Dentre as operações militares, com certeza, a mais difícil é a retirada, pois, por mais paradoxal que possa parecer, exige que o moral da tropa esteja em grau elevadíssimo. Nessa lógica, podemos refletir sobre as consequências do recente motim que eclodiu na PMBA e que, ao contrário do que o Governo do Estado quer nos fazer acreditar, não acabou, face a permanência das causas e concausas que o geraram e que o fizeram crescer e se alastrar por quase toda a corporação.
Numa crise das proporções que tomou o motim da PMBA, já que o embate armado não interessava a nenhuma das partes em confrontação, as possibilidades de solução eram ou um acordo negociado e aceito, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa. Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma acéfala desmobilização, num momento em que era indispensável manter na tropa o seu moral e a sua coesão.
A crise da Polícia Militar da Bahia não acabou, mas chegou ao fim mais um pico de agudização do seu ciclo decenal de amotinação, pela perda das condições de continuidade do processo de mobilização das tropas, mesmo que os policiais militares não consigam esconder a sua frustração. Voltaram ao trabalho, absolutamente insatisfeitos e, consequentemente, sem maiores esforços para compreenderem, perfeitamente, os resultados positivos e negativos do movimento, pois todo dia tem o seu “day after”.
A calmaria relativa que se restaurou nos quartéis e nas ruas no interior e na capital não se deve a uma estratégica retirada, mas a um pacto silencioso, celebrado com lágrimas de raiva e com o fermento da frustração cujas consequências, com certeza, se refletirão na segurança da nossa sofrida população que, no seu dia a dia, não conta com a atenção que o governo desta “Terra de Todos Nós” dedica ao carnavalesco folião.
No Reino de Momo, a produção do bem segurança seria impensável sem a PM, pois as milícias que atuam na segurança dos blocos e camarotes no Carnaval de Salvador, não raro, também são parte da corporação, em regime de dupla militância. Mas essa conivência com o duplo emprego que não é uma exclusividade do Carnaval nos dá uma boa ideia da realidade dos seus vencimentos e, em parte, nos explica o descontentamento por parte dos policiais.
O inspirado verso do sambista, “Tristeza, por favor, vá embora”, embute um apelo atemporal para que a coisa ruim, que incomoda e maltrata, desapareça. Na música e na fantasia do poeta, a tristeza, a insegurança e a angústia da perspectiva de uma festa de Carnaval sem a presença policial e outras coisas mais podem ir embora apenas com o pedido sincero do compositor. Mas, na vida real, não é assim.
Porta arrombada, cadeado de ferro! Assim os mercadores do Carnaval e as autoridades governamentais apressaram-se em pedir a permanência do reforço das tropas federais entre nós. Mas, a quem interessa a imagem do Exército policiando o Carnaval de Salvador? Com certeza, a Momo não interessa a baioneta calada, mas “fanta” que canta.
O que seria da vida, afinal, se não houvesse o Carnaval? O que seria do Carnaval se não fosse a polícia? O Exército não está preparado para atuar nas ruas durante o Carnaval: não faz policiamento, não é treinado para fazer o varejo da segurança. A polícia é quem exerce essa função. E, sinceramente, nada substitui a Polícia Militar da Bahia nesse mister.
Nessa lógica, independentemente da presença do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública de prontidão na nossa capital, não tenho dúvidas de que, no que depender da PMBA, o sucesso da festa está garantido.
Evoé, Momo! A Polícia Militar está na rua! O carnaval chegou! Não me preocupo com a festa, mas com os dias de quaresma que advirão, pois, até lá, como dizem os Capitães PM Mauro de Souza Araújo e Nelson Gomes dos Santos Filho:
“Continuaremos a tanger a massa dançante e inocentemente festejosa pelos estreitos espaços públicos destinados aos excluídos que tentem divertir-se mesmo sob a condição de massas espremidas entre os açoites projetantes das cordas e as decoradas e coloridas muralhas dos camarotes burgueses”.
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É muito complicada a situação da segurança pública brasileira. Não somente na Bahia, mas também em outros estados, percebe-se que as polícias Civil e Militar sofrem com a defesagem de salários, com condições de trabalho insuficientes e com o desânimo de seus agentes. O resultado é a penalização da população, que, no fundo, nada tem a ver com a história. Não que a culpa seja dos policiais, claro, mas verdade seja dita. Infelizmente, isto só reflete que o governo brasileiro ainda não investe em edução, cultura, esporte, saúde e segurança pública, setores primordiais para garantir uma melhor qualidade de vida a todos.
Caro Cel Melo,
Minha admiração pela eloquencia do texto. Correram-me as lágrimas ao ler no seu texto: “…mas sim uma acéfala desmobilização, num momento em que era indispensável manter na tropa o seu moral e a sua coesão.” Resultado da inercia e omissão daqueles que se calaram frente ao grande momento vivido por nós.
