Nunca me senti confortável fazendo matéria sobre violência sexual. Pessoalmente, tenho dificuldade em lidar com suspeitos de estupro, principalmente quando a vítima é uma criança. Lembro de uma vez, há pouco mais de cinco anos, em que entrevistei um pedreiro preso por estupro continuado à filha de onze anos. E não era estreante: durante anos, abusara sexualmente da menina mais velha que, ao atingir a adolescência, saiu de casa para escapar às sevícias.
Depois de ouvir o relato oficial da titular da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derca), fui até o suspeito. Como se nada soubesse do caso, lhe indaguei o porquê da prisão. Sem se abalar, ele me respondeu que tinha feito “umas coisas com a menina”. Tentando aparentar uma empatia que não sentia, insisti com um “que tipo de coisas?”. Ele não respondeu. Foi aí que arrisquei: “A delegada disse que o senhor abusou da sua filha, eu não acreditei e por isso queria saber se é verdade…”. Olhando diretamente pra mim, mas sem deixar transparecer qualquer emoção, o custodiado disse: “Eu só estava ensinando as coisas da vida a ela”. Gelei, enquanto ele completava que “é melhor ela aprender comigo do que com um estranho, não é?”.
Não respondi à pergunta, obviamente de caráter retórico. Optei por me concentrar nas suas respostas, enquanto sentia o estômago revirar. Acabei tomando conhecimento do histórico de vida dos personagens daquele drama, que tinha como pano de fundo a miséria quase absoluta. A família vivia em um barraco toscamente plantado numa favela às margens da Avenida Ogunjá, em Salvador, em condições francamente subumanas. Dos quatro filhos do casal, três moravam ali (eram duas meninas e um menino) e todos dormiam num mesmo cômodo junto com os pais, circunstância que, segundo alguns especialistas, facilita o abuso sexual intrafamiliar. E foi nesse cenário, com a muda cumplicidade da companheira, que o pedreiro estuprara as duas filhas mais velhas e poderia vir a seguir o mesmo script em relação à caçula, então com oito anos.
Saí da delegacia arrasada. Mesmo hoje, decorridos mais de cinco anos desse episódio, ainda me sinto tocada pela história. O que teria acontecido com a menina abusada? E a menorzinha, agora adolescente, teria também se tornado vítima do pai? E quanto a ele, será que, após enfrentar os horrores da cadeia na condição de estuprador, teria mantido a conduta criminosa?…
Corte para o presente.
Essas lembranças me ocorreram nos últimos dias a propósito do caso Mirella Cunha, a repórter que humilhou um preso suspeito de estupro dentro de uma delegacia. Não pretendo engrossar o coro de juízes da jornalista. Aprendi muito cedo que – com o perdão da expressão grosseira – não se deve chutar cachorro morto. Até porque, contrariando o senso comum, a cena, bizarra em si, não me causou nojo, revolta ou raiva, como à maioria dos internautas. Na verdade, o único sentimento que o vídeo me despertou foi pena. Da entrevistadora, do entrevistado e, sobretudo, do telespectador.
E por que pena? Porque trata-se de um caso explícito de ignorância em série. A jovem Mirella, usada como massa de manobra, não se percebe enquanto produto de consumo de uma engrenagem tão bruta quanto o sistema que ela retroalimenta. Paulo Sérgio, assaltante confesso, menino que nunca teve infância, faz parte da legião de pretos pobres da periferia (os chamados PPPs) que nascem, crescem e morrem ignorantes de seus direitos e deveres. Nessa cadeia de ignorância, o público figura como elo mais forte: se não houvesse público, para quem essas mocinhas bonitas de cabeça oca e seus partners truculentos iriam se exibir?
E o que minha entrevista com aquele estuprador confesso tem a ver com Mirella e Paulo Sérgio? É simples. O fato de aquele homem ter me deixado abalada demonstra que o repórter tem emoções e elas podem aflorar em meio a uma reportagem. Já chorei diante de corpos jovens abatidos na guerra do tráfico e perdi o sono após entrevistar meninas vítimas de exploração sexual. Não me envergonho disso. Antes de ser jornalista sou um ser humano com emoções e fraquezas. Mas, como diz o amigo Erival Miranda, ex-colega de Correio da Bahia e atual assessor de comunicação da SSP-BA, isso deve ser coisa de jornalista das antigas. Jornalista que, mesmo conhecendo a versão oficial sobre determinada prisão, faz questão de chegar até o preso para ouvi-lo. Sim, é obrigação do jornalista dar voz e vez a quem tem a palavra cerceada momentaneamente.
Afinal, quando o jornalista se contenta com o boletim de ocorrência e trata o preso como bandido, ignora o postulado constitucional da presunção da inocência. É também como se atirasse a primeira pedra num processo de linchamento moral.
