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Vida, sonhos e amanhãs…

3, setembro, 2010 José Abbade Sem comentários
Varal Literário

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Mais uma vez, o médico-poeta (ou será poeta-médico?) Clóvis Filho nos convida a uma bela reflexão acerca da vida e a importância de criarmos raízes, mesmo que nos sonhos… Leia mais…

Teatro na Praia dos Livros

30, agosto, 2010 José Abbade Sem comentários
Agenda

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A galera do Sebo Praia dos Livros, mais uma vez, nos envia release mais que criativo do evento teatral que acontecerá amanhã (31). O local é muito agradável e, além de vender livros, discos e CDS, é tembém um aconchegante cenário para festas, saraus e, agora, teatro:

Nesta terça-feira, 31 de agosto de 2010 do ano da graça do senhor, eis que a Praia dos Livros continua catedral das artes cênicas. Sim, depois do sucesso da primeira apresentação, eis que Diário de um Sedutor, do glorioso Júlio Góes, aqui novamente será encenado, agora a partir das 21 horas, a pedidos. Leia mais…

Não precisa mudar

22, agosto, 2010 José Abbade 6 comentários
Banho de Sol

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A cada dia é mais difícil começar uma verdadeira história de amor ou amizade, no sentido lato da palavra. Com o atual modelo de sociedade, onde tudo é imediato e tecnologias cada vez mais ligadas à comunicação, paradoxalmente, as pessoas estão cada vez mais sozinhas. Onde foi parar o lirismo, a espera e a ansiedade de rever essa ou aquela pessoa? Num mercado cada vez mais prático, de plástico e outros descartáveis, parece que as relações estão sendo encaradas como mais uma compra de produtos instantâneos, prontos para usar. O tão falado progresso, ao mesmo tempo que auxilia, fragiliza nossa relação com o mundo e põe para escanteio muitos valores antes tão admirados e almejados. Pra que investir em uma pessoa difícil, cheia de problemas, compromissos e prioridades, se basta uma rodada na noite para garantir algumas horas de puro prazer e delírio? Leia mais…

Os mares do amar…

19, agosto, 2010 José Abbade Sem comentários
Varal Literário

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A cada dia, percebemos o quanto somos plurais. No mundo de hoje, várias são as faces, ou melhor, habilidades de nós humanos. O médico Clóvis Filho nos brinda com um maremoto de sentimentos em seu poema: 

Mar revolto…

Bate e esprai-se em espumas…

Lambendo a areia úmida e receptiva,

Diluindo o ímpeto, seguindo o seu caminho…

Qual ser amado, buscando sua amada,

Avançando sobre o seu corpo…

Misturando-se, os dois, no mesmo leito…

Ele, queda-se cansado pela longa viagem…

Ela, recebe-o em seus braços e pernas, envolvendo-o…

Juntos, adormecem entrelaçados, misturados…

Mar revolto…

Batendo na rocha, espanando espumas.

Arrebatando com a sua fúria, violentando a pobre rocha…

Qual ser mal amado, destilando sua mágoa na mal amada oprimida…

Ele, incansável, causando estragos por todo o percurso,

Ela, destroçada, em pedaços, voando…

Tentando outro rumo…

Assim é o mar revolto… A areia…O Mal Amado.. A Rocha…e O Ele… e O Ela…

O papel da poesia e dos poetas em Ipitanga

16, agosto, 2010 José Abbade Sem comentários
Com a palavra...

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Homero Recitando Poemas

*Tássio Revelat

Os poetas são considerados os primeiros educadores do mundo antigo. Em uma sociedade onde a oralidade era a base do processo comunicativo, os poemas de Homero e Hesíodo eram transmitidos oralmente, pelos filósofos e poetas da antiguidade, através das gerações, encantando e educando.
A poesia gozava de grande prestígio na educação do povo grego. A sua importância era em função da necessidade de preservar a memória e as tradições. Nesse contexto, a praça pública era considerada o espaço mais importante da cidade, onde os gregos declamavam poemas, contavam histórias e, através da dança e do teatro, prestavam homenagens aos deuses, além de praticar a política e a filosofia. Leia mais…

Meu último desejo você não pode negar!

15, agosto, 2010 José Abbade 2 comentários
Banho de Sol

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Ah...tadinho...ah!!!

A manipulação é uma prática tão antiga quanto o surgimento da humanidade. Desde as guerras fabricadas, notícias deturpadas e ações de dominação travestidas de “boas intenções” em prol do progresso. Dominação cultural, ideológica, política, econômica e tantas outras movidas por interesses pessoais e coletivos. Ao contrário do que se pensa, a manipulação nem sempre se dá pela força bruta. Existem outras maneiras de se exercer o poder perante o outro. Quem não vibrou, em meados do século passado, pelas aventuras do Pato Donald? Qual adolescente dos anos 1960 não sonhou com James Dean? Porém, entre essas e outras, a manipulação pela aparente fraqueza é a mais cruel delas. A vitimização do opressor é um meio de se obter poder perante o oprimido. E, muitas vezes, sua eficácia é mais garantida, pois em vez de armas e gritos, a força está justamente na pseudofragilidade. Quem nunca se rendeu a uma chantagenzinha emocional? Por que o papel do “coitadinho” quase sempre ganha adesão? Leia mais…

Meu querido, meu velho, meu amigo

8, agosto, 2010 José Abbade 3 comentários
Banho de Sol

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Meu pai (Ferreira Gullar)

meu pai foi ao Rio se tratar de
um câncer (que o mataria) mas
perdeu os óculos na viagem

quando lhe levei os óculos novos
comprados na Ótica Fluminense ele
examinou o estojo com
o nome da loja dobrou
a nota de compra guardou-a
no bolso e falou:
quero ver agora qual é o
sacana que vai dizer
que eu nunca estive
no Rio de Janeiro.

