Durante décadas os moradores de Cachoeira, no Recôncavo baiano, lutam para que a cidade tenha o seu teatro. Essa luta de mais de 150 anos finalmente vai ter um fim este ano, com a restauração completa e entrega do Cine-Teatro Glória.
Até agora foram realizados serviços preliminares de demolições e preparado o canteiro de obras. Todo o cine-teatro detém 680 m² e a intervenção está prevista para durar até o segundo semestre deste ano.
Segundo a Assessoria de Comunicação do Ipac, o novo espaço terá foyer, hall de circulação, sanitários, depósitos, subestação, três galerias, sala de projeção, camarins, entre outros itens.
Orçadas em R$ 4,3 milhões, as obras são coordenadas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), e integram o programa Monumenta do governo federal. Os recursos são da União, financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida do Governo da Bahia.
Luta pela cultura viva
As tentativas para se construir um teatro em Cachoeira começam no ano de 1859 quando foi criada a Sociedade União Cachoeirana com o objetivo construir um teatro no Alto da Conceição do Monte, elevação cachoeirana onde se encontra também a Igreja de Nossa do Monte.
A segunda tentativa ocorre em 1894, quando é fundada a Empreza Teatral Paraguassu. Em 1923 a empresa entra em falência e o local é reinaugurado com o nome de Cine-teatro Cachoeirano, na Praça dos Arcos, renomeado depois de Cine-Teatro Glória na década de 1950.
Apesar das tentativas, Cachoeira – que é tombada desde 1971 como Patrimônio do Brasil pelo Ministério da Cultura e foi a segunda mais rica cidade da Bahia nos séculos XVIII e XIX – só conseguiu seu teatro definitivo em 1923, com a criação do Cine-Teatro Paraguassú.
Com a presença de cursos como Artes Visuais e Cinema na cidade, alocados pelo Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), as potencialidades do cine-teatro tendem a aumentar ainda mais.
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Acredito que não só as questões culturais e até estudantis serão benéficas aos moradores, mas a própria preservação da história da cidade e da região. É comum no Brasil as pessoas não conhecerem a história do país ou de seu estado e cidade. Um erro que, infelizmente, propaga-se. É bom saber que para entendermos o presente precisamos conhecer o passado. Quem sabe isso mudará com o tempo.