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Sem querer polemizar (agora é tarde…), mas a repercussão deste caso só se deu por ter sido protagonizado por uma repórter bonita (antipática, mas bonita)!
Estou sendo sincero!
Há alguns anos este tipo de cena é divulgada todos os dias no horário do almoço, muita gente reclama, mas a audiência dos caras só aumenta.
Os criminosos menos abastados (Os de colarinho branco não passam por isso), são humilhados e execrados por repórteres sem a beleza da chatinha, e não tem esta repercussão toda.
Talvez este caso seja diferente pq a repórter é branca e tem o nariz empinado, isso pode ter acordado a “ética feroz” existente em cada jornalista que repudiou a maneira como a “patricinha” conduziu a matéria.
Foi a classe que teve todas as oportunidades humilhando a dos menos favorecidos;
Foi a “branca” chacoteando (já que não pode mais chicotear) o negro;
Foi a que estudou e sabe o que é um exame de próstata, sacaneando o que não sabe nem mesmo o que é uma próstata;
Pode ser usado qualquer argumento, mas por favor, não utilizem a ÉTICA!
Jornalismo na Bahia não tem ética, TEM PREÇO!
Sei que muitos jornalistas são vitimas do sistema, e não são eles que levam o dinheiro sujo (alguns levam), contudo, deveriam se envergonhar de ficar contra a colega neste momento, já que NENHUM DELES se voltou contra o sistema de mídia vendida da Bahia.
A vida é mesmo muito engraçada, na Bahia de todos nós, na cidade mais negra do Brasil, onde os negros são vilipendiados em vida, esta repórter pagou caro por fazer o mesmo que muitos negros fazem, na mesma profissão, no mesmo horário.
Ela não contou com o preconceito (o mesmo que ela carrega), mas ela é tão vitima quanto o entrevistado, a diferença é que ela passou de caçadora a caça, não se deu conta que só quem pode sacanear o negro no Brasil, são outros negros ou os nossos políticos, e ela não é nem uma coisa nem outra.
Ela não pagou por ser politicamente incorreta, pagou por ser branca!
É por tudo isso que você diz, Ivan, que eu sinto pena dela, do rapaz e de quem assiste ao programa. Um abraço!
A repórter já estava acostumada com o modo de entrevista, o entrevistado nunca dantes foi ouvido por alguém, pra ela era apenas uma entrevista com um “vagabundo”, pra ele? O Paulo nem sabe quem é ele, não conhece os direitos, nem deveres. Deve ter passado a vida toda sem ter nem onde dormir. Enquanto houver o apartheid social – esse tipo de tratamento vai suceder. Jaci, excelente texto viu
Laiane, querida, grata pela contribuição. O AQR tem sentido sua falta. Abraço.
“Sim, é obrigação do jornalista dar voz e vez a quem tem a palavra cerceada momentaneamente.”
É por essas e por outras tenho orgulho da jornalista que você é e de ser filha de quem sou. Parabéns pelo texto! Beeeeijos!
Jaci,
um orgulho ter trabalhado contigo no Correio da Bahia. Você desenrolou a discussão. Trouxe a conversa da mesmice dos direitos, da ética e da moral para o lado humano. E mais: não participou da execração pública da mocinha, que não passa de retransmissora das ideias de quem faz o programa.
Beijos,
Eduardo Rocha, ex-companheiro de trabalho e admirador do seu trabalho
Meu querido, EU SEI quem é Eduardo Rocha, meu querido Eduardo, dos textos maravilhosos, dos almoços no restaurante da Rede Bahia, da redação do Correio, do beijo carinhoso de filho… Eduardo que me deixava aperreada quando ficava sumido (o ‘fuso horário’ fazia com que nos desencontrássemos) o carinho da redação. Eu não vou saber quem é Eduardo Rocha? pelo amor de Deus, né? Continuo acompanhando seu trabalho à distância e tenho muito orgulho de ter feito parte de uma redação que tinha talentos como você. Grata pela amizade e carinho. Beijos. Ah, não deixe Bruno W. saber desta ‘rasgação’, senão ele morre de ciúmes rs rs rs (quer ser filho único a vida toda).
Como sempre, coerente, Jaci. Não entro no mérito do caso, mas do fortalecimento desses programas … Bjs
Emocionado com seu texto. Parabéns.
