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Arquivo da Categoria ‘Gente é pra brilhar’

Tássio Revelat – amante e autor do conhecimento

Gente é pra brilhar

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Tássio Revelat: sempre descobrindo e revelando a magia do conhecimento

Fotos: Inaiá Lua

Foi em busca de respostas para os problemas sociais, que Tássio Revelat optou pela profissão de historiador. Iniciou o curso superior e descobriu que as histórias do Brasil e da humanidade vão bem mais além de datas e nomes. Ele encontrou a diversidade cultural e, mais do que respostas, diz ter conseguido uma compreensão mais completa do homem e de suas escolhas. Acompanhado dessa nova visão de mundo, nosso investigador social foi apresentado a mais uma linguagem, agora mais sensível e artística – a poesia.

- A poesia ajuda a individualizar a história. Ela cria microhistórias, humaniza os fatos, apresenta o homem e não o ente público – define numa tentativa de explicar o que aprendeu após o encontro com os versos.

Depois da junção da história com a poesia, Tássio, autor do livro Alaya: Onde jaz a poesia, nunca mais foi o mesmo. Nem o homem, nem o professor. Ao graduar-se e vivenciar a profissão no dia a dia, sentindo na pele as dificuldades, antigas até, do professor de escola pública, ele tinha uma carta na manga, uma arma contra o desânimo que viu em muitos colegas de profissão: a sua companheira, a poesia. Em 2007, trabalhando em uma escola periférica de Portão, bairro de Lauro de Freitas, município da região metropolitana de Salvador, ele se viu obrigado a reinventar o seu método de ensino e, assim, revigorar tanto a si próprio aos alunos e aos colegas de profissão.

- Eu vi que precisávamos dar mais sentido no que estávamos ensinando. A educação que é praticada nas escolas não é uma educação que comungue com a vida do aluno – observa. Foi assim que nasceu o Projeto Amantes do Conhecimento. Leia mais…

Jonas Karlos e Jocélia Freire: porque é preciso dançar…

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Jonas e Jocélia: um encontro marcado com a arte da dança (Fotos: José Abbade)

Os pés infantis de Jocélia Freire, nascida no Ceará , mas criada em Salvador, acompanhavam a música, apoiados nos pés da mãe. As duas dançavam pela sala. A mãe, segurando as mãos da filha. A filha, sendo levada pela mãe e pelo compasso da melodia que saía do aparelho de som. E foi ali que os pés da garotinha se acostumaram a dançar, seguindo os pés mais firmes de quem a guiava. A mãe foi a sua primeira professora de dança. Nos forrós, onde só tinha adultos, lá estava a garotinha e a mãe, sempre dançando. Os dias foram passando, Jocélia crescendo e o gosto pela dança evoluindo com ela.

Enquanto isso, lá em Cajazeiras, na Paraíba, o pequeno Jonas Karlos, sobrinho de um artista da cidade, se divertia nas gincanas escolares, com teatro, mágica, dublagem e com o que o deixava mais à vontade: a dança. Sempre gostou de estar no palco. Com 15 anos, já se apresentava nos circos que chegavam à cidade, animava festas infantis e desenvolvia – assim como a garota, metade cearense, metade baiana – a vontade de dançar. O sonho do adolescente, por muito tempo era ser dançarino em bandas de forró. E esse sonho acabou se realizando.

Jonas conciliava os estudos do ensino médio, com as turnês e seguia em frente. Seus ídolos na adolescência eram, nada mais nada menos que, Luís Caldas e Beto Barbosa! Como esperar outra coisa de um rapazote dançarino? Chegou a fazer algumas apresentações de dublagem, imitando os dois artistas, a quem só veio a conhecer pessoalmente no ano passado. Era diversão, homenagem aos seus ídolos e trabalho, acima de tudo. O jovem começou a dar aulas de dança de salão e tinha muitos alunos! Como ainda não possuía a técnica apurada, assistia a vídeos de dança e ensinava o que aprendia. Os ídolos de Jocélia, não eram cantores, nem muito menos, os galãs de novela, como se espera de toda adolescente que coleciona pôsteres colados na porta do armário, mas os dançarinos baianos Fernanda Guerreiro e André Uzêda, que conheceu pessoalmente no programa de auditório comandado pela dançarina e apresentadora Sheila Carvalho, realizando um dos seus sonhos. Leia mais…

