Em termos de inconsciente coletivo, nenhum agente estatal encarna a função educativa arquetípica como o policial, pois, deste se espera sempre procedimentos e atitudes que, com a “firmeza moralmente reta” dos “mocinhos”, se oponha radicalmente aos desvios perversos do outro arquétipo que se lhe contrapõe: o bandido.
Nessa lógica, era de se esperar que ao olhar para um e para o outro, a sociedade percebesse claramente as diferenças, os limites e as possibilidades do seu agir, todavia, depois do sucesso retumbante dos filmes Tropa de Elite 1 e 2, um recente relatório de pesquisa divulgado pelo Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP) denuncia a “confusão arquetípica” reinante em nossa sociedade e que se expande para além da nossa humana psique.
Talvez por não concordar com o mito do brasileiro como homem cordial e pacífico, descrito por Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil” (1936), não tomei como surpresa as conclusões da pesquisa do NEV/USP retratando a discordância de grande parte da população brasileira da ideia de que o uso da força, pelos agentes do Estado, seja a exceção.
A força é necessária e sem ela o Estado estaria em desvantagem perante as hordas criminosas, mas, embora seja a possibilidade do seu uso, efetivo ou potencial, no processo de produção da ordem pública que, em última análise, constitui a essência do papel da polícia na sociedade, não podemos aceitar que a apologia da força, falaciosamente sustentada como estereótipo de eficiência, seja o cerne dessa grande “confusão arquetípica” que nos faz ver como heróis, policiais que torturam e matam, em prol da paz social, a exemplo do nosso famoso e conhecido “Capitão Nascimento”.
O que se revela preocupante nessa cultura da violência é a incorreta compreensão dessa prerrogativa que materializa o exercício, pelo Estado, do monopólio da violência legítima e, embora o grau dessa incompreensão apresente variações, conforme a partitura e o maestro e as coordenadas espaço temporais, inegavelmente, a sua gênese tem raízes culturais, retratadas na fragilidade dos controles institucionais externos e internos da atividade policial e no respaldo popular em relação à forma como o aparelho policial opera e atua, afastando-se dos limites legais e, não raro, reduzindo o gradiente de uso da força à sua forma mais letal: a arma de fogo.
Nesse sentido, parodiando as palavras do ministro Rider Nogueira de Brito, ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, quando afirmava serem os juízes usurpadores do poder divino de julgar os homens, ouso dizer que esse poder se exacerba nas mãos dos policiais, pois, além de poder julgar, também, podem sentenciar outros seres humanos à pena de morte.
Corroborando os porquês da reação positiva do público à duologia “Tropa de Elite”, a pesquisa apenas reafirma a nossa crença de que se a Polícia fizer o uso da força de forma premeditada e exacerbada, conseguirá a manutenção da ordem pública e inibirá o cometimento de ilícitos e, nessa lógica, questiono as origens dessa “confusão arquetípica”, pois, como nos ensina Walter Benjamin: “O poder divino pode aparecer tanto na guerra verdadeira quanto no juízo divino da multidão sobre o criminoso”.
Concordo plenamente com Everton Monteiro que, em sua lúcida análise sobre os estudos do NEV/USP, vê a violência policial como um grave problema a ser solucionado, pois a violência praticada por agentes do Estado, detentores do monopólio legítimo do uso da força, sempre representa uma ameaça às estruturas democráticas necessárias ao Estado de Direito
Sendo assim, à guisa de conclusão, proponho a seguinte indagação: será que os agentes da violência estatal são algozes ou vítimas de uma violência mais ampla, sutil e poderosa que os estigmatiza como “mocinhos”, mas que não hesita em exaltá-los como “bandidos”, quando estes a ameaçam em busca de melhorias salariais?
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Uma pesquisa científica realizada pelo professor da PUC-RJ, João Manoel Pinho de Mello, indica que o bolsa família representou 21% na queda da violência no estado de São Paulo. Esse cientista é: Mocinho ou Bandido? Por que essa mesma violência não diminuiu em Simões Filho, que tem um bom índice de famílias que recebem esse tipo de programa social?