Belíssimo texto, Jaciara. Orgulho de ter sido seu aprendiz. Bjs
Jaciara, não posso deixar de fazer um comentário análitico do seu texto: muito diferente da situação relatada por você, que particularmente por ser mulher, não pode deixar de se envolver emocionalmente com o AUTOR CONFESSO de um crime bárbaro de abuso de um incapaz, no caso de Mirella, estava ela diante do AUTOR CONFESSO de um crime de ROUBO, a NEGAR a acusação por outro crime (o de estupro) que lhe era imputado. Portanto, não lhe era dado o direito de proceder daquela maneira, promovendo chacota da ignorância do detido e solapando o Código de Ética profissional a que prestou juramento, bem como, com suas próprias palavras, postulados constitucionais.
A sua reação foi digna de quem edifica o espírito a cada ato da profissão, a dela foi incontida e inconsequente. Preocupa-me que se possa estabelecer um elo (a meu ver, que você não desejou) entre as suas palavras e uma tentativa de contemporização do comportamento reprovável da repórter.
De resto, não concordo plenamente com o comentário acima de Ivan: acredito ser fato que as características físicas de Mirella somatizaram os efeitos do seu ato, mas também acho fato que ela se posicionou de uma forma pouco convencional, ainda que em se tratando desses programas de baixa qualidade a que estamos expostos diariamente. Resumindo, acho que ela não está sendo “bode-expiatório”, mas sim, “a gota-d’água”!
Olha, eu gostei do seu artigo. E se você tivesse dito que a jornalista era uma coitada por que aceitou o papel sensacionalista de julgar sumariamente o preso, eu tenderia a concordar com você. Mas não entendi por que você deixou isso apenas nas entrelinhas. Agora, por outro lado, eu não acho que isso justifique. Até jornalista tem que ter postura profissional. Não pode simplesmente julgar sumariamente, e por causa do boletim de ocorrência. E daí que o cara é suspeito e/ou está preso. Ninguém deve ser julgado e condenado por ser preto e pobre. Além do que ela também é responsável pela forma lamentável que tratou o entrevistado.
Falou, falou e disse pouca coisa. Não entendi se está justificando a merda que a repórter fez ou se está em cima do muro. Mirella não me parece ingênua, a ponto de ser “inocentada”. E outra coisa, Mirella, além de ridícula e antipática, não é bonita.
Olá, Carlos, grata por sua manifestação. Pena que eu tenha falado, falado e não tenha conseguido me fazer entender por você. Mas, acredite, longe de mim a intenção de justificar o ato da repórter. Um abraço.
Caro Vinicius, que bom que você gostou do artigo! Obrigada por se manifestar.
Leonardo, agradeço por sua manifestação. Que bom que você entendeu perfeitamente a minha mensagem: de modo algum procuro justificar o injustificável, só me permito não engrossar o coro dos que gritam contra a moça. Acho que ela já foi punida com a execração pública e com a perda do emprego. Esperemos que tenha aprendido a lição. Um abraço.
Leandro, meu querido, que bom “falar” com você! Deixe de modéstia: quando você foi meu repórter já era cobra criada aqui em Salvador. Pra mim é uma honra ter partilhado de uma equipe de trabalho (da boa e velha Tribuna) com você. Beijos.
Aê, Marcão, grata por partilhar seu sentimento com a gente. Obrigada pelo elogio. Beijos.
Oi, Bel, triste o rumo que o jornalismo vem tomando, hein? Onde é que foram parar aqueles sonhos e ideias que construímos na faculdade?…
Oi, Lu, emocionada com seu comentário. Sem comentários! rs rs rs beijos
Em relação a esta situação que envolveu esta repórter Mirella Cunha da rede Band, a qual podemos chamar de “tragédia anunciada”. Faço neste momento algumas merecidas considerações, tais como.
1. Este LIXO que é apresentado pela TV Aratu: Na Mira; TV Itapuã: Se Liga Bocão e Band Brasil Urgente, nos horários de almoço, nas televisões baianas todos os dias, só tem compromisso com a audiência.
2. Que se registre que, a bem da verdade, para tecermos uma determinada crítica faz-se necessário conhecermos do assunto, daí a necessidade de ao menos vermos estas porcarias, porém, para logo em seguida descartarmos.
O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros versa em seu Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista; Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista, e neste sentido reside uma pergunta: Como pode um repórter sem qualificação profissional sofrer qualquer sanção administrativa se com certeza desconhece as normas que preceitua a sua atividade?
As medidas politiqueiras que foram adotadas em 2008, acerca da atividade jornalística, tais como a do relator no STF o ministro Gilmar Mendes, há época, presidente do tribunal, o qual concedeu liminar autorizando profissionais que trabalham na área a se registrar sem possuir o diploma, abrem precedentes para “aventureiros”, diga-se de passagem, não são poucos, e tão pouco é só o caso isolado de Mirella Cunha da Band, que quando de posse de um microfone, faz sentir-se acima do bem e do mau, acima da verdade e da mentira, contudo, devemos lembrar que estes repórteres seguem este padrão sensacionalista, o qual deve ser seguido inexoravelmente por determinação da própria emissora a que servem, já que assim, acreditam, tem a audiência garantida.
