A cor dos meus olhos

Infinito Cotidiano


A terra vermelha levanta e sai tingindo tudo, as árvores, os caules, as folhas. As pedras, e os animais. Tudo fica rubro. Vermelho, quente, forte. A terra levanta do chão em forma de nuvem de poeira. A poeira deixa tudo vermelho. A paisagem agora é cobre, resultado do vermelho atingido pelos raios de sol. O amarelo do sol e o vermelho da terra, resultam no cobre. A equação do que eu via. Do que estava na minha frente. Parecia um jogo de cores, um degradê do vermelho. De baixo pra cima, o vermelho ia mudando de tom, de temperatura, até chegar no céu que, às vezes, não era mais azul e sim a fase mais clara do vermelho. Era uma paisagem marrom, acobreada, vermelha. A paisagem do sertão, de terra fértil. Vermelha. De poeira, de sol, dos raios de sol e do vento. O sertão dos meus olhos.

Publicado originalmente em Modos de Ver (www.flaviavasconcelos.blogspot.com)

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Sobre Flavia Vasconcelos

Flavia Vasconcelos (flavia@aqueimaroupa.com.br) ingressou na Unijorge em 2004, iniciando o curso de Comunicação Social em Jornalismo, finalizando em abril de 2008. Atua na área de jornalismo cultural, produzindo e prestando assessoria de comunicação em eventos culturais (exposições, festivais). Foi assistente de direção do Festival Nacional A Gosto da Fotografia e coordena, junto com o fotógrafo Marcelo Reis, o Projeto Modos de Ver. Adepta do jornalismo literário e humanista, é autora do livro-reportagem Jornaleiros Militantes, feito para trabalho de conclusão de curso de graduação. Pretende seguir carreira no jornalismo literário.