Greve da PM: governo diz que quer negociar

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Treze homicídios em 24 horas, dez baleados no Hospital Geral do Estado, um número ainda não contabilizado de ônibus vandalizados, uma quantidade tão grande quanto imprecisa de estabelecimentos comerciais saqueados em bairros populares – inclusive duas lojas da Cesta do Povo – tensão e medo no ar. Este é o balanço preliminar e extraofic ial da onda de terror que tomou conta das ruas de Salvador nesta quinta-feira (2), como um desdobramento da greve de policiais militares baianos. A paralisação foi deflagrada na terça-feira à tarde, em assembleia promovida pela Associação de Policiais Militares, Bombeiros e seus Familiares no Estado da Bahia (Aspra-BA).

E não há indícios ainda de que o movimento esteja próximo do fim. Apesar de a Justiça haver decretado a ilegalidade da greve, a Aspra-BA ganhou o apoio de pelo menos mais uma organização representativa da categoria: a Associação de Praças da Polícia Militar – APPM. Convidado pelo governo do Estado para uma mesa de negociações, o presidente, soldado Agnaldo Pinto, disse que não aceita dialogar sem a presença dos líderes grevistas. “Seria uma deslealdade para com os companheiros aceitar negociar, deixando quem iniciou o movimento de fora”, justifica Pinto.

Ainda sem saber como conduzir a negociação, o governo se vale da intimidação. Além de ameaçar punição aos grevistas, anuncia a chegada de reforços: 150 agentes da Força Nacional de Segurança já estão em Salvador, outros 500 devem chegar nas próximas 48 horas e o Exército disponibilizou um efetivo de dois mil homens para assumir o controle do policiamento ostensivo. A capital baiana não guarda boas lembranças da utilização das Forças Armadas em patrulhamento das ruas – os mais velhos devem lembrar do trágico confronto entre fuzileiros navais e PMs, no desfecho da greve da Polícia Militar, em março de 1981 (ver post Quando o jornalista vira notícia).

O dia está só começando. Às 9h, no Centro Administrativo da Bahia, o governo se propõe a dar início à negociação. Providência tardia (postergou ao máximo o rec0nhecimento da crise) e parcial (não aceita negociar com a Aspra). No mesmo horário, no centro da cidade, policiais civis decidem se aderem à greve da PM. O dia promete.

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Sobre Jaciara Santos

Jaciara Santos (jaciara@aqueimaroupa.com.br) é sergipana de Aracaju, mas atua como jornalista profissional em Salvador-BA, já há quase três décadas. Foi repórter, chefe de reportagem, pauteira, editora de Cidade, Política e Economia, colunista e subeditora de Segurança. Premiada duas vezes no extinto concurso de reportagens da Associação Bahiana de Imprensa, em 2003 conquistou também o prêmio Banco do Brasil na categoria reportagem por uma série de matérias sobre a ação dos grupos de extermínio na Bahia.