Não nos esqueçamos da Responsabilidade Solidária a qual tem uma emissora de TV quando por vontade própria, sem perseguição, indução ou qualquer tipo de coação, entrega em mãos de uma pessoa, denominando-a repórter, as ferramentas necessárias (câmera e microfone), podendo ela, diante de tais ferramentas, enaltecer ou denegrir qualquer cidadão (a). Sabemos do direito de resposta, todavia, é sabido também por todos que a questão midiática jamais terá a mesma proporção.
A matéria-prima que alimenta e propicia esta “febre” que contaminou a sociedade baiana e por que não dizer a sociedade brasileira, é extraída, na grande maioria das vezes, de dentro de repartições públicas denominadas Delegacia de Polícia, onde necessariamente é administrada por um delegado de policia, o qual dentre outras atribuições tem o dever de cumprimento a Portaria da Polícia Civil da Bahia, de 27 de maio de 2008, assinada pelo então delegado-Chefe, Joselito Bispo, que diz em seu artigo 2º: “À autoridade policial e aos seus prepostos fica vedada, em conformidade com o direito à inviolabilidade e a presunção de inocência, previstos na Constituição Federal, expor a imagem de pessoa custodiada em unidade policial sem o seu consentimento por escrito, ou divulgar fatos que possam denegri-la ou expô-la a situação vexatória”. Esta Portaria vem sendo cumprida? O Ministério Público da Bahia (fiscal da Lei) fiscaliza alguma coisa?
Portanto, “pobre Mirela”, lembre que você não roubou nenhum microfone, e tão pouco invadiu nenhuma delegacia de Polícia para fazer a sua matéria, apenas e tão somente a sua ignorância em exercer uma função a qual com certeza você não está preparada, lhe fez ser protagonista desta façanha, a qual se encontra em evidência momentânea, aliás, como tudo neste nosso Brasil. Resultado? Apenas você será culpada, sacrificada e o “sistema continuará bruto”, desta feita só para você. Amanhã com certeza ocorrerá outro excremento e daí irá esquece-se de você e dos seus pobres momentos de fama.
A lição que podemos tirar de todo este episódio é fazermos um paralelo: Do mesmo jeito que não podemos dar uma arma de fogo a um cidadão comum e dar-lhe o poder de polícia instantâneo, também não se pode dar um microfone a alguém despreparado e desqualificado. A sensação dos telespectadores é de indignação, pois não sabemos se temos raiva de sua postura ou pena pela sua ignorância. Se a sua intenção e da emissora Band, era fazer os telespectadores rirem, apesar de a matéria ter sido editada, com certeza o objetivo não foi alcançado.
A fragilidade demonstrada do indivíduo preso, que você entrevistou, o qual é visivelmente ignorante e pobre de conhecimentos, ficou apagada diante do ridículo ao qual você própria se expôs. Não é inteligente rir da ausência de conhecimento alheia.
Só espero, alvissareiramente, que estas situações possam assim com a devida apuração e observação das autoridades, produzir um fim, pois com certeza uma grande parte da sociedade já não suporta mais estas excrescências apresentadas na televisão, sem nenhum tipo de sanção, tanto para emissora, tanto para as pessoas que “produzem” a matéria-prima para a ocorrência do fato.
Jaciara, o mundo tá explodindo e vocês preocupados com ética profissional jornalística? Estou aqui porque minha namorada mandou ler seu artigo de lá do facebook quanto a postagem do youtube. E mantenho o mesmo pensamento:
” É esse tipo ai que se esbarra com vcs no meio da rua chama de Puta, bate, rouba, estrupa e depois tem a cobertura dos direitos humanos? Cadê os direitos humanos quando as vitimas estão mortas ou cheias de sequelas físicas e psicológicas por conta da violência deles? Cadê os direitos humanos na assistência as famílias dessas vítimas? Cadê os direitos humanos quando um filho nosso, amigo ou parente é morto, voltando do trabalho ou da faculdade por não ter R$ 5,00 reais no bolso pra sustentar o vício deles? Eles fazem as próprias escolhas e sabem no que vai dar (“eu vou tomar minha cadeia consciente” – então que se foda. É melhor ver eles chorarem do que uma de vcs, um parente, nossos filhos chorarem por conta deles”
E no final das contas, observem que a única coisa que ele realmente esta preocupado é LITERALMENTE com próprio cú. E a VÍTIMA dele?
