Uma impunidade a menos

É de lei!


Vários fatores contribuíram para a rápida elucidação da morte de Luiz Alberto Mota Moura,  assessor do vereador Henrique Carballal (PT). O corpo da vítima foi encontrado com dois tiros na cabeça, no dia 22 de setembro, na Baixinha de São Gonçalo do Retiro, e ontem (11), três semanas depois, os supostos autores já eram apresentados à imprensa. De acordo com os policiais envolvidos na investigação, a motivação do crime foi o roubo. Os suspeitos foram identificados como Ivan Matta dos Santos, 27 anos, Ronaldo Maurício Sena, 38, Vandério de Jesus Santos 28, e Marcelo Jackson Peixoto Santos, 29, todos com histórico de assaltos.

E mais: ao desvendar o latrocínio (roubo seguido de morte) do assessor parlamentar, a polícia diz ter também esclarecido o assassinato de Jorge Luís Abreu, proprietário da locadora de veículos Fast Car, situada na Avenida Paralela. Laudo técnico sustenta que os dois foram mortos pela mesma arma, um revólver calibre 38. Há suspeitas de que os investigados deviam ao empresário pouco mais de R$2mil, referentes ao aluguel de carros utilizados em sequestro relâmpagos. Não há evidências de envolvimento do comerciante nas atividades ilícitas dos supostos assassinos.

Vamos aos fatores que podem ter levado à rápida elucidação do caso. Indiscutivelemte, o fato de a vítima ocupar posição de relevância deve ter contado ponto. Ou alguém duvida de que veio uma “ordem lá de cima”, exigindo empenho na apuração? Não se tratava de um joão ninguém, mas do assessor de um vereador do partido do governador.

A inexperiência (ou seria certeza da impunidade?) demonstrada pelos bandidos também contribuiu bastante para a solução do caso. Não é que os caras continuaram a usar o carro e o cartão bancário da vítima?… Aí, nem precisa entender de técnica de investigação: qualquer pessoa de inteligência mediana ou um mero espectador de filmes policiais saberia que o veículo e a movimentação financeira da vítima estavam sob rigoroso monitoramento.

Mas, talvez, o fator decisivo para o êxito das investigações tenha sido a escolha da equipe que cuidou do caso. A delegada Francineiede Moura – à frente dos trabalhos – é avessa a entrevistas, não gosta de holofotes e, às vezes, chega a ser ríspida com a imprensa, mas é uma máquina pra trabalhar. Sempre se destacou pelo trabalho criterioso, tendo elucidado uma série de crimes intrincados, como o sequestro e morte do economista Victor de Athaíde Couto Filho, 34, em julho de 2006.

Pena que essa combinação de eventos só se dê em pouquíssimas oportunidade e represente uma exceção. Como se sabe, a regra é a impunidade retratada nas pilhas de inquéritos empoeirados e esquecidos nas prateleiras das delegacias baianas. Se todas as investigações fossem como essa que acaba de mandar para a cadeia os autores da morte do assessor parlamentar Luiz Alberto Mota Moura e do empresário Jorge Luís Abreu, não existiriam casos insolúveis como os emblemáticos homicídios que tiveram como vítimas os sindicalistas e militantes políticos Paulo Colombiano e Catarina Galindo (29 de junho de 2010), o artista circense Ricardo Matos (22 de janeiro de 2008), a bancária Ananda Lima Barreto (1º de março de 2010), o ambientalista Antônio Conceição Reis, o Nativo (9 de julho de 2007) e tantos outros anônimos lembrados apenas na dor de amigos e familiares… Resta a certeza de que quando a a polícia quer, pode e sabe fazer a justiça acontecer.

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Sobre Jaciara Santos

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.