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Caso Bruno – apenas um choque de realidade

Infinito Cotidiano

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O goleiro Bruno, com o uniforme da penitenciária de Minas Gerais

Anestesiados pela violência cotidiana, já tão banalizada, precisamos de vez em quando fazer contato com casos inimagináveis como o do goleiro Bruno para sair da nossa zona de conforto. Eu disse precisamos? Não, não precisamos! Por outro lado, está comprovado que somente o horror em seu grau mais extremo, só a sordidez mais baixa e a crueldade em nível patológico são capazes de nos sacudir do nosso alheamento. Casos como o dos namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, do casal Von Richthofen, do menino João Hélio e da menina Isabella Nardoni, em nível nacional.  Ou, em âmbito local, a nossa dose de maldade exacerbada, representada em homicídios emblemáticos como o do adolescente Lucas Terra (violentado, estrangulado e queimado vivo em 2001), dos imãos Mauricio e Oayssa, estrangulados dentro de casa em 1984, no subúrbio de Salvador tendo a mãe como principal suspeita. Ou, ainda, para citar um caso mais recente, a tortura sofrida pelo garoto M., dois anos e meio, que, no ano passado, teve o corpo perfurado por mais de 20 agulhas, introduzidas pelo padrasto, numa cidade do interior baiano e somente sobreviveu devido à perícia e dedicação de profissionais de saúde que o atenderam em Salvador.

Ocorre que – um estudioso do comportamento humano certamente explicaria melhor o que a minha visão leiga ousa sugerir – encharcados da violência nossa de cada dia, já nem nos abalamos mais diante de cadáveres, expostos na TV enquanto degustamos a sobremesa do almoço. Tampouco nos assustamos ao constatar que as estatísticas confirmam o descontrole da segurança pública. O que são números, se ainda não fazemos parte deles?

O que dizer então, quando somos  sacudidos por dramas, digamos, menos comuns, como o de uma trama macabra envolvendo cobiça, traição, promiscuidade, tortura, morte e – o detalhe que faz a diferença final! – despojos mortais devorados por cães? Imaginamos, naturalmente, que nada pode ser pior do que aquilo. Secretamente (muito secretamete, aliás) sentimo-nos aliviados porque o horror mais uma vez passou ao largo da nossa porta. Sofremos, como espectadores, a carga emocional decorrente do bombardeio de informações e detalhes veiculados pela mídia (o circo formado por emissoras de TV é simplesmente grotesco!), mas, no final, saboreamos, por assim dizer, a vitória de não sermos personagem da tragédia em foco.

Mas, que não nos enganemos. O pior está por vir. Quando sofríamos com os pais de João Hélio, o menino que morreu ao ter o corpo arrastado pelas ruas de São Paulo, não imaginávamos as atrocidades que seriam cometidas contra Eliza Samudio e que quase alcançam seu bebê de quatro meses (sabe-se agora que a criança também estava na mira dos criminosos e escapou por pouco). Então, conformemo-nos, a próxima onda de maldade é só uma questão de tempo. Pode estar acontecendo neste exato momento. Ou alguém acredita que a tortura a que Eliza foi submetida representa o grau máximo de maldade de que um ser humano é capaz? Não nos enganemos, repito. O caso Bruno & Eliza nos remete a séries de TV Criminal Minds, CSI afins?… Ora, afinal de contas, quando não são baseadas em fatos reais, essas histórias não são escritas por alguém? Então, guardadas as proporções, se existe uma mente humana capaz de construir uma ficção tão próxima à realidade por que a realidade não poderia imitar a ficção?… E o que representam essas misérias humanas senão a possibilidade de reconhecermos quão falível é o ser humano com a sua humana capacidade de revelar o monstro que abriga dentro de si? Na verdade, reconheçamos, o caso Bruno é apenas um  choque de realidade para pôr à prova a nossa capacidade de ainda nos importarmos com o que se passa para além da porta da nossa casa.