É muito evidente que a especulação e banalização da miséria é reprovável e indigna, mas, quem disse que a HUMILHAÇÃO fundamentada pelos nossos próprios erros não é capaz de curar? CADA UM RECEBE AQUILO QUE PODE PERCEBER. É dessa forma que ele poderá saber onde errou: COM A EMINÊNCIA DA PERDA DO PRÓPRIO CÚ!
Não existe uma didática construtivista para esses elementos brutalizados. Eles riem de todos vocês pensadores e intelectuais. Por que você acha que isso não acontece com frequência na CHINA, por exemplo? Um país com mais de 5 mil anos de cultura na nossa frente? Porque lá, existe ATITUDE e PROFUNDO conhecimento da natureza humana! Pouca conversa e ATITUDE PONTUAL E CONTUNDENTE para esse tipo de comportamento; disciplina; não existe impunidade. Essa é a lei! Funciona? Veja o que a CHINA é hoje! Eles irão devorar o mundo todo, caso ninguém tome providências!
APRENDEMOS DISCIPLINA E ATITUDE CONTUNDENTE com os chineses e, o BRASIL, se tornará o paraíso na Terra. É um fato!
Jaciara, compreendo sua preocupação em quanto profissional, mas o câncer social já está instaurado, não vai ser sua ética jornalística que impedirá esses tipos de ocorrências deixem de existir. Expô-los a vergonha e sem pudor na mídia é um preço muito razoável, para áqueles que de uma maneira ou de outra sentem a VERGONHA OCULTA dentro delas mesma e silenciosamente.
Jaciara, sou repórter do jornal MASSA!, e finalmente encontro alguém que faz um comentário justo, sem o calor da emoção de muitos jornalistas que se acham os paladinos da justiça e dos bons costumes.
Obrigado pela sua análise. É um comentário de quem entende do assunto, quem viveu esses bastidores da cobertura policial e sabe das dificuldades do repórter.
Julgar apenas Mirela é olhar o caso de cima para baixo, sem querer se aprofundar na questão, e apenas arrotar conhecimento e expor as vaidades típicas de nós jornalistas.
Mirela faz parte de uma engrenagem. Como ela não é muito preparada, foi vítima da própria falta de estudo, falta de leitura e falta de sensibilidade.
Mas, não é a única. Tem gente fazendo coisa muito pior, ficando satisfeito apenas com o boletim de ocorrência. A melhor coisa que você falou foi a questão da sensibilidade.
Na minha opinião, essa também é a falha mais grave da jornalista. Muitos ficam embrutecidos, se acham policiais, e não percebem que um preso também tem história para contar.
Tenha certeza que ouvir histórias das pessoas, principalmente as mais pobres, não é coisa exclusiva dos jornalistas das antigas. Tenho 27 anos, e isso é obrigação lá no Massa!, onde trabalho, e no Grupo A Tarde, do qual tb faço parte.
Lógico, sempre vão existir repórteres que não cumprem isso. E isso vai acontecer em todas as épocas. Porque a tal da preguiça é uma doença incurável, que existe desde que o mundo é mundo. rsrsrsr
Como você falou, é mais fácil tomar partido apenas da polícia, com o boletim de ocorrência nas mãos, do que muitas vezes ter de sujar o sapato na lama para encontrar a família de um preto, pobre, nas favelas mais desgraçadas que existem na cidade. Dá trabalho fazer isso. Mas, fazendo isso, sempre encontramos excelentes histórias para contar, que contrariam e muito a primeira versão do fato.
Tenha certeza que também choro e sofro muito com dificuldades para dormir após apurar determinados casos do nosso dia a dia.
Lembro um caso recente: um pai que perdeu o filho de 2 anos, que morreu afogado numa piscina, numa casa em Jauá, durante o almoço da Sexta-Feira Santa. A família alugou a casa para passar o feriado. Na hora do rango, ninguem lembrou do menino, que caiu na piscina. Tinha combinado de jantar com minha noiva, à noite, mas nesse dia nem conseguia olhar na cara dela, minha mente só lembrava da dor eterna do pai e do desespero do garoto. Teve outros, como as meninas decapitadas da Nova Divineia. Toda vez que ia entrevistar o pai de uma delas meu estomago embrulhava só de imaginar como se sente um pai ao ver o corpo da filha sem cabeça no IML.
Somos humanos, e isso tem de ser levado em conta na hora da apuração, para respeitar a dor e a história dos outros, mesmo que seja um acusado.
Porém, como você falou, faltou sensibilidade à repórter Mirela. Esse erro é grave. Ter sensibilidade não é ensinado em nenhum lugar. Muitos jornalistas que estão crucificando ela talvez tb não tenham essa sensibilidade.
