Fim da miséria

Infinito Cotidiano


A presidente Dilma Rousseff tem seguido à risca o receituário do ex-presidente Lula

A presidente Dilma Rousseff tem seguido à risca o receituário do ex-presidente Lula

Ao pautar um assunto para este artigo optei por não escrever a respeito da saída do jogador Ronaldinho Gaúcho do Flamengo, nem tampouco do comportamento antiético, para dizer o mínimo, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que garante ter sido chantageado pelo ex-presidente Lula, durante um encontro no escritório do ex-ministro Nelson Jobim. Uma denúncia grave, gravíssima, já desmentida por Lula e também por Jobim. Ao longo das últimas semanas, a imprensa tem dado um destaque todo especial a ambos os fatos, que são lamentáveis, tristes. Derivam, entre outras coisas, do comportamento anti-profissional e desrespeitoso do jogador e do ministro. Ainda temos a CPI do Carlinhos Cachoeira e do Demóstenes, além do assassinato e o esquartejamento do empresário em São Paulo. É muita coisa negativa junto, não é não?

Como não vendi minha alma para o patrão, como muitos colunistas da grande imprensa, jamais fui subserviente ou bajulador de chefe, tenho liberdade para escrever sobre qualquer assunto. Não sou filiado a nenhum partido político, nem nunca recebi nenhum favor ou dinheiro de bicheiro. Dito isso, quero falar de fatos positivos, que melhoram a vida das pessoas, fortalecem a fé daqueles que acreditam num país mais ético e menos preconceituoso.

É o caso, por exemplo, do Plano Brasil Sem Miséria, que este mês completa uma ano. Lançado em 2 de junho de 2011, visa superar a extrema pobreza até o final de 2014. De acordo com dados do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, de junho do ano passado a março de 2012, 687 mil novas famílias extremamente pobres foram incluídas no Cadastro Único e já estão recebendo o Bolsa Família, superando a meta de 640 mil famílias previstas para 2012.

Em maio último, foi acrescentado ao Plano Brasil Sem Miséria, o Brasil Carinhoso, que tem como objetivo tirar  da extrema pobreza famílias com crianças de 0 a 6 anos e renda per capita inferior a R$70,00, o que elevará, em alguns casos, o tipo de benefício atualmente pago pelo Bolsa Família. No Nordeste, 73,5% das crianças pobres de 0 a 6 anos superaram a miséria. No Brasil 62%.

O empenho do governo federal, primeiro com Lula, e agora com a Dilma, tem priorizado o investimento social, fato que já modificou a estrutura do país, tanto no campo quanto na área urbana. O apoio governamental aos mais necessitados não se restringe apenas ao repasse de dinheiro, mas também a ações práticas, tais como: apoio para construção de cisternas (já foram entregues 111 mil cisternas); oferta de assistência técnica e extensão rural (Ater); distribuição de sementes e o fomento, recursos para aquisições de insumos necessários à produção. E, com a criação do Bolsa Verde, mais de 1 milhão de atendimentos foram realizados, beneficiando 263 mil famílias em extrema pobreza, que vivem no campo.

Na área urbana, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) proporciona qualificação profissional por meio de diversos cursos, o que facilita o acesso ao mercado  de trabalho.

Durante o Seminário Nacional Pactuação Federativa no Brasil sem Miséria, realizado no último dia 5 no Rio de Janeiro, o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência  da República, Ricardo Paes de Barros, disse que há três caminhos para a superação da extrema pobreza: transferência de renda, inclusão produtiva e ações para a primeira infância. “Queremos superar a extrema pobreza já e não para a próxima geração”, disse o secretário.

Um país, para ser democrático e justo, tem que investir naquilo que possui de mais importante, ou seja, o seu povo. Um bom governante tem a obrigação de governar para todos, principalmente para as camadas mais necessitadas. Sem politicagem, sem hipocrisia, sem preconceitos. Infelizmente ainda possuímos um ranço que condiciona todo investimento social como política populista. Um rótulo obsoleto e profundamente preconceituoso.

O Brasil possui todas as condições para não continuar perpetuando a miséria, o trabalho escravo, o trabalho infantil, o desemprego e o preconceito de classes.

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Sobre Paulo Cezar Soares

Paulo Cezar Soares (paulo@aqueimaroupa.com.br) é jornalista profissional e teólogo. Trabalhou na Tribuna da Imprensa, Jornal dos Sports, O Dia, Tribuna da Bahia, entre outros veículos de comunicação de massa, como por exemplo, o rádio, e diversas revistas. Admirador da reportagem policial é um estudioso das questões que envolvem a violência urbana. Já há alguns anos, trabalha como colaborador para duas revistas.