  1. Henrique Lustosa
    10, julho, 2010 em 20:38 | #1

    PARABÉNS…
    INFELIZMENTE VEJO A MÍDIA E O SHOW.
    Neste o TJ-MG – vai querer demonstrar trabalho pois existe uma competição no eixo RJ/SP/MG de Juristas. O poir é depois.
    Lá vem os beneficios da lei de execuções penais e outra realidade desconhecida e escondida por debaixo dos tapetes da Justiça X Governo de Estado.
    Essa briga e feia…

    É o judiciário leva a pior. Pois é forçado a dar indultos etc.
    Pelas pressões de surgimento de vagas para evitar as superlotações.
    Agora o bonitinho é falar em penas alternativas.
    Pode até ser bom. Lógico para a máquina do estado é hiper ideal.
    Não foi ingressar no mérito das penas alternativas.
    NOSSOS GOVERNANTES SÃO INCOMPETENTE EM PLANEJAMENTOS DE VERBAS PÚBLICAS NO INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO, SAÚDE, TRABALHO, SEGURANÇA PÚBLICA E O SISTEMA PENITENCIÁRIO.
    TENTOU-SE CÓPIAR AS PP (PÚBLICAS E PRIVADAS) NOS ESTILOS AMERICANOS.
    NEM PRECISO CITAR COMO FUNCIONA NO USA OS PRESIDIOS.
    AQUI TUDO É COMPLICADO E SEM ESTRUTURA.
    JÁ VI UM JOVEM QUE RESOLVEU ENTRAR NO PROGRAMA DE TESTEMUNHAS. FAZ UM ACORDO COM A JUSTIÇA… E FICOU NA PIOR – POIS NO INTERIOR NÃO TINHA ESTRUTURA…
    NO FINAL ELE FICOU EM UMA CELA SOZINHO DENTRO DO PRESIDIO E PIOR SOBRE AMEAÇAS DE INTERNOS. As autoridades ESQUECERAM DELE…
    SEM RISADAS… FOI VERDADE.
    SERIA MELHOR ELE TER PEGO A PENA DELE… DEPOIS SAIR NA BOA NA EXECUÇÕES PENAIS…
    Não TERIA OS INIMIGOS QUE FORMOU COM A SUA ATITUDE DE ENTREGAR SEU GRUPO.
    Realmente a vida e cheia de armadilhas.
    Mais pelo menos a roupa vermelha de Minas serviu de bom tom para o Goleiro Bruno.
    Para quem afirmou que iria dar risadas no final.
    JUSTIÇA termo usado ao final de uma peça criminal.

  2. Henrique Lustosa
    11, julho, 2010 em 06:21 | #2

    Presos em Minas já disputam o ‘passe’ do goleiro Bruno
    No início da carreira, atleta defendeu time de funcionários de prisão. Se quiser jogar, terá de esperar até um mês para sair do isolamento

    No início da carreira, atleta defendeu time de funcionários de prisão.

    Jogar na cadeia não será novidade para o atleta. No início da carreira, Bruno defendeu o time da Associação de Funcionários da Penitenciária José Maria Alckmin e, sempre que convocado, participava dos torneios da unidade prisional. “Ele sempre foi alto e forte, maior que os garotos de sua idade. E o talento já estava lá, pronto para ser lapidado”, lembra Edson Alves, o Fera, o primeiro treinador.

  3. mariana
    11, julho, 2010 em 22:01 | #3

    As vitimas da enchente em Alagoas e Pernambuco sairam da midia, pois falar de Bruno dá mais audiencia.

  4. Henrique Lustosa
    12, julho, 2010 em 05:06 | #4

    POIR – ACABEI DE ASSISTIR O JORNAL SBT MANHÃ. E não acreditei no absurdo que escutei
    Imagine as pessoas resolveram visitar presos ou ir até o portão do presidio para ver
    o goleiro Bruno. Outro disse: “que era vizinho de uma pessoa famosa”.
    Sinceridade. Distorção de valores por completo. Vc está certa Mariana.