É isso. Fortes abraços e parabéns pelo comentário justo.
Porém, como você falou,
Jaciara Santos, parabéns pelo seu texto/depoimento. Você continua 10!
Diante de tantos comunicadores, creio que minhas palavras não sejam tão eloquentes e ricas, mas deixo minha opinião sobre o comentário de Leonardo Burgos.
A jornalista loira, agora crucificada pela sociedade, foi inconsequente e antiética. O posicionamento da Band é ridículo, pois o programa de grande audiência continua sendo exibido, com o mesmo teor e formato! Todos os profissionais envolvidos neste programa são tão antiéticos quanto a mocinha. Mas qual a ética da sociedade hipócrita baiana? Qual seria o comportamento e pré-julgamento se o acusado reú-confesso tivesse o esteriótipo de Gianecchini? Claro que a ocasião circunstancial favorece o julgamento que caracteriza o branco chacoteando o preto. E não é assim no dia-a-dia? Penso que diante da situação, a jornalista faltou com profissionalismo sim e reforçou a postura leviana que permeia em todos os seios de nossa sociedade, pasmem: baiana, que tem a maior concentração de pretos ou negros assumidos do país. A ignorância do réu foi usada para aumentar a audiência do programa e todos eles usam esta mesma estratégia. O circo de horrores fundamentado na ignorância, no humor escrachante e pejorativo são características fundamentais a esses programas que preenchem um horário sagrado da família, invadem o almoço das pessoas mostrando o que há de pior, aliciam as crianças com a graça ininteligível e que, fatidicamente, mostrou o lamentável episódio comentado acima.
Minha revolta não é com algo que desprezo, mas sim com o uso do desprezível, pelo menos por mim, para servir de informação e formação de uma sociedade.
Jaciara, parabéns pelo texto e pelo posicionamento ético-profissional. Os complementos e discordâncias fazem parte do diálogo proposto, senão os comentários estariam indisponíveis.
Prezada, recomendo a retirada do nome do menor da matéria. Pela previsão do Estatuto da Criança e do Adolescente, não é permitida a divulgação de nome de menores supostamente autores de atos infracionais, sob pena de responsabilização. Tirando isso, parabéns pelo artigo.
Cf. art. 143, parágrafo único do ECA: “Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome”.
Caro Anônimo, agradeço a preocupação, mas informo que o rapaz é maior de 18 anos. Tanto que encontra-se preso em delegacia comum e não apreendido em unidade especializada. Um abraço.Grata.
Caro Ricardo, é na diversidade de opiniões que reside a beleza da liberdade de expressão e opinião (que não deve ser confundida com libertinagem e abuso de autoridade). Grata por sua manifestação. Forte abraço.
Jaciara, que a Mirella é usada como massa de manobra isso é fato, mas ela própria permite esta condição e abusa…. Acredito que este episódio sirva de subsídios para a discussão e tomadas de decisões em relação a este tipo de mercadoria que o “jornalismo” está vendendo. Quanto a sua emoção é completamente diferente da exibida pela Mirella, pois ela agiu irresponsavelmente e sem limite, sem o intuito apenas de passar a informação.
Já vc, Jaciara, é uma profissional sensível e comprometida com seu trabalho, além de escrever maravilhosamente!
bjs
Olá, grande Grace Gomes! Obrigada por passar por aqui. Um beijão!
Vixe, Eça, fiquei sem fôlego e sinceramente emocionada com seu comentário. Quero me desculpar por ter deixado transparecer que, na minha opinião, somente os “jornalistas das antigas” (expressão cunhada pelo colega Erival Guimarães) têm a preocupação com o chamado outro lado da notícia. Tenho muitos amigos da nova geração de jornalistas e acompanho o trabalho de tantos outros (como você) que demonstram, através de seus textos, grande senso de responsabilidade e levam a sério a ética profissional. Grata pela manifestação e um abraço carinhoso.
Olá, Silvia, que bom te ver por aqui! Esperemos que a moça tenha aprendido a lição, né? Nada como a experiência para nos ensinar lições duradouras. Grata pelo elogio. Beijos.
Fico feliz ao ver o “pico” de visitas nesta matéria (mais de 1800 até às 13:40 h do dia 25/05/2012), são números impressionantes, e isto certamente se deve ao amplo e democrático diálogo que este importante fórum proporciona. Não consigo imaginar hoje em dia, eu acordar sem ler o À Queima Roupa, já me considero parte dele, pois sempre acesso existe postadas matérias inteligentes e bem elaboradas como esta, todavia é de suma importância salientar que partindo de quem a elaborou, certamente é pleonasmo dizer que só poderia ser um belo e excelente texto.Parabéns e assumo que já me considero seu fã.