Se permite, discordo apenas do vosso pensamento em dizer que: “…não tenho dúvidas de que, no que depender da PMBA, o sucesso da festa está garantido.” Acredito ser esse, de fato, o pensamento do oficiais do alto comando. Pois a tropa, devido as barbáries cometidas pelo governo Wagner, deve manter a famosa “Operação Boticário” neste carnaval.
a verdadeira interpretação,não só deste movimento, mas de todos que existiram até hoje, o pão e o circo só vão protelar mais um grito, Deus sabe de que proporções e quando,
Parabéns Cel Melo! Como sempre nos brindando com essas pérolas! Ao ler este texto fico me perguntando: até quando vamos alimentar esse modelo defasado de polícia? Até parece que os governantes, que outrora foram hostilizados por “aquelas Polícias Militares”, que serviam de massa de manobra da Ditadura Militar, querem se vingar, agora como “Comandantes-em-Chefes”, que, nos bastidores dos palácios, riem com seus pares ideológicos, dizendo: “esses milcos de m… agora nos pagam”, como se tivéssemos culpa de suas frustrações. Agora usam militarismo para nossa própria opressão. Por isso chego a conclusão de que não precisamos ser militares para fazer segurança pública, mas sermos excelentes policiais, sem perder de vista os pilares que regem quailquer instiuição: disciplina, hierarquia.
Acredito meu caro pesquisador que vários fatores foram desencadeados dentro dessa revolta e o que mais está me preocupando é o fator psicológico/ emocional, pois tive a oportunidade de poder acompanhar todo esse movimento de perto, mas fiquei horrorizada em ver a pressão e terrorismo que aqueles policiais sofriam diariamente dentro daquela assembléia legislativa, ver aquilo foi deprimente para mim e certamente, depois daquilo tudo, somado aos que eles já sofrem diariamente tenho absoluta certeza que seus psicológicos não serão mais os mesmos. Ouvia pais militares de famílias ligando para suas esposas e familiares em lágrimas se despedindo acreditando que iriam morrer visto aquela situação instalada, enquanto isso nossos governantes e até os próprios oficiais os tachavam de marginais, não se importando com o fator real que estava por traz daquilo. Porque a luta ali era mais que por um simples salário, é por uma dignidade que eles quase não tem, porque ao invés de serem tratados como heróis na maioria das vezes por estar se responsabilizando de cuidar dessa escória perdida de sociedade que estamos vivenciando diariamente, apenas são tratados como seres servis e robóticos que são programados para executar seus deveres e desligados após o cumprimento.
Pudemos ver a manipulação aberta e tirana do nosso governador com os meios de comunicação implantando notícias falsas e deixando a população a mercê dessa mentirada toda. Daí percebo que um policial militar que trabalha na base, de confronto direto, não tem nenhum valor para o governo e para aqueles “oficiais” que por um DAI ou DAS, preferem dar as costas para aqueles que realmente estão assumindo o papel de profissionais de segurança pública. Os mesmos que por bons serviços prestados os colocam nos altos postos de comando e de recebimento de tais gratificações, preferem ser fieis ao governo, que a sua tropa que é sua verdadeira família e que no momento de batalha o estará protegendo fielmente, como já o fazem direta ou indiretamente. Assim observa-se que dentro de todo esse contexto o “poder” financeiro fala mais alto, mas vale esses altos comandos serem fiéis ao governo que tem gratificações para lhes oferecerem e garantir suas gordas contas bancárias e aposentadorias, que brigar por uma causa justa e verdadeira, bem diz que todo homem tem seu preço, mas podemos ver que aqui no Brasil muitos se vendem por nada.
O Governador Wagner declarou que a pouca violência deste ano foi devida à ausência de cordas nos trios, é mole?
Andre9.Meu carnaval também teve seus momentos de afirmações, com novas e clarissimas definições sobre o que eu gosto ou não gosto. Em Salvador, no meio do mais quente e maior carnaval da terra, cheguei à conclusão de que eu não gosto de gastar meu dinheiro (muuuuito dinheiro mesmo) pra ficar na rua, dentro de um cercado de corda, correndo atrás de um trio elétrico, com um monte de gente bêbada me empurrando CHEGA!! Que absurdo o que estes paulistas pagam/curtem!!Sou definitivamente uma pessoa de pequenos e doces prazeres: um pôr-do-sol à beira mar, uma refeição deliciosamente preparada, um vinho perfumado e fanico, e amigos queridos com almas leves ao meu lado tudo de bom!! (e não precisa de quase nenhum dinheiro, aaaaafff)Um brinde aos simples prazeres e às marchinhas de carnaval!!Bjo, Fla