  5. Isabel Santos
    12, julho, 2010 em 15:11 | #5

    O caso Bruno, em especial, daria inúmeras e mais inúmeras reflexões sobre o mundo do futebol, onde jovens carentes vão como cometa para o mundo do dinheiro sem encontrar a sensibilização por parte dos clubes para seus dramas, a sua real situação como ser humano – nem que fosse uma orientação para que estudem, procurem um terapeuta…, que muito bem poderiam pagar com o dinheiro que recebem. Mas, não. O que interessa é tão somente o jogador, aquele que vai render milhões (como não sou conhecedora do mundo futebolístico, talvez esteja divagando, mas é assim que enxergo). Um técnico de Bruno disse que quando ele era adolescente já demonstrava o dom para o futebol, porém apresentava problemas de comportamento, provavelmente nos treinos. E aí, será essa situação foi olhada com outro olhar, ele foi “ajudado”. Afinal, nessa idade é preciso que os adultos ajam. Estou aqui apenas observando um dos vários ângulos dessa tragédia…

  6. Henrique Lustosa
    12, julho, 2010 em 20:15 | #6

    Concordo plenamente com a Sra Isabel Santos, melhor ainda, quando o jogador Bruno deu o primeiro sinal de problemas em boates no RJ, com prostitutas, a direção antiga e a atual já deveria ter chamado para uma conversa franca. A situação não foi a primeira
    de escandalos em Delegacias, não apenas aquela de Minas, que o Flamengo saiu derrotado e ele foi para um brega, levou as meninas para seu sitio e com demais jogadores deram porrada, nas meninas… Dai já era o sinal vermelho, a mesma situação com meu Vitoria com certo jogador, que inclusive já andou saindo no A queima roupa por agredir mulher e andou com problemas com a Policia e Justiça. Não estou julgando…. Mais o Sinal também de alerta ao Vitória.

  7. mariana
    12, julho, 2010 em 23:29 | #7

    Na toca tem um desses não seria melhor domá-lo???

  8. 15, julho, 2010 em 17:32 | #8

    Olá!

    Leia artigo isento de sensacionalismo. Uma análise objetiva sobre o caso Bruno. Caso goste, divulgue e comente. Acessar em:

    http://www.valdecyalves.blogspot.com

  9. ergina da silva lima
    1, agosto, 2010 em 15:03 | #9

    Obrigada Valdecy por melhorar meus conhecimentos sobre o comportamento humano. Perfeita análise no seu artigo. Parabéns.

  10. Sergio G.
    1, agosto, 2010 em 23:10 | #10

    Eu que não tenho nem assisto televisão vivo me informando “pelas beiradas”, Fico estarrecido como todos os meus interlocutores – até gente bem do facebook – conhece, toma partido e unanimemente hoje odeia o jogador Bruno. Nunca ouvira falar desse rapaz antes, não gosto de futebol, não “vibro” pela seleção ou por qualquer time que seja. A maioria dos jogadores e tecnico me é desconhecida. Fico surpreso com dois fatos que tenho a certeza de ter constatado de verdade: o ódio declarado a esse rapaz desde o momento que era um simples suspeito, a certeza de ele ser o criminoso e os adjetivos depreciativos lançados à sua pessoa, e ao seu caráter. E eu me perguntando se essas pessoas que assim se expressavam: “Sera que eles o conhecem? já o viram ou o ouviram falar, agir?”
    A segunda coisa é o total desconhecimento de tudo o mais que tenha a ver com os destinos deste pais em época de eleição, a saber: a plataforma dos candidatos, os seus programas, e até as suas promessas.
    Creio que é muito fácil dirigir os pensamentos das pessoas colocando em relevo as tragédias, os crimes insolúveis, as ambiguidades dos gestos criminosos, e a espera dos próximos capítulos, um crediário…
    Por mais honestos que sejam muitos jornalistas é a imprensa que desfigura a imagem de personalidades como Bento (Benedito) XVI com caretas e ares satânicos; que foca também o sorriso dos implicados neste desaparecimento criminoso dessa Eliza, e que me conta que uma octagenária é traficante falando de alguém que, quando muito deve guardar a droga para garantir-se um teto, uma enxerga e o direito de comer um pouco. Refens de tanta liqüidação, de tanto parto e casamento de celebridades; regados ao molho-bruno, ao que disse um pai, um vizinho, um estudante, uma prostituta sobre a sua culpabilidade ou inocência, deixamos de prestar atenção e pensar em coisas importantes! Doi também ver o sorriso entendido daqueles que ainda não soportam ver jogador casar com louras!

  1. 10, julho, 2010 em 23:19 | #1
  2. 2, agosto, 2010 em 00:12 | #2

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