? Já que na parte de baixo é que acontecem os assaltos, (o que foi denunciado pela Tribuna da Bahia e Alex Ferraz fez várias denúncias), já que domingo há pouco movimento e permite a ação dos bandidos na parte de baixo da Lapa, por que a polícia não transfere o posto de cima para baixo?

Resolvi, então, fretar um táxi e o motorista me disse que eles (os policiais) assistem televisão o dia todo em vez de ficar percorrendo a Lapa, em vez de tomar providências. A população sabe, os ladrões também, e eles não? Mando este email dando graças a Deus de amanhã (hoje) não estar no Bocão como mais um corpo estendido no chão. Eu e meu amigo! Vocês, meus amigos, não estarem chorando minha ausência ou quem sabe de outro amigo…

A Lapa está abandonada e este Prefeito, nada faz só diz que a prefeitura está falida. Ele quer mais dinheiro e quem faliu a prefeitura foi ele. Peço, a bem de todos, que bombardeie o e-mail da PM, da Prefeitura e do Governo ou quem ainda esteja atuando em órgão de comunicação faça uma pauta e vá num domingo visitar a Lapa (leve segurança).

Aldo Tripodi

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Sobre Jaciara Santos

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.