Esta semana o Facebook, rede social com maior índice atual de expansão, começou repleto de assuntos, porém um deles ganhou uma notoriedade massificada pela exibição da última edição do programa Fantástico, da Rede Globo.
Na ocasião, Xuxa Meneghel, a internacionalmente famosa apresentadora, participou do novo quadro do programa, onde, segundo os apresentadores, ela apresentaria sua vida como um livro aberto.
Entre polêmicas e emocionantes declarações que marcaram os eternos fãs, um comentário reverberou via Facebook, se alastrando como uma praga que logo poluiu a rede social.
Segundo os que compartilhavam do comentário, Xuxa seria na verdade uma ex-atriz pornô, e havia fotografias que provavam ainda que ela se relacionou com uma criança em um destes filmes – daí o irônico título de Rainha dos Baixinhos.
De certo que o programa Fantástico não pode ser enquadrado em um formato jornalístico. A revista eletrônica – como é apresentada – é um simulacro, portanto fruto de um hibridismo midiático – do que outros programas já fazem: travestindo fatos cotidianos como espetáculo regido pela tônica que dita que a vida é um show, dando assim ao discurso jornalístico um outro cunho.
A Rede Globo não deixa claro qual o compromisso do Fantástico com o pilar da verdade, nem mesmo e em profundidade os seus quadros possuem estes parâmetros jornalísticos. Dessa forma, o Fantástico exibe fatos transfigurados em conteúdo de audiência e credibilidade massiva.

Do espetáculo à ignorância
A população brasileira, sem acesso à informação e ao conhecimento, deriva de uma lamentável ausência de sensibilidade e senso crítico. Além disso, a chance de questionar o que a mídia apresenta é sempre algo que formiga os instintos do brasileiro – e as redes sociais potencializam isso ainda mais. Prova disto é o imenso número de compartilhamentos sobre a inverdade levantada sobre a apresentadora Xuxa.
A cena é na verdade extraída de um filme nacional – de ficção. “Amor estranho amor” (1982) tem a direção de Walter Hugo Khouri, estrelado por Marcelo Ribeiro, Vera Fischer e Xuxa Meneghel – sendo esse o primeiro filme dela. A cena é assim um retrato de um personagem fictício.
“Amor Estranho Amor” causou certa polêmica devido à participação de Xuxa no elenco, com 16 anos na época – vejam: antes de se tornar uma apresentadora de programas infantis. Sua personagem tem relações sexuais com um garoto de 12 anos de idade, interpretado pelo ator Marcelo Ribeiro – daí a sensação de “estranheza” que o filme busca provocar no espectador.
A reflexão retórica que fica: por que agora vamos fazer do passado de uma atriz, que fez o que fez com seu corpo – como tantas Panicats fazem hoje em busca de dinheiro e fama – enquanto tantas coisas mais importantes para nossa sociedade andam apodrecendo a TV brasileira?
Pensemos nisso cada vez que compartilharmos de uma informação nas redes sociais. Afinal, a sociedade é a esfera que consolida e absorve os preconceitos; a mídia trata de produzi-los e reproduzi-los.
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