Daniel Henrique, a magia do circo na pele do Palhaço Futuka

2, agosto, 2010 Pedro Moraes 51 comentários
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Daniel, o Futuka: 'Com a máscara, esqueço problemas e encarno a missão de fazer sorrir'

Munido de calças largas, maquiagem, fantasias e sapatos largos, lá vem o colorido e engraçado Palhaço Futuka, um soldado da alegria, que em cada cidade que visita luta para levar o sorriso e acender o brilho nos olhos das crianças.  Espantando a tristeza, o personagem interpretado pelo artista circense Daniel Henrique é aclamado pela molecada e garante, ao lado de outros artistas, casa lotada para o Circo Húngaro, que já percorreu diversos estados como a Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo e Ceará.

O artista de 21 anos nasceu em Maceió-AL e adquiriu ao longo da vida sensibilidade e habilidade para desempenhar diversas funções. O treinamento começou aos cinco anos, com o número mundialmente conhecido como “atirar facas”. Em seguida, aprendeu malabares e, aos 16 anos, começou a interpretar o palhaço Maluquinho, que se transformou posteriormente em Futuka. Daniel explica que “no circo, todo mundo acaba fazendo várias funções, cada um faz um pouco de tudo”. Ele mesmo, faz divulgação no carro de som, ajuda na portaria,  dança, faz malabares e  dublagens, porém, o que mais gosta é de interpretar o palhaço Futuka: “Amo a vida do circo, nunca pensei em largar, a identificação é total”, confessa.

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Cláudia Pugliesi: ensinando e aprendendo com a dança do ventre

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Mistura de vários compostos, leve, livre e fluido, esse é o ar. Presente em todos os cantos, desregrado e desobediente a grades e barreiras, o ar se movimenta conforme o seu ritmo e perpassa os ambientes de forma delicada quando é brisa ou intensa quando é ventania. Para algumas religiões, ele é a manifestação da energia divina e é muitas vezes representado por uma pena ou pelo incenso. O que pode ser mais leve do que uma pena, mais fluido do que a fumaça que sai do incenso queimado? E assim, livre, é que a bailarina de dança do ventre e professora, Cláudia Pugliesi, se define quando está dançando. A associação é tamanha que, dos quatro elementos da natureza que a dança do ventre reconhece – o ar, a água, o fogo e a terra –, ela é do elemento ar. No palco, Cláudia diz não conseguir dançar seguindo uma coreografia. Naturalmente e instintivamente os movimentos começam a surgir, e vai se formando ali, no momento presente, os passos, a sua própria criação. Ela é improvisação. Percorre todo o palco, todos os cantos, como o ar. Desobediência divina ou simplesmente ela mesma, sem ensaio. Leia mais…

Cláudya Cos’tta, a baiana que entra no samba e não fica parada

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Cláudya Cos'tta, no palco, uma alegria que contagia e ilumina toda a plateia

Certa feita, o sambista Paulinho da Viola disse, em uma entrevista, que relembrar e cantar os sambas antigos não significa nostalgia ou falta de criatividade, e sim “ter um conhecimento maior da vida”. E é o que diz, em outras palavras, a cantora baiana Cláudya Cos’tta, que encara como missão preservar e resgatar clássicas composições do samba de raiz e até mesmo canções que poucos conhecem e que estão quase sendo apagadas pelo tempo. “As letras dessas músicas são verdadeiros relatos da história do Brasil, além de serem maravilhosas!”, exclama a cantora, denunciando o seu amor pelo samba.

