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Alcoolismo: uma fantasia para enfrentar os problemas

19, agosto, 2010 Pedro Moraes 10 comentários
Especial

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Já era tarde. Aproximadamente 2h da madrugada de uma quinta-feira, o empresário Marcelo*, pai de quatro filhos, casado, 45 anos, não estava em casa com a família, mas apenas começando mais uma noite, sentado numa mesa de bar, comendo carne assada e curtindo uma rua quase vazia, regada a muito álcool. E aquele não era um dia atípico na vida dele e sim sua rotina.

Na mesma cidade e noite, em outro bar, encontro o agricultor Fernando*, um jovem de 25 anos, cabelos compridos, de visual rebelde, porém tímido. Sentado à frente de um balcão sombrio, repleto de copos mal lavados, o rapaz se queixava da vida, em um cenário triste e revelador, que se tornara o palco para seu passatempo e fuga diários: se embriagar.  

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Hélio Gomes e o Cine Lapão, uma história inesquecível

15, agosto, 2010 Pedro Moraes Sem comentários
Especial

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Hélio Gomes, aos 72 anos, ainda sonha em levar a magia do cinema de volta a Lapão

Em uma sala lotada, as luzes se abaixavam e uma voz suave e cadenciada anunciava: “Nesse horário está entrando no ar o sistema de som do Cine Lapão. Hoje, vocês vão assistir o filme Paixão de um Homem, estrelado pelo cantor Waldick Soriano”.  Desta forma, Hélio Gomes, abria as seções do cinema da cidade, sem saber que estava entrando para  a história do município por ter propiciado para muitos o contato com a sétima arte, tornando-se  uma referência cultural viva na microrregião de Irecê.

Hélio Gomes nasceu em Canoão de Ibititá em 1938. Com 19 anos, a irmã que morava em Brasília-DF resolveu voltar para o semiárido e morar no Lapão. Foi então que Hélio resolveu acompanhá-la com o objetivo de abrir um armarinho. O comércio durou alguns anos, até que ele comprou um bar do irmão e mudou de ramo. Porém, o ambiente não era o que ele gostaria de ficar. Relembrando a época, Hélio conta que fechou o bar e tentou uma nova profissão, vendendo tecidos e rádios para os comerciantes locais.

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Daniel Henrique, a magia do circo na pele do Palhaço Futuka

2, agosto, 2010 Pedro Moraes 51 comentários
Gente é pra brilhar

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Daniel, o Futuka: 'Com a máscara, esqueço problemas e encarno a missão de fazer sorrir'

Munido de calças largas, maquiagem, fantasias e sapatos largos, lá vem o colorido e engraçado Palhaço Futuka, um soldado da alegria, que em cada cidade que visita luta para levar o sorriso e acender o brilho nos olhos das crianças.  Espantando a tristeza, o personagem interpretado pelo artista circense Daniel Henrique é aclamado pela molecada e garante, ao lado de outros artistas, casa lotada para o Circo Húngaro, que já percorreu diversos estados como a Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo e Ceará.

O artista de 21 anos nasceu em Maceió-AL e adquiriu ao longo da vida sensibilidade e habilidade para desempenhar diversas funções. O treinamento começou aos cinco anos, com o número mundialmente conhecido como “atirar facas”. Em seguida, aprendeu malabares e, aos 16 anos, começou a interpretar o palhaço Maluquinho, que se transformou posteriormente em Futuka. Daniel explica que “no circo, todo mundo acaba fazendo várias funções, cada um faz um pouco de tudo”. Ele mesmo, faz divulgação no carro de som, ajuda na portaria,  dança, faz malabares e  dublagens, porém, o que mais gosta é de interpretar o palhaço Futuka: “Amo a vida do circo, nunca pensei em largar, a identificação é total”, confessa.

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Dijalma de Ogum, aos 19 anos, o pai-de-santo mais jovem da Bahia

19, julho, 2010 Pedro Moraes 31 comentários
Especial

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Dijalma: 'Respeito todos que seguem outras religiões'

Respeitado pela comunidade e por integrantes mais velhos da religião, o jovem Dijalma dos Santos, 19 anos, ou simplesmente Dijalma de Ogum, líder do terreiro Ylê Axé Orixalá, no bairro Ida Cardoso, em Lapão, cidade do semiárido baiano, é reconhecido pelo programa do governo federal “Terreiros do Brasil” como o pai-de-santo mais jovem da Bahia. Dijalma que herdou os conhecimentos da avó Rosália, sacerdotisa de um terreiro em Lagoa do Gaudêncio, comunidade remanescente de quilombola, conheceu a religião ainda pequeno e logo sentiu a vocação para o candomblé.