Oi, Anoni, e eu fico feliz em tê-lo como um fiel leitor e amigo, ressalvada a circunstância de não nos conhecermos pessoalmente. Muitíssimo grata pela confiança. Um forte e fraternal abraço.
Cara Jaciara,
Perdoe a rima, mas você merece flores e versos. Não surpreendes, confirmas.
Suas ideias sábias, escritas de uma forma irretocável, brotadas de um coração sensível e valente, dispensam comentários. Todos eles serão pífios diante dos argumentos sinceros e emocionados de alguém que extrapola, porque veio pronta e acabada do infinito.
Esta matéria – a violência sexual – abala estruturas de quaisquer profissionais – da administração da Justiça, de analistas do comportamento humano, da mídia – que por obrigação, ou, seja lá por qual motivo se vejam obrigados a estar frente a frente com vitimas e algozes destes infortúnios, restando saber de que lado estão ambos, consoante bem o dissestes.
Apenas registro haver conhecido o texto que cuido de aplaudir.
Abraços,
valdir barbosa
Doutor Valdir,
seu comentário me deixou bastante emocionada (e, por que não dizer, envaidecida também). Agradeço sinceramente.
abraço, a amiga
A sempre sensata Jaciara. Uma posição diferenciada de tudo que li e ouvi nesses últimos dias. Sou sua fã.
Bjs
Afinal de contas, ela é repórter, ou psicóloga, psicoterapeuta, psicopedagoga?
Ela não tem que “entender” a mente do criminoso, tem apenas que reportar os fatos…
Repórter , reporta, simples assim…
oláááá… minha (ex) vizinha sumida. Brigadoooo beijos
Parabéns minha cara Jaciara! seu artigo é mais uma contribuição que ilumina a liberdade de expressão. A jornalista que conhecí em 2002 e 2008, em minhas passagens meteóricas na área de Comunicação Social, continua com suas abordagens pedagógicas com foco na construção da cidadania.
Quanto ao tema merece reflexão o que disseram em seus pertinentes e lúcidos comentários os senhores IVAN LEITE e ANONIMATO aos quais parabeniso também.
Tudo isso faz me lembrar dois construtivos artigos do Professor CARLOS ALBERTO DI FRANCO, ” MÍDIA E VIOLÊNCIA ” e VIOLÊNCIA VERSUS AGENDA POSITIVA “, publicados, respectivamente em A TARDE de 12 de março de 2007 e 16 de novembro de 2009. Um bom receituário para as elites donas da mídia e os talentosos operadores da notícia.
A reflexão, o diálogo como este que você incentiva em suas abordagens, com certeza, será um antídoto à desenfreada ” Marcha da Insensatez “.
Mil vezes parabéns!
André S. Santos Ten Cel RRPMBA
Cara Jaciara,
Muito bom o seu texto, por este motivo e por existirem JORNALISTAS como você que ainda podemos dizer: nem tudo está perdido.
Parabéns mais uma vez e fique com Deus.
Ildevan
Caro Ildevan, agradeço pelas palavras elogiosas e pelo carinho. Fique também com Deus. Abraço fraterno.
Caro TC André, há quanto tempo, hein? Muitíssimo grata pelo comentário elogioso, mas, sem falsa modéstia, acho que estou fazendo apenas o meu papel. Um forte e saudoso abraço.
Gostei, Leonardo. É isso aí: “repórter, reporta, simples assim…” (mas, na prática, querido, não é tão simples assim não). Um abraço.
Minha cara amiga
Parabéns!
Da mesma forma que você, não cerrei fileira entre os julgadores de plantão, pois, também, o único sentimento que o vídeo me despertou foi pena. Da entrevistadora, do entrevistado e, sobretudo, de nós, telespectadores, pois, as emissoras, com intenções puramente comerciais, exploram aquilo que gera lucros, o que efetivamente dá audiência. A notícia é veiculada como mercadoria e o melhor profissional é o que melhor vende a mercadoria que, por sua vez, deve atender as expectativas do consumidor.
Vamos caminhando, pois, honra-me ter como amiga uma profissional que sempre soube fazer o que demanda a profissão, sem perder a ternura jamais.
Professor Jorge, grata pelo comentário. Fico feliz por saber que partilhamos da mesma posição quanto à não execração da moça. A opinião pública já a julgou e condenou. Agradeço também pelas palavras elogiosas e por sua amizade. Um ab raço.
