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Gilton das Cadeiras, um artesão a serviço do meio ambiente

Gente é pra brilhar

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Gilton: 'Pego pneu que não será mais usado e dou nova vida. É bom para mim e para o meio ambiente'

Texto e fotos de Pedro Moraes*

Funcionário público em horário comercial e artesão nos momentos de folga,  para Gilton Alves da Mota, ou simplesmente,  “Gilton das cadeiras”, um pneu usado e largado numa borracharia é sinônimo de arte, sendo matéria-prima para a construção de cadeiras arrojadas e arranjos para flores. A fórmula da transformação parece ser simples, porém, trabalhosa. “Primeiro separo, uma serra, lixadeira, faca, martelo e pregos, depois pego o aro do pneu, corto com uma lixadeira e divido em quatro partes, junto as duas e prendo com pregos. Com outro aro, coloco um trançado de borracha e faço um assento. Depois, pego mais um aro e fixo em um suporte de madeira para fazer o encosto”. Após finalizar a estrutura da cadeira, “faço o acabamento e com uma faca vou cortando os excessos de borracha. Em seguida, lavo para deixá-la bem limpa, até ficar no ponto ideal para pintar com a cor desejada”, explica Gilton.

A ideia de fazer esse trabalho surgiu de um bom bate-papo com a colega Conceição, que, percebendo a habilidade do amigo para o artesanato, ofereceu algumas dicas e transmitiu os primeiros passos. “Há uns seis meses, ela me deu uma noção e logo comecei a fazer as cadeiras e vasos. Hoje, já estou com outros planos, estou elaborando sandálias e um sofá. Mas só consegui, porque trabalhei com meu pai quando tinha treze anos na oficina dele. Na época, construía carros de madeira, candeeiros, cuscuzeiros e até aviãozinho, isso foi aumentando a habilidade para o artesanato”.

gilton pneus

De pneu inservível a cadeiras estilosas

“Trabalhar com esse material é importante, pego um pneu que não será mais usado, que só serve de entulho e dou uma nova vida a ele, nesses dias achei dois e fiz uma cadeira. É bom para mim e para o meio ambiente”. Quando não encontra pneus abandonados, Gilton gasta, em média, R$30 por peça. “Para fazer uma cadeira, utilizo dois pneus, a matéria-prima não é cara, mas o trabalho é grande, por isso venho fixando um preço. A depender do estilo cobro R$ 100”.

O trabalho de Gilton vem chamando atenção da região (Irecê-BA). Segundo o artesão, a lista de encomendas vem crescendo e frequentemente  muitas pessoas são atraídas pela beleza das cadeiras colocadas à porta para secar. “Quando deixo secando, sempre aparece alguém perguntando o preço e querendo comprar. Acabo de mandar treze cadeiras para Central (município da microrregião de Irecê) e estou trabalhando agora em outra encomenda maior”.

Pequenas ações, grande diferença para o meio ambiente

Iniciativas de pequenos recicladores, como Gilton e das grandes empresas de reciclagem fazem a diferença. Com 14 fábricas espalhadas pelo país, as indústrias pneumáticas fabricam por ano no Brasil cerca de 61,5 milhões de pneus. Os dados apresentados pela Associação Nacional das Indústrias pneumáticas podem ser vistos como um ótimo índice econômico, porém, além do consumo elevado influenciado pelas altas vendagens de veículos novos e usados, é preciso refletir sobre o que está sendo feito com os pneus desgastados, estimados em 30 milhões por ano, que se jogados na natureza demoram mais de 600 anos para se decompor.

Com o objetivo de minimizar a degradação causada pela fabricação do pneu, foi desenvolvida uma técnica de recauchutagem, colocando novas camadas de borracha nos pneus antigos, a iniciativa garante o dobro de vida útil para a unidade, gerando uma economia de matéria-prima em 80%. O Brasil ocupa a 2º posição no ranking mundial de recauchutagem.  Além dessa possibilidade, grandes empresas se especializaram na reciclagem dessa borracha, servindo para pavimentação, cobertura de áreas de lazer e quadras esportivas, produção de tapetes para automóveis, sapatos, sandálias, colas, adesivos, câmaras de ar, rodos domésticos, tiras para indústrias de estofados e buchas para eixos de caminhões e ônibus.

Contato: Se você se interessou pelo trabalho de Gilton das Cadeiras, entre em contato com o artesão: (74) 9997-1698

*Pedro Moraes é jornalista e especialista em Cinema pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

  1. 27, dezembro, 2009 em 16:11 | #1

    São essas ações que devem se expandir para que a reciclagem não seja apenas um modismo, mas que funcionem como uma atitude de consciencia ecológica e aproveitamento de materiais inusitado e sem serventia, retirando do meio ambiente materiais altamente poluentes como os pneus.

  2. Fernanda Barreto
    28, dezembro, 2009 em 08:38 | #2

    adorei a ideia! quero uma!

  3. 12, março, 2010 em 12:13 | #3

    Valeu boa sorte, e um bom dia.

  4. jaqline
    16, março, 2010 em 22:44 | #4

    as caderas são muito interesantes uma arte ecologicamente coreta alem de muito lindas parabens!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. 13, maio, 2010 em 01:28 | #5

    olá, gostaria de saber se este artesão é a mesma pessoa que conheci há mais de 20 anos da cidade de Barra-BA, se for, estou interessada em ganhar um brinde igual a esta cadeira maravilhosa, Gilton!
    Penha

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