- Comecei  a zelar de santo (cuidar das imagens e do ambiente) com apenas sete anos, via minha avó fazendo as obrigações dela no terreiro e sempre tive vontade de fazer também. Três anos depois, com dez anos, ela parou e comecei a herdar as coisas dela:  meu tio jogou os búzios e os orixás me apontaram como o seu sucessor – conta.

Depois de alguns meses se preparando,Dijalma  tornou-se pai-de-santo. “A primeira vez que incorporei foi muito forte, senti uma força que não sei de onde veio. Certa vez, tentei parar, mas a força dos orixás foi maior que a minha e sigo até hoje”, lembra.

O terreiro Ylê Axé Orixalá é uma casa de Oxalá. Ali predomina o branco (a cor do orixá) e vê-se imagens, entre incensos e velas. As portas são pintadas em azul, numa referência a Ogum, o orixá guia de Dijalma. O templo é frequentado por pessoas das mais diversas faixas etárias - não é raro ver crianças e adultos dividindo o mesmo espaço, todos respeitando Dijalma como líder e conselheiro espiritual. Leia mais…

‘Quinho’, 80 anos, um dançarino que transborda energia

15, março, 2010 Pedro Moraes 1 comentário
Gente é pra brilhar

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Considerado por muitos o boêmio e dançarino mais antigo da região de Irecê, o lapoense conhecido como “Quinho”, de 80 anos, transborda energia e, mesmo após muitos carnavais, não perde uma festa, estando sempre pronto para dançar a próxima música. O cenário pode ser o forró da Neura, o bar do Enoque ou qualquer outro evento da cidade. Onde tem música tem os passos rápidos e precisos desse dançarino que esbanja saúde: “Minha pressão arterial é doze por oito e o coração está inteiro”, orgulha-se. “Quando vou ao médico, o pessoal fica admirado com minha saúde. Tenho essa idade e desafio qualquer jovem ou velho a me acompanhar: os novos de hoje estão acabados e os velhos de minha época, também”.

Ele garante ainda que é capaz de dançar por dez noites seguidas e no outro dia não sentir qualquer desconforto. “Às vezes estou em casa e basta ouvir um som na rua, bato o pé e já estou pronto para a folia. Todo fim de semana vocês me encontram na boemia, pode ser no bar de Enoque, Forró da Neura ou qualquer outro local da região que venha um cantor de fora”.

Casada há quase 54 anos com Quinho, dona Neuza diz nunca ter sentido ciúmes do marido, e não se importa com as suas constantes farras. “Ela não gosta de sair, foi uma ou duas vezes no carnaval e nunca mais quis ir. Às vezes chego amanhecendo o dia e ela nunca diz nada, criei meus seis filhos, mas nunca perdi minhas farras. Se o cara tem energia, tem que curtir, não é mesmo?”, defende o boêmio.

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‘Seu Alfredo’, o poeta sertanejo que sonhava com a escola

1, março, 2010 Pedro Moraes 13 comentários
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Sou Alfredo José Rosendo/Filho de Modesto e de dona Brisdinha/

Se eu não faço um poema melhor/É porque não frequentei a escolinha”

'Seu' Alfredo, aos 89 anos, poesia ambulante em pleno sertão

As gotas geladas de uma suave garoa tocam suavemente na terra seca e árida, em um fim de tarde em que o chão quente do semiárido agradece aos céus pela benção de encontrar com sua fonte de energia, exalando assim, o cheiro de terra molhada, sinônimo de prosperidade na vida do sertanejo. O São João, árvore típica da biodiversidade local, abre suas flores, amarelas feito ouro, provando para quem duvidar que a beleza surge no improvável. Em torno deste cenário, que flerta entre o belo e a simplicidade, encontro seu Alfredo Rosendo, um lapoense de expressão forte, alto, de voz firme e corpo esguio, com 89 anos de histórias, causos e lições de vida. Em uma casa antiga, feita com as próprias mãos, “Seu Fredo” como é carinhosamente conhecido, mora em companhia de ilustres convidados: a música e poesia.

O cheiro do café passado na hora abre as portas para uma longa conversa sobre a vida, sonhos e a arte, despertada em 1985, quando seu município de origem, Lapão-BA, tentava se emancipar. Em versos simples, de um homem que nunca foi à escola, Fredo foi de encontro aos velhos coronéis da terra e declamou com garra e coragem a seguinte estrofe:

Deixa de tanta promessa/ deixa de tanto esperar/ agora chegou a vez/ de Lapão emancipar. Lapão já foi muito atrasado/ só quem viu sabe contar / Só tinha duas escolas, mesmo assim particular/ Hoje, o Lapão já conta, no setor da educação / Com um dos melhores colégios da microrregião.  Lapão tem um povo hospitaleiro / Isso eu não nego / só faz muito fuxico na época da eleição / deixa de tanta promessa/ deixa de tanto esperar/ agora chegou a vez/ de Lapão emancipar”.