Oi, Jaci! Minha “ídala” de sempre, minha referência….meu orgulho. Só agora pude ler, porque estava sem internet. Mas, como sempre, vc disse tudo. Essa repórter errou feio, se vendeu a um esquema vergonhoso e vestiu a camisa desse modelo de programa, que infelizmente infestou a TV brasileira. Mas é lógico que ela não é a única, apenas uma a mais nessa sacanagem toda. Mais do que a perda de um emprego, espero que esse episódio lamentável e deprimente tenha servido pelo menos pra mostrar que o caminho não é esse e provocar o debate. Aliás, como o AQR está fazendo aqui tão bem.
Oxe, Lôra, achei que você dizer “jaci minha p…” rs rs rs (mas não, a sua, a nossa p… é o Bahêa que voltou a nos machucar, a fazer a gente morrer de raiva para alegria do vice). Valeu, comadre. Um cheiro!
Sensacionalismo em debate
Encontro na Associação Baiana de Imprensa discutirá a violação dos direitos humanos pela mídia
Para discutir o real sentido da liberdade de imprensa frente aos excessos cometidos por certos veículos de comunicação, profissionais e entidades de defesa dos direitos humanos realizam nesta quarta-feira, dia 30 de maio, às 9h, o debate “Liberdade de imprensa, sim. Violação de Direitos Humanos, não”. A atividade será realizada na sede da Associação Baiana de Imprensa, na Rua Guedes de Brito, n. 01, Edf. Ranulfo Oliveira, Praça da Sé – Centro.
Entre as entidades aguardadas para o debate estão: o Ministério Público; a Defensoria do Estado; a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos; a Ordem dos Advogados da Bahia; a Secretaria de Segurança Pública; o Sindicato das Emissoras de TV da Bahia e organizações do movimento social, como o Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Radialistas, Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra e Conselho Estadual de Comunicação, entre outras.
A Bahia tem sido pioneira no debate sobre as violações aos direitos humanos na mídia, com grupos de pesquisa e a criação de entidades de luta, como a Frente Estadual Pela Democratização da Comunicação. O Estado foi o primeiro no país a efetivar o funcionamento de um Conselho Estadual de Comunicação, reunindo a sociedade civil, representantes do governo e de empresários do setor.
#SensacionalismoForadoAr – Recentemente, uma mobilização ganhou as redes sociais, recebendo a adesão de jornalistas e entidades nacionais: o caso Mirella Cunha. Em uma matéria para o Programa Bahia Urgente, da Band Bahia, a repórter comete inúmeros atentados aos direitos de um jovem preso, acusado de roubo e estupro. Em sua abordagem ao suposto criminoso, Mirella Cunha revela preconceitos, julgamento prévia, incitação à violência e deboche diante de um fato grave.
A reportagem exemplifica os excessos que tem sido cometido diariamente na mídia baiana, em especial, no telejornalismo. O objetivo do debate é chamar a atenção da sociedade e de órgãos públicos para a necessidade de medidas que interrompam essas práticas, garantindo que o exercício responsável da comunicação e o direito constitucional à liberdade de imprensa não seja associado à violação aos direitos humanos.
Prezada Jaciara, parabéns por trazer a questão ao debate, as pessoas estão perdendo a razão, a ética, o respeito a dignidade humana, mesmo que o outro não seja considerado um ser humano (pois se tornou um monstro).
No mundo em que hoje vivemos podemos esperar de tudo, imprensa que haje sem ética, que se vende a governos e que faz de tudo que for preciso para conquistar audiência e aumento nas suas receitas. Essa é a imprensa atual, claro, com excessões, pois ainda existem excelentes profissionais que se valorizam e que dignificam a profissão.
É preciso mudar este panorama nada positivo, acabando de vez com estes programas que expõem as pessoas ao ridículo, condenando-as antes mesmo que a justiça julgue e as condenem.
Sobre a repórter o que tenho a dizer é que também é vítima desse sistema cruel atual implantado na imprensa brasileira e porque não dizer na imprensa mudial, que não se preocupa apenas em trazer a notícia ao público, informando-o e sim conquistar o mercado para cada vez mais alferir lucros, mesmo que ofendendo e condenando pessoas.
Ela acreditou no que estava fazendo, ninguém da emissora a freiou no momento certo, ou seja, queriam aquele tipo mesmo de matéria e agora de forma tão simples demitem ela para que sejam afastados do problema e deixem tudo nas costas dela, assim fica fácil né.
Espero que a justiça aplique uma pena exemplar a emissora (essa e a tantas outras) e puna também a repórter, se possível com algo que a reoriente ao seu verdadeiro papel como profissional de imprensa, pois é jovem, inteligente e poderá ter um novo caminho a trilhar. Quem de nós não errou um dia, tem pessoas que só precisam de uma boa orientação e de uma nova oportunidade para brilhar. A vida nos ensina muito e com certeza ela levará muitos ensinamentos após este fato, pena que tenha sido desta forma.