Há coincidências na vida bem curiosas… Hoje de manhã, fazendo uma limpeza na minha caixa de e-mails, encontrei uma mensagem cujo Subject era: “Obrigatório Ler…”. Lá dentro, um texto intitulado: “CARTA A UMA SENHORA QUE DESCANSA EM INEMA”
No texto, em verdade uma missiva estilizada, citando uma pesquisa em que a Fundação Getúlio Vargas chegou à conclusão de que, no Brasil, um professor ganha sempre 40% a menos que qualquer outro profissional com o mesmo nível de graduação, o seu autor encarecia à nossa Presidenta, de maneira poética, mais zelo com a educação e com os professores.
Confesso que me chamou a atenção na missiva, particularmente, uma frase dirigida à Presidenta, em tom de apelo, exortando-a a lembrar-se do grande mestre Anísio Teixeira quando nos dizia que: “O ensino público de qualidade é a única máquina de fazer democracia”. Afinal, para o missivista, com professores ganhando dignamente, essa máquina poderia até voar.
Diante da indecente situação denunciada pelo autor da carta à Presidenta, com relação à situação às condições de trabalho desses profissionais que são o ponto de partida de todos os demais profissionais, com seus salários quase sempre reduzidos à metade do que ganham os outros e em um contexto de impasse nas negociações que resultou na suspensão do pagamento dos grevistas, é natural que um contrato celebrado, sem licitação, para a realização de “cursinhos pré-Enem”, com remuneração de R$ 250,00 por hora-aula, despertasse, ainda mais, no injustiçado professorado baiano, o sentimento de indignação.
Dizem que imagens falam mais do que palavras, mas no dia em que se comemorou os 189 anos da Independência da Bahia, foram com palavras de ordem e vaias dirigidas ao governador da Bahia, Jaques Wagner, que os professores estaduais deixaram bem claro a sua insatisfação pela forma imoral, antiética e ilegal com que as negociações salariais são conduzidas nesta “Terra de Todos Nós”.
Voltando às vaias, precisamos atentar para o fato de que, no auge da polêmica que se estabeleceu, sobretudo na internet, sobre o tal contrato milionário firmado com o governo do estado para a realização dos aulões, muitos tenham se apressado em justificá-lo, pousando de defensores dos fracos e oprimidos, alegando que, na verdade, pretendiam fazer voluntariamente os aulões públicos apenas para “tirar a garotada do sufoco”, mas, liderando um grupo seleto de “professores de ponta”, acabaram aceitando, acredito que docemente contrariados, a proposta desesperada da Secretaria da Educação.
Tudo na vida é uma questão de perspectiva e, nesse sentido, eu penso que, felizmente, Anísio Teixeira, salvo em uma visão espiritualista, não pode mais tomar conhecimento do modo como as suas palavras que, no passado, atraiam a ira dos que viam no ensino um meio de amealhar algum dinheiro, estão sendo usadas, hoje, no tempo em que a educação virou commodity.
Mas é assim, sempre foi e parece que, ainda durante muito tempo, será, pois, todos denunciam, em público, as mazelas da educação pública neste país, mas, não raro, se aproveitam, em privado. Não há princípios, mas conveniências.
“O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade”, escreve o professor filósofo Vladimir Safatle e, fazendo eco às suas palavras, encerro lembrando-me que a verdadeira “máquina que prepara as democracias” não são os cursinhos ou os aulões, por mais bem intencionados que sejam os seus defensores, pois, segundo o pensamento do mestre Anísio Teixeira: “Essa máquina é a escola pública. Mas não a escola pública sem prédios, sem asseio, sem higiene e sem mestres devidamente preparados e, por conseguinte, sem eficiência e sem resultados e, sim, a escola pública rica e eficiente, destinada a preparar o brasileiro para vencer e servir com eficiência dentro deste País.”
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Meu caro Professor Melo!!!, ao perceber que ” o sacerdócio ” na educação anda contemporâneamente travestido de: ” que bom negócio! é uma mina! “. ” não, não,
não somos espertos, estamos compadecidos dos zumbis da cidadania “, desperta-nos um sentimento de indignação e profunda tristeza.
Que saudades! das prospecções que nos faziam o saudoso Professor Benedito e tantos outros do nosso eterno CPM Dendezeiros!.
Que desolador futuro! O que fizeram da nossa fé…!?
Parabéns pelo texto! está coerente com a percepção,reflexão, consciência,verdade, informação e ética. Mil vezes parabéns. Não entro em maiores detalhes porque já fui deletado e colocado na lixeira do tempo uma vez, não quero ir pela segunda vez. Seria ” burrice demais “. Posso ser encarcerado pela ” Polícia do Pensamento “. KKKKKKKKKKKKKKKK.
André Sousa Santos
Meu caro Andre
Um grande abraço… as suas palavras me fizeram voltar no tempo… coisa que nem a física quântica nos permite… , mas é por isso que só vemos bem com o coração…
Eu sei que o professor não é um sacerdote e que, em uma sociedade capitalista, ser empreendedor não é crime, mas… se tudo me é permitido, nem tudo me convém…rsssss
No Brasil – há muitos aproveitadores cheios de discursos de salvação, não vejo um político sintonizados em assuntos concernentes à educação pública de boa qualidade, nem mesmo o Hadad, precursor do “E nem”, candidato de Lula à prefeitura de São Paulo. Se fôssemos fazer um retrospecto dos discursos perceberíamos que ninguém, ninguém mesmo cumpre o que promete.
Os cursinhos tornaram-se indústrias, consequência da má qualidade do ensino, e isso não se resume apenas ao público, o ensino particular também deixa a desejar. As aulas dos cursinhos são persuasivas, mas não se chega ao êxito sem alicerces e estudos continuados.
Acredito que segurança pública e e educação estão conectadas entre si, por isso, percebe-se que em São Paulo, principal “calo” do PT, que houve um aumento significativo na violência, talvez por excesso da Rota ou nos castigos disciplinares nos presídios.Disse TALVEZ. Como também pode haver nos bastidores ações de indivíduos do próprio PT, querendo desestabilizar a atual situação, através de alguns atentados na área de segurança pública naquele estado. Em suma, o PT quer ser partido único, algo impossível, uma vez que eleitores não são bonecos.
Viva a educação! Quem disse que Wagner está no poder? As vais dizem tudo.