Vinda de uma família ardorosamente religiosa, Cláudya sempre ouviu dos pais que o Carnaval e outras festas populares não eram bons lugares para se frequentar. E o mesmo eles diziam do que era tocado nesses eventos. Mas, quando se mora na Rua Luiz Anselmo, em Brotas, bairro popular e populoso, assim como tantos outros de Salvador, não se está imune ao contato com a diversidade, afinal, a vizinhança apresenta os mais diversos estilos musicais, ao mesmo tempo e em alto e bom som! “Sabe aquela democracia musical? Todos ligam o som juntos e ouvem o que querem…”, descreve, sorrindo, a bonita baiana. E foi assim que ela conheceu a música feita e projetada nas ruas da São Salvador. “Na época, ainda se tocava músicas de qualidade nas rádios, como as de Gal Costa, por exemplo.”, relembra. Leia mais…

Executivo troca aviação por massoterapia e eleva qualidade de vida

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O ex-executivo Bichara em ação: concentração, num atendimento domiciliar realizado em Ipitanga

O que levaria um bem-sucedido executivo a jogar para o alto (ou seria para baixo?) uma já consolidada carreira na aviação civil e lançar-se no fluido segmento das terapias holísticas? “Em primeiro lugar, a satisfação de estar bem consigo mesmo” é a pronta resposta do massoterapeuta Fernando Bichara, 47 anos, mais de 25 anos de experiência como executivo de grandes empresas aéreas e há pouco mais de um ano investindo na nova profissão. “Em segundo, a necessidade de ajustar demandas profissionais com exigências da vida pessoal”, completa, com a tranquilidade de quem trocou bons salários e uma vida pra lá de movimentada por ganhos mais modestos e um jeito mais zen de viver.

Com um curso incompleto de comunicação social com habilitação em relações públicas (Faculdades Integradas Rio Branco/SP), Bichara sempre foi uma pessoa irrequieta e, sem trocadilho, muito comunicativa. A carreira na aviação caiu como uma luva, pois lhe dava a possibilidade de conhecer pessoas e lugares mundo afora, dormindo hoje aqui e amanhecendo amanhã acolá. Foram 25 anos de atuação, sempre na área comercial (vendas, marketing e treinamento), num ritmo tão agitado que o diploma de nível superior acabou sendo adiado: as inúmeras viagens de trabalho não lhe permitiam cumprir a contento as tarefas acadêmicas.

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Alice De Sanayá: uma vida que daria uma bela canção

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Alice De Sanayá: um talento reconhecido e elogiado até pela diva Elizete Cardoso

Foi no palco da Casa do Comércio, nos anos 1990, que a menina pobre nascida numa das transversais da Avenida Garibaldi, uma das mais movimentadas de Salvador-BA, consumou um dos momentos mais marcantes de sua vida como cantora. Fazendo o trabalho de iluminação de palco, aprendizado adquirido no antigo Curso Técnico em Artes, do Colégio Estadual Severino Vieira, Alice De Sanayá, sem nenhuma pretensão, mas estimulada pelos colegas, subiu ao palco, antes da atração da noite começar o ensaio, e soltou a voz. A música era Inquietação, de Ary Barroso: “Quem se deixou escravizar/ E, no abismo, despencar/ Por um amor qualquer/ Quem, no aceso da paixão/ Entregou o coração/ A  uma mulher (…)” . Ao final da música, sai da coxia uma senhora já debilitada, mas preservando ainda o ar de rainha, dizendo, admirada: “Já encontrei a minha sucessora!”. Era a estrela da noite e que em poucas horas se apresentaria naquele palco. Nada mais nada menos que a divina Elizete Cardoso.

