Causa certa estranheza a reação dos policiais civis baianos à forma como a Secretaria da Segurança Pública vem conduzindo o episódio envolvendo o investigador Valmir Borges Gomes, 54 anos, suspeito da prática de extorsão e que, lamentavelmente, acabou morto numa desastrada operação desenvolvida por colegas. Desastrada, sim, porque, por mais bem planejada que seja, uma ação policial que resulta em baixas não pode ser considerada exitosa, ao contrário do que alardeia a cúpula da SSP-BA. Trabalho policial bem feito é, por assim dizer, trabalho limpo: bandidos na cadeia, nem uma gota de sangue derramado. Mas, se houve o uso de “excesso de força” (eufemismo com que a polícia rotula a morte de alvos), nos vemos agora diante do excesso de corporativismo.
Meu amigo Lima (Carlos Lima, presidente do Sindpoc) que me perdoe, mas não consegui entender ainda o real motivo do protesto e da “greve branca” dos policiais civis. Concordo que há perguntas não (ou mal) respondidas, mas compactuar com a imoralidade nunca é o melhor caminho. O risco aqui é o de macular a imagem de toda uma categoria, formada em sua maioria por trabalhadores honestos e comprometidos com a legalidade.
A morte do agente Valmir, como toda e qualquer morte, é um acontecimento lamentável. Mas, no dia a dia do labor policial, quantas vidas se perdem em circunstâncias semelhantes, nas alegadas (e nunca explicadas) trocas de tiros envolvendo policiais e suspeitos? Ao longo de sua carreira, em quantas situações análogas o próprio Valmir deve ter se envolvido?…
Não se pode negar ao sindicato o direito de defender seus associados (ver nota oficial). É papel da entidade de classe ser a voz da categoria que representa. Mas, como diz a canção, “é preciso estar atento e forte”, pois há perigos na esquina. O momento atual pode não ser o mais oportuno para os policiais civis baianos externarem sua profunda e justificável insatisfação com o desgoverno na área de segurança pública. O motivo alegado também é frouxo: transformar em mártir um policial suspeito de ações ilícitas, não é exatamente um trunfo dos mais seguros. Nesta queda de braço, só há um fator favorável ao movimento: a exposição proporcionada pela vitrine que é o Carnaval baiano. O mundo inteiro pode tomar conhecimento, ao vivo e a cores, das mazelas que a propaganda oficial tenta esconder. Entretanto, movida por interesses comerciais, será que a grande mídia estará mesmo disposta a mostrar lá fora os nós atados aqui dentro?
O momento é de cautela. A Justiça já se colocou contra a paralisação, a opinião pública também torce o nariz – mesmo não dando à policia seu devido valor, a sociedade adota a política do “ruim com ela, pior sem ela”. Paciência, senhores! Contrariando o que diz algumas religiões, o mundo não foi feito em sete dias, tampouco será extinto nesse mesmo período. Por mais clichê que represente, aquela velha frase que mistura pressa com imperfeição é sempre verdadeira e atual. O que são alguns dias para quem vem amargando a mais absoluta orfandade por anos e anos?…
Se houve excesso de força ou injustiça no caso do agente Valmir, o tempo dirá. Por ora, vale a cautela, sob pena de a sociedade tomar seis por meia dúzia no que se refere à reputação da categoria. Quanto aos pretensos donos do mundo, aqueles que hoje mandam, esses também não perdem por esperar. Apesar deles, o sol vai raiar e amanhã há de ser outro dia, como prenuncia o poeta.
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Querida Jaci, vc falou e disse, uma morte é sempre lamentável, agora o que não se deve é crucificar e condenar ninguém antes de se investigar. São muitas perguntas até pq é uma história ainda cheia de meandros e espero que ao final tenhamos respostas para essas indagações. Forte abraço e um bom carnaval a todos pq eu já tô indo pipoquiar(rsrsrsrsrsrs).
Concordo plenamente com Jaciara. O fato e os fatores devem ser esclarecidos, mas a forma como se procede tende à ser um fiasco, haja vista as ‘jogadas’ da mídia. Se o que se espera é uma repercussão positiva esse, sem dúvida, não é o melhor dos caminhos a seguir.
A PC acertou em matar 10 “bandidos” na semana passada? ficaram tão adestrado que mataram o próprio companheiro, quando se mata companheiro que é ser humano, faz-se protesto, quando se mata civis com passagens na justiça que parecem não serem seres humanos, comemora-se. É lastimável ver as condições do perfil policial baiano, a propósito – há um programa de televisão semanal para toda a Bahia realizado às 13:00 que é uma verdadeira afronta a constituição as condições do preso, nele coloca-se o preso ao vivo em interrogatório pelo apresentador e a os alienados que assistem e participam do vexame. alguém tem que acionar a justiça, o delegado que aceita isso parece não conhecer o direito constitucional.
Realmente uma ação tenebrosa. Se a polícia tinha conhecimento
de que esse policial era um travestido, o porquê de não fisgá-lo ao
amanhecer, como como sempre fazem, depois o prendendo em cela
da Corregedoria, ao invés de prendê-lo para sempre em uma tumba?
Se os marginais mais perigosos têm esse direito, apesar de que se ele
realmente cometia atos ilícitos usando como escudo o seu distintivo,
estava em semelhança aos marginais de alta periculosidade.
Jaciara Santos, vc tocou na raiz. A POLÍCIA CIVIL está destroçada, qualquer um que chega pra mandar diz e faz o que quer. A fala do secretário e delegado geral desequilibrou a mente dos policiais civis, não houve respeito ao morto, antes deveria apurar o que houve e posteriormente o delegado geral chefe dos policiais civis apresentava à sociedade uma nota pública. Houve precipitação e exaltação ao grupo que assassinou o colega, já pensou se outros grupos se rebelassem? Certamente haveria vários mortos. O SINDPOC, na minha visão, (posso estar errado) agiu certo, encostou as autoridades na parede, de outra forma não poderia ser. Observe que não houve mais anúncio e nem alegria de confraternização aos cumpridores da operação desastrada, segundo a mídia houve perfuração de balas nas paredes das casas no local da operação, daí se pode concluir que a morte de VALMIR foi encomendada, se o policial estava sendo investigado não poderia estar trabalhando e sim afastado aguardando procedimento conforme manda a Lei. As duas autoridades acima deveriam ser diligentes e eficazes pra buscar meios e salário para os policiais civis e deixar a Corregedoria à vontade em sua missão – apurar erros de servidor policial – até porque eles não estão acima da Lei.