A partir desse poema bem-humorado de Gullar, a Banho de Sol vem homenagear de maneira peculiar todos os pais nesta bela manhã de domingo. Para não cair no lugar comum e colocar a música “Pai”, de Fábio Jr, resolvi procurar outras alternativas de músicas que falem desse tema. Leia mais…

A culpa é sua…o samba é meu

1, agosto, 2010 José Abbade 16 comentários
Banho de Sol

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Conversando com  turistas no Pelô, em 2008, fui surpreendido por um depoimento de uma galega (da Galícia mesmo) a respeito da nossa querida MPB. Ela elogiou bastante nossas músicas, mas disse que as canções de amor eram muito melosas. E que a maioria tinha muito a palavra VOCÊ. Não me lembro exatamente das palavras dela, mas no contexto, ela comentou que o brasileiro atribuía muito a felicidade pessoal a outra pessoa. Resumindo a história, ela concluiu que o brasileiro amava diferente. E que as relações de amor dos galegos eram mais inteligentes e divertidas. Na hora fiquei meio pasmo com aquela declaração, procurando mil respostas para combater aquela aparente infâmia. Como uma estrangeira poderia definir o “amar brasileiro” em apenas uma conversa? Porém, aquilo ficou martelando em minha mente e, ao rememorar algumas músicas do nosso vasto repertório, concluí que, realmente, em vários gêneros musicais, a palavra “você” aparece, quase sempre, para atribuir ao outro responsabilidades que deveriam ser pessoais e intransferíveis. Será que a galeguinha estava com a razão? Leia mais…

Manual para velórios e enterros

18, julho, 2010 José Abbade 14 comentários
Banho de Sol

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“A morte é a libertação total:
a morte é quando a gente pode,
afinal, estar deitado de sapatos”
Mário Quintana

A única certeza em nossas vidas é que iremos morrer um dia. Fato difícil de aceitar, mesmo sabendo (ou acreditando) que a morte é apenas o fim de uma etapa, de acordo com cada concepção, na maioria das vezes , religiosa. Diariamente, milhares de pessoas são enterradas, engavetadas ou cremadas. Isso quando não são hediondamente esquartejadas, devoradas e demais atrocidades difíceis de entender a cada crime apresentado pela mídia. Mas, como dizia o Fofão – quem se lembrou entregou a idade -  isso é outro assunto para outra Banho de Sol. O fato é que, apesar de ser natural e corriqueira, a morte ainda é um tabu a ser superado, principalmente na hora de ir para o velório. Quem nunca se perguntou como se comportar, mesmo que, de passagem, em um ritual fúnebre? O que dizer? Como se vestir? Levar ou não levar flores? Leia mais…

‘Ou viro doida, ou santa’

15, julho, 2010 José Abbade Sem comentários
Varal Literário

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O sagrado e o profano são aspectos tão antagônicos que acabam por se aproximar. Afinal, negar é justamente manter sempre viva qualquer afirmação. E assim, penduramos neste varal um poema da professora de artes  Simone Santiago,  que nos enviou, lá do Rio de Janeiro, sem cerimônia, este belo texto.

"De que modo vou abrir a janela se não for doida? Como a fecharei, se não for santa?" Adélia Prado

Rodrigueana

 

Troca-se a santa pela marafona:

Odeio o seio descoberto da madona.

Anuncia qualquer coisa em mim:

Devo ter pouco de querubim.

 

O que é puro e róseo anseio sublimado

De veleidades incorporado

Na humana criatura

Representa para o mundo a fartura

Que o suga-lo proporciona.

 

Mais que isto: é o deus que se alimenta

Enquanto rezo, tanto o meu desejo aumenta,

E  não maldigo a sorte do que se faz assim:

Que demore a minha morte, enfim,

A vida interna é a que conta

 

Pudica e virginal

Preparo minha refeição matinal

E a castidade me devora.

Estendo meu sudário:

É a página do calendário

Que me alimenta agora.

 

Outro santo no retrato:

O olhar casto de seu rosto é fato.

O resto é carne e músculo à farta.

Minha alma se aparta:

Onde o corpo, o mal.

 

Digo para mim:  O homem é animal.

E o saber não me consola

Aqui estou de camisola,

Uma mulher banal,

Totalmente sem decote,

Em vias de tomar de um chicote

Para açoitar seu corpo inerte

 

Quem sabe lá eu acerte:

No martírio o santo geme,

Mãos presa num poste,

Quem sabe ele goste;

A minha alma, o que faz, é tremer:

Vá lá se entender as razões do ser

* Simone Santiago, Cabo Frio e Niterói/RJ