Estão querendo tirar o mérito da secretaria de segurança Pública do estado de São Paulo. O mapa da violência no Brasil, prova que o número de homicídios no País diminuiu naquele estado. Wagner recebeu a Bahia ruim a vai entregá-la pior.
Quem cria as especializadas, também cria métodos de violência contra os meliantes. Não se pode criar panaceias pacificadoras e especializadas ao mesmo tempo. o sistema de segurança pública baiano é um morto insepulto, ou a Bahia mira-se no exemplo do sistema paulista, ou o mapa da violência do estado vai subir mais ainda.
Toda vez que um comandante de alguma companhia ou delegado concede uma entrevista, chega com o texto pronto e acabado. Tipo: esse é um câncer nacional, a família perdeu a autoridade, as escolas não educam. esse é um fenômeno social.
Chega de blá, blá, blá… Mocinhos? deve ser o Maurício Telles ou o patrão dele. Bandidos? Deve ser o cidadão, ou os funcionários que cobram pelo fim das injustiças. Jorge de Mello e Jaci – Boas Festas Juninas. Cuidado com a queima de fogos. Que não é o À Queima Roupa.
Feliz São João Laiane
Quanto ao brincar com fogo…rsssssssssss…quem sabe a segurança pública renasce tal qual a Fênix?
Muito bom o texto do Coronel Melo,
A violência tomou conta do nosso país e a Bahia é com certeza um dos destaques entre os estados brasileiros quando o assunto é o aumento da violência. Não teria como ser diferente pois os investimentos na area são muito pequenos e o pior feitos de forma errada, no meu ponto de vista.
As policias estão sucateadas, sem condições de trabalho para seus profissionais e o pior inchou com a entrada de muitos novos policiais que infelizmente tiveram a pior formação possível por falta de estrutura para tal.
Em recente viagem ao exterior tive a oportunidade de conhecer outras policias e vi que o principal investimento deles é na formação do policial, depois nas condições de trabalho e o principal fortalecedor do trabalho policial é a Lei, rígida com o infrator.
Não vi em nenhum pais que visitei qualquer cidadão tentar destratar um policial e o que se exaltou um pouco de imediato foi detido e conduzido.
Fechar uma via pública, só na Bahia mesmo pois em qualquer outro país a polícia cumpre o que está previsto na lei, ou seja, direito de ir vir livre para todo o cidadão.
A impunidade deste país tornou o bandido mais violento e acredito que por conta disso a polícia foi obrigada a ser mais repressiva (violenta no entendimento de alguns) ou mais dura no combate a violência.
Não imagino como pode um policial combater um bandido fortemente armado utilizando-se de armamento não letal, é meio fora da realidade acho eu.
Na minha humilde opinião ou se muda a lei neste país ou chegaremos novamente ao tempo do faroeste.
Acredito na importância da Polícia e a acho que é preciso investir muito nela, na formação, nas condições de trabalho, no controle de atos infracionais, melhoria salarial dentre outros.
Putz! Só li o texto ontem, devido ao trampo nas festas juninas…
Mas como não poderia deixar de ser, concordo e parabenizo o professor por mais essa lúcida explanação. Surpreso e até orgulhos com a citação de minha persona num texto tão bão!
Valeu meu chefe! E parabéns!
Tudo anda mal, desde o começo… da Educação até a formação do policial…
Ensina-se mal nos Cursos de formação, algumas Escolas de formação, prioriza o traquejo gratuito, deixa o aluno horas em pé, no sol a pino, pagam flexões de braço à toa, para satisfazer o ego do superior à frente. E depois querem que o PM saia de lá com formação comunitária… Ah! me poupe, nem todos tem maturidade para saber separar as coisas e não querer descontar o que sofreu nos outros, e o que vemos é isso, os piores policiais, não raro, saem dos GR´s que priorizaram o traquejo em detrimento da instrução.
Alguém vai pagar esta conta da má formação, e infelizmente, é o pobre da periferia, pois nenhum mau policial vai chegar em bairro nobre distribuindo tabefes.