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Bodas de Coração

Com a palavra...

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Aline Santana Alves*

Hoje pela manhã, no Dique do Tororó, passei por um casal de idosos que caminhava em sentido contrário ao meu. Eles deviam ter mais de oitenta anos, mas seguiam juntos, como crianças pequenas quando resolvem passear de mãos dadas, com passos curtos, um dando suporte ao outro na caminhada. Não é a primeira vez que os vejo por lá, o senhor usando boné e a senhora com chapéu de palha; deve ser um hábito para prolongar o tempo que eles têm juntos.

Vendo este casal, perguntei-me há quanto tempo eles estariam juntos. Uns sessenta anos, deveras. Então fiquei tentando lembrar que bodas seriam essas, mas, como não tinha o Google ao meu alcance, não pude me responder com certeza. Então, voltando para casa, resolvi me dar uma resposta que me soou bem adequada: eles faziam Bodas de Coração. Independente de quantos anos eles estavam juntos, senti que aquelas eram Bodas de Coração.

Pensei nos casais que mal se aguentam com alguns meses de casamento, nos que traem na primeira oportunidade, nos que desistem de si nos menores problemas e naqueles que passam anos juntos sem de fato se olharem. Lamento pelos casamentos que ruem por puro egoísmo ou por falta de compromisso, mas compreendo que, da mesma forma que o amor começa, ele pode terminar; neste caso, melhor mesmo desmanchar antes que alguém se machuque. Acho cruel o tal de “até que a morte os separe”, pois mais adequado seria “até que a vida os separe” e, como a morte faz parte da vida, ela não deixaria de ser uma possibilidade. Quando passa a paixão, amar de verdade é necessário e, quando passa o tempo, é imprescindível que estas duas pessoas se gostem, curtam a companhia uma da outra e que exista amizade.

Falando em amizade, recordei-me de um almoço para comemorar trinta anos de amizade, no qual fui de penetra. Apesar do hiato de telefonemas e encontros, as amigas conversaram com tranquilidade, não havia estranhamento, apenas saudade; saudade uma da outra e saudade de um tempo que é tão delas, que elas guardam com carinho. A amizade sim me emociona, deixa-me sem palavras, pois se trata de um compromisso forte e intenso, que ocorre aos poucos, sem necessidade de juramentos ou testemunhas.

Descobri que sessenta anos de casamento são Bodas de Diamante. Discordo. Para mim, os velhinhos merecem mais: eles estão sim em Bodas de Coração, assim como todos os casais de verdade. Não importa se estão juntos há um ano ou há oitenta, o importante é que andam juntos, de mãos dadas, olhando para frente e se olhando.

*Aline Santana Alves é publicitária

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  1. daniela
    8, fevereiro, 2010 em 23:50 | #1

    Muito bom o texto!De uma sensibilidade encantadora…parabéns.

  2. RÊ ARAÚJO
    9, fevereiro, 2010 em 07:13 | #2

    CONCORDO PLENAMENTE, QUE VEMOS HJ EM DIA É A FALTA DE PACIÊNCIA, O ESTRESSE, A FALTA DO RESPEITO A INDIVIDUALIDADE DE CADA UM, NÃO FOI PQ CASARAM QUE SE TORNARAM UM SÓ, SÃO DUAS PESSOAS DIFERENTES, QUE PODEM VIVER HARMONICAMENTE, SABENDO LIDAR COM AS DIFERENÇAS.

  3. Mônica Bichara
    9, fevereiro, 2010 em 14:22 | #3

    Lindo, Aline. Admiro você ainda mais a partir desse texto. beijão

  4. Mônica Bichara
    9, fevereiro, 2010 em 14:24 | #4

    Ah! Que Deus tenha te reservado um amor digno de comemorar Bodas de Coração, independentemente da duração.

  5. Isabel Santos
    9, fevereiro, 2010 em 19:29 | #5

    Que coisa linda – Bodas do Coração. Você emocionou, Aline. Faço minhas as palavras/desejo de Mônica. Beijo grande.

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