Inegavelmente, o futebol é uma paixão nacional, no sentido mais amplo que a palavra paixão pode assumir para que seja coerente com o sentimento que o povo brasileiro, de um modo geral, tem pelo esporte mais difundido neste país.
Mas que sentimento é esse? Que sentimento é esse que quanto mais nos machuca mais nos envolve? Que relação de amor é essa que tudo dá e só espera em troca suor, garra e respeito? Que emoção é essa que não se explica, mas domina, fascina e, não raro, alucina? Eu sei, pois, quem é torcedor do Bahia sabe: é sina.
Nesse sentido, desde os tempos da saudosa Fonte Nova que há muito tempo não se via em Salvador um jogo de futebol tão diferente. Uma final de campeonato com ares de uma final nacional e com uma aura de energia que, transcendendo os limites das arquibancadas do “Pituaçu”, misturou por toda a cidade alegria, esperança, prazer, orgulho e ansiedade, como a anunciar que não se tratava apenas de um jogo de futebol, mas sim, de uma batalha. Uma batalha pelo fim de um calvário de tristeza e espera.
É Bahia, como escreveu Raduan Nassar, em sua obra Lavoura Arcaica: “Embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento”. Assim, o último domingo vai ficar marcado por um jogo de futebol e marcará a história de um clube que, acostumado a colecionar vitórias, além de ser rebaixado para a segunda e para a terceira divisão do campeonato brasileiro, teve que amargar 11 anos sem vibrar com o título do Campeonato Baiano, testemunhando a hegemonia do seu maior rival.
Mas, como nos ensina Caetano Veloso, o tempo é um “compositor de destinos” e, como tal, redistribui os papéis como se fosse um diretor de teatro e, nessa lógica, depois de anos de sofrimento, o sorriso voltou ao rosto dos torcedores tricolores e o último domingo, além do 13 de maio, do Dia das Mães, ganhou um novo significado, um novo simbolismo.
Ser torcedor é emocionante e fiquei muito feliz ao ver o capitão do meu “Esquadrão de Aço” erguer a taça, porque torcedor que é torcedor “sabe a dor e a delícia de ser o que é..”, e conhece bem a dor de não vencer.
Não há problema nenhum em ser um torcedor apaixonado pelo seu time, principalmente se este time é o Esporte Clube Bahia, mas não é sem sentido que Victor Andrade de Melo nos alerta que: “O futebol é sim malandragem, mas também eficiência; é sim alegria, superação, forma de contestação, mas também fuga, alienação; tem algo de benéfico e algo de perigoso. Não se trata, portanto, de considerar que o objeto em si tem uma “essencialidade”, mas sim de desvendar os usos que dele são feitos, um processo tenso, não linear, com caminhos de ida e volta”.
Cada jogo tem a sua história e sei que não dá para dormir sobre os louros conquistados, mas seja ou não o tal do tempo “inconsumível”, como na feliz metáfora criada por Raduan Nassar para descrever a nossa dura caminhada através dos anos, o certo é que relembrar algumas disputas futebolísticas nos causa uma estranha sensação, pois, se as partidas de futebol duram 90 minutos, os seus resultados podem durar para sempre e, daqui a décadas, tocados de nostalgia, tricolores e não tricolores ainda discutirão, uns com tristeza e outros com alegria, os lances que decidiram este BA X VI.
É isso, nação tricolor! Que bom que, finalmente, os deuses do futebol ouviram do povo o clamor e devolveram a vitória ao Bahia e, melhor que isso, devolveram o Bahia à vitória. Agora vamos de fôlego renovado para outras batalhas, outras conquistas nos aguardam, pois, o Tricolor voltou!
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Professor Melo, com todo o respeito, sacanagem o que o senhor fez (inconscientemente?) com o vice: “(…) os deuses do futebol ouviram do povo o clamor e devolveram a VITÓRIA ao Bahia e, melhor que isso, devolveram o Bahia à VITÓRIA (…)” ahuahahaha…
Concordo com tudo o que o senhor diz, mas destaco este trecho: “Não há problema nenhum em ser um torcedor apaixonado pelo seu time, principalmente se este time é o Esporte Clube Bahia”.
COM CERTEZA! BAHIAMINHAVIDABAHIAMEUAMORBAHIAMINHAP…