De acordo com Alfredo, na época, algumas famílias tradicionais reuniram 500 assinaturas em um manifesto contra a emancipação. “Eles alegavam que a cidade era a ponta da rua do município de Irecê, mas eles tinham interesses pessoais por trás disto, achei que não tava certo, porque Lapão já estava desenvolvida, foi então que tive a vontade de fazer meu primeiro verso e dei uma chicotada neles”.
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Mestre Índio Brasil, amor e dedicação na ginga da capoeira

24, janeiro, 2010 Pedro Moraes 5 comentários
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Imagem 233 (Medium)

Dança ou luta, para o Mestre Índio, a capoeira é a arte de celebrar a paz

Vestidos de abadás brancos com um cordão colorido na cintura, vêm chegando como um exército da paz, munidos com um berimbau, atabaque, pandeiro, e no compasso das palmas, começam a cantar: O berimbau tá tocando / A roda tá se formando / O meu mestre tá chamando / Quero ver quem vai jogar / O berimbau / É um jogo de inteligência / Esse jogo tu tem que estudar / Ponto fraco, também ponto forte / Para o adversário você derrubar / Ô berimbau!”.  E, assim, começa mais uma roda do grupo internacional de capoeira Jacobina Arte, em uma aula ministrada em praça pública pelo professor Índio Brasil, em Lapão-BA.

PEDRO19 (Medium)

Meninos e meninas aprendem com o mestre os segredos da capoeira

O professor Índio Brasil vem desenvolvendo um trabalho interessante em Lapão, cidade da microrregião de Irecê, a 491 km de Salvador. Com poucos recursos, porém com muita dedicação, ele implementa a arte nacional com influências africanas na cidade e essa ação vem mudando a vida de muitos jovens, oferecendo para cada um conceitos sólidos de irmandade, disciplina e cultura regional. O estudante Raian do Nascimento, 19 anos, conhecido como “Vagalume”, pratica capoeira há mais de cinco anos, no início, contra a vontade da mãe.  “Minha mãe achava que era algo violento, até conhecer a arte. Teve uma apresentação que ela assistiu e, depois disso, autorizou que aprendesse com meu irmão. Porém, ela começou a apoiar e incentivar, quando viu as mudanças que tivemos: passamos a respeitar um ao outro e deixamos de viver na rua. Hoje, dedico a maior parte do meu tempo à academia. Meu irmão era um rebelde, discutia com minha mãe, bebia, fumava e brigava sempre na rua. Depois da capoeira, ele mudou bastante e hoje é uma outra pessoa”, relata Raian.

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Gilton das Cadeiras, um artesão a serviço do meio ambiente

27, dezembro, 2009 Pedro Moraes 6 comentários
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gilton

Gilton: 'Pego pneu que não será mais usado e dou nova vida. É bom para mim e para o meio ambiente'

Texto e fotos de Pedro Moraes*

Funcionário público em horário comercial e artesão nos momentos de folga,  para Gilton Alves da Mota, ou simplesmente,  “Gilton das cadeiras”, um pneu usado e largado numa borracharia é sinônimo de arte, sendo matéria-prima para a construção de cadeiras arrojadas e arranjos para flores. A fórmula da transformação parece ser simples, porém, trabalhosa. “Primeiro separo, uma serra, lixadeira, faca, martelo e pregos, depois pego o aro do pneu, corto com uma lixadeira e divido em quatro partes, junto as duas e prendo com pregos. Com outro aro, coloco um trançado de borracha e faço um assento. Depois, pego mais um aro e fixo em um suporte de madeira para fazer o encosto”. Após finalizar a estrutura da cadeira, “faço o acabamento e com uma faca vou cortando os excessos de borracha. Em seguida, lavo para deixá-la bem limpa, até ficar no ponto ideal para pintar com a cor desejada”, explica Gilton. Leia mais…

Luz, câmera, ação! Em cena, Sandoval, o ‘fazedor de filmes’

12, dezembro, 2009 Pedro Moraes 2 comentários
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sandoval dourado

Texto de Pedro Moraes*

Assim como em uma projeção cinematográfica, vamos voltar no tempo por 30 anos. Mas nesse filme imaginário, não teremos superproduções norte-americanas e nem o rebuscamento intelectual do cinema europeu, e sim, curtas-metragens realizados com garra e coragem, no semiárido baiano, dirigidos por um “fazedor de filmes”, o soteropolitano de alma sertaneja: Sandoval Dourado.

Filho da artesã de Irecê, Constança, e do bancário aposentado de Canarana, Sinobelino, Sandoval, nasceu em 79. Quando pequeno, passou os seis primeiros anos na capital baiana, até começar uma vida quase nômade, migrando por várias cidades, como Itaberaba, Irecê e Andaraí. Leia mais…