“Foram minutos de glória”, conta Alice. Surpresa com os elogios, ela expressou nervosismo e, logicamente, muita emoção. Elizete, também surpresa ao ouvir aquela moça tão jovem cantar Ary Barroso, a convidou para uma palhinha, mais tarde, no seu show, cantando a música Camisa Amarela, do mesmo compositor. “Você sabe a letra dela?”, perguntou a sambista. Porém, não se sabe se por insegurança ou timidez, Alice recuou. “Na verdade eu não me lembrava da letra toda, mas eu poderia ter perguntado, né?”, analisa. Leia mais…

Valdir Macário, de plebeu a monarca no reinado da beleza

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Valdir: vitória contra o preconceito

Em um dos sofás do segundo andar do seu salão de beleza, Valdir Macário parece estar sentado no trono, como se fosse o rei de um império conquistado a unhas e dentes. E é do “trono” que ele relata o passo a passo dessa conquista, iniciada em frente a casa da mãe, lá na carente Travessa Manoel Faustino, mais conhecida como Manguinho, na Avenida Vasco da Gama.  Em 1986, uma cadeira e uma tesoura eram os equipamentos do seu primeiro “empreendimento”. Cortava os cabelos dos homens da vizinhança, mas não por muito tempo, porque a mãe reclamava dos tufos que caíam janela a dentro, na sala de casa. Alugou, com muita dificuldade, um quarto para seguir seu ofício, e assim foi, “de galho em galho”, até conquistar dois andares de um prédio, localizado na mesma avenida. Valdir Cabeleireiro é o seu quarto salão, não mais exclusivo para os homens. Super equipado, igual a todo salão de beleza bem estruturado que se preze. Porém, o espaço é mais do que a reunião de bons equipamentos. É o reduto de uma família de irmãos que tem como prioridade cuidar de gente e não de clientes. É um salão mais humano, que além dos serviços de beleza, oferece aconchego e alegria, com irreverência e amizade à primeira vista. Assim como é o rei do lugar. Leia mais…

Rosana Paulo, a Rosa, uma história da vida real

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Era uma vez mãe e filho que, juntos, conseguiram se transformar. Os dois tinham um potencial incrível de criatividade e conhecimento, e eles sabiam disso. O que não conseguiam era mostrar para o mundo o que tinham de melhor porque às vezes o mundo é muito cruel…

Rosana Paulo, ou Rosa, quando criança, era quase muda, quieta no seu mundo de histórias que a acolhiam, ajudando a não se sentir sozinha e diferente. Ruth Rocha e as suas histórias e as Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, lhe faziam companhia. Tinha um abacateiro no quintal da vizinha da casa onde Rosana morava, no bairro da Baixa de Quintas, em Salvador, que a convidava, às vezes, para uma leitura. E ela sempre aceitava. Eram tardes muito ricas de descobertas e sensações. Passeios à Biblioteca Monteiro Lobato, em Nazaré, centro da cidade, aconteciam com muita frequência, levada por sua mãe. E Rosa adorava.

A literatura passou a ser a sua principal companheira e o dom de desenhar também aflorou, sob o estímulo das histórias e ilustrações que lhe faziam se sentir dentro do livro. Então, livros e desenhos traziam felicidade e entusiasmo para a menina tão recatada e silenciosa. Mesmo assim, desde cedo ela conheceu de perto o preconceito com a arte e a subjetividade. O mundo fez questão de insinuar a discriminação, dizendo: “Filho de pobre não pode se interessar por literatura e essas coisas de desenho”. Então, a menina que vinha trilhando um caminho mais florido, iluminado e cheio de aventura, cresceu e, obedecendo às regras sociais, pegou um outro, sem grandes emoções. Leia mais…

Raiane e Dayane: o maior desafio está fora do tatame

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Raiane Nascimento e Dayane Mayara. Foto: Blog do Rio Vermelho

Raiane Nascimento e Dayane Mayara, ou simplesmente as amigas Raiane e Dayane, brincam de boneca, sorriem juntas e cochicham sobre seus próprios segredos de menina. Dayane, 13 anos, desinibida, sagaz e um tanto serelepe e Raiane, 11 anos, mais tímida, mansa, porém muito firme e certa dos seus sonhos. Ambas soteropolitanas, moradoras dos bairros da Liberdade, no Curuzu, e da Fazenda Grande do Retiro, respectivamente, são de riso fácil, que aparece estampado nos rostinhos femininos, quando falam do que mais lhes dá prazer. E é aí que se diferenciam de tantas outras meninas por aí. Elas são atletas. São campeãs de karatê. Leia mais…