O escritor, advogado e educador físico Ivo Rangel é da Bahia do Bloco Apaxes do Tororó, das rodas de samba de Nelson Rufino e Ederaldo Gentil. É nascido no Garcia, criado no Politeama, bairro que lhe rendeu tantas lembranças, presentes no seu livro, “Polytheama – Histórias e Estórias”, escrito para relembrar a juventude e homenagear Salvador. Porque a soterópolis para ele é o Politeama, e toda a sua história e importância cultural.
Para não deixar que a poeira do passado encobrisse as suas memórias de momentos tão felizes vividos naquele bairro, e mais ainda, para compartilhar com os outros o que o Politema representa para o desenvolvimento social, econômico e cultural de Salvador, que Ivo Rangel, segundo morador mais antigo do lugar, resolveu escrever o livro “Polytheama – Histórias e Estórias”, talvez o único ou um dos poucos registros voltados exclusivamente para um bairro específico da capital.
A partir desta iniciativa, unindo pesquisa e lembranças, Rangel já deu algumas entrevistas e ministrou palestras sobre o bairro, realizando seu desejo de divulgar ainda mais o reduto, que tanto defende.
O passado
O Politeama está localizado no coração de Salvador, ligando o Campo Grande à Piedade, bairros de intensa movimentação de carros e transeuntes. Porém no passado, o cenário era outro, muito mais calmo. “O Politeama era como um condomínio de casas simples, muito calmo, todos se conheciam”, conta Rangel. E são estas lembranças históricas e afetivas deste lugar, onde viveu com sua mãe, Josefina Rangel – a Dona Zefinha -, que Ivo Rangel descreve no seu livro, lançado em 2007.
“Mais do que a história do bairro, eu acabo também falando de uma Salvador dos anos 50 para cá. A educação, os movimentos artísticos, carnavalescos, a sociedade da época também aparecem no livro”, diz o escritor.
Segundo Rangel, o bairro abrigou o primeiro teatro da capital baiana, o Teatro Politeama Baiano, e por isso reunia poetas e artistas, porém, com a expansão das artes cênicas na cidade, o Teatro Castro Alves, localizado no Campo Grande, passou a ter mais destaque. Além do teatro, o Instituto Feminino da Bahia é outro espaço que enriquece ainda mais a história do lugar. Fundada por Henriqueta Martins Catharino, em 1923, é hoje uma instituição que abriga dois museus e um riquíssimo acervo de peças históricas.
Os moradores também são história no bairro. Um verdadeiro time de pioneiros em várias áreas se criou no bairro como Francisco Ramos, o primeiro nadador da travessia Mar Grande – Salvador, o primeiro piloto de automobilismo da Bahia, Lulu Geladeira e o próprio Ivo Rangel, primeiro técnico baiano da seleção brasileira de karatê.
O livro também resgata figuras marcantes do passado. Marcantes para quem cresceu por lá, e viveu o cotidiano do bairro. Jaime da Padaria, Seu Francisco Sorveteiro, Jorge Gordo, são alguns personagens que fizeram a alegria de Ivo Rangel e de tantos outros. O bom futebol da rapaziada do bairro, alguns chegando a conquistar vagas em times profissionais, como André Catimba, ex-jogador do Bahia, Galícia, Vitória, Grêmio e Argentino Juniores, as trezenas de Santo Antônio, os carnavais da velha guarda, a escola de samba e outros blocos de carnaval, foram momentos vividos pelo escritor.
Daí, talvez, tenha aflorado o gosto do escritor pela música, pelas festas de largo, pelos carnavais. A velha guarda do samba, o Bloco Apaxes do Tororó, e os clubes tradicionais onde já aconteceram muitas matinês também formam este homem, admirador da cultura popular baiana.
O karatê, outra paixão
Fundador da Federação Bahiana de Karatê, Ivo Rangel ficou conhecido pelas vitórias e grande habilidade na arte marcial. Foi campeão da seleção baiana, técnico da seleção brasileira e hoje é presidente da Federação de Karatê Interestilos da Bahia.
Tudo isso porque, lá atrás, no passado, era um menino franzino, e sonhava em, um dia, ser diferente. O corpo magro o abandonou, e se desenvolveu tanto quanto a sua paixão pelo esporte. Mais tarde, formou-se na terceira turma de Educação Física da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), e o culto ao corpo e à mente sãos passou a ser sua filosofia de vida. “O karatê, o Apaxes e a Bahia são as minhas paixões”, declara Rangel. A sua ligação com o karatê também já rendeu dois livros, muito procurados pelos amantes do esporte, iniciantes e mestres. “Estudos de Karatê”, publicado pela primeira vez em 1984, já está na sua quinta edição, e “Kumite – Treinamento para campeões”.
Quem quiser conhecer a história do Politeama, através das memórias de um morador apaixonado, e de grande sensibilidade, pode adquirir o livro “Polytheama – Histórias e Estórias”. É só entrar em contato pelo número 71 9681-1064, e falar com Geraldo Badá. Uma grande oportunidade para conhecermos a nossa rua, nosso bairro, nossa gente e nossa cidade e, no final das contas, nos conhecermos melhor. Boa leitura!
Textos relacionados:















muito legal essa história que poucos conhecem. Parabéns, Flavia!
Valeu Jaci!
Oi Flavia,
Sou a Angela ,tambem Jornalista, , achei muito interessante o assunto do seu livro e, gostaria de le-lo, a onde posso encontra-lo/
Angela, você se refere ao livro sobre o Politeama, escrito por Ivo Rangel ou o Jornaleiros Militantes, escrito para minha conclusão de curso? Se for o Jornaleiros Militantes, eu não publiquei, mas tenho planos… Obrigada pelo comentário!
Gostaria de saber onde posso comprar os 3 livros de Ivo Rangel , sou tambem praticante dessa nobre arte que é o Karate, desde ja agradeço.