O lapidário

Com a palavra...

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* Rosana Bagdeve

Curioso como as palavras aparecem no dicionário, distantes das que lhes são antônimas. Talvez, porque a ação de uma distingue-se inconteste da ação da outra.

E não seria diferente com a palavra LAPIDAR e o seu oposto: dilapidar. Enquanto esta significa estragar, arruinar, lapidar quer dizer: 1. traçar as facetas de uma pedra preciosa e polida; educar bem, aperfeiçoar (Dicionário Gama Kury da Língua Portuguesa); sendo verbo transitivo direto, exige objeto e, como verbo, pressupõe um agente da ação: o lapidário; o que parece expressar uma missão do Ser Humano com o mundo que o cerca.

E essa missão, como bem podemos deduzir, na diz respeito apenas às pedras, nas quais, através do trabalho de lapidação, desvenda-se a faceta preciosa, mas às pessoas, e, também, às situações que surgem, aparentemente adversas, mas sem dúvida, instigadoras da ação do lapidário. Nesse processo, não podemos esquecer de nós mesmos, quando ocorre um lapidar a si mesmo, através do autoconhecimento.

Desse modo, somos todos lapidários, entretanto, essa característica sofre a ameaça do mundo externo, que, a cada dia, disponibiliza o que desejamos na forma, textura, tom, velocidade, levando-nos a uma alta rotatividade de coisas e pessoas, na maioria das vezes, de maneira inconsciente, despercebida.

E, de lapidários, passamos a seletivos, escolhendo as coisas e as pessoas pela forma final como se apresentam. É como alguém que vai a um fast-food pela primeira vez e, dentre os cartazes dos variados pratos prontos, espalhados bem à vista dos clientes, opta pelo que lhe agrada a visão, ou se assemelha mais as suas experiências anteriores de resultados positivos.

É fácil compreender que, dessa forma, estaremos excluindo de nossas vidas, por vezes, definitivamente, a possibilidade de conhecer o diferente, ou descobrir variáveis compensatórias, visto que nada, ou ninguém possui todas as competências que precisamos ou desejamos. E, ainda, utilizando um exemplo de alimentação, nunca descobriremos que é possível produzir um delicioso aperitivo com o jiló, porque temos aversão ao seu característico amargor.

Ser lapidário é compreender que a ênfase não está no belo em si, nem na descoberta surpreendente que fazemos quando saímos da contemplação distante e nos aprofundamos no interno do SER das COISAS, das STUAÇÕES que antes nos pareciam tão adversos; nem tampouco, ser lapidário está em dar ênfase ao essencial, invisível aos olhos, e que só pode ser visto bem com os olhos do coração, como sabiamente disse Exupéry em sua obra O Pequeno Príncipe.

Ser lapidário é dar ênfase à postura que busca o belo, a profundidade do interno, o invisível aos olhos e, por isso, não perde de vista a possibilidade do construtivo, do agregador.

Se não mantivermos essa habilidade, iremos passar por caminhos, chutando para longe de nós, pedras que encerram em si, verdadeiras preciosidades, por terem apenas a aparëncia de pedras, ou qualquer detalhe que nos desagrade.

Lapidário, é, acima de tudo, ter a força de luta que promove a ação saudável no presente, e a esperança que garante a crença de uma mudança construtiva contínua, rumo ao amanhã.

* Rosana Bagdeve é professora licenciada e administradora. Especialista em Educação Superior. Practitioner em Programação Neurolinguístia (PNL). Consultora organizacional. Especialista em Danças Circulares e Terapia Holística do Tai Chi Chuan.

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  1. 31, julho, 2010 em 20:48 | #1

    Rosana, minha irmã de coração, obrigada por estar na minha vida, vc faz realmente a diferença, sempre! Amei seu texto e gostaria de compartilhar a experiência que tive quando vc disse “lapidar a si mesmo, através do autoconhecimento”. Por um instante, pensei que não apenas o autoconhecimento proporciona a lapidação de nós mesmos, mas o conhecimento de tudo o que nos cerca. Mas, logo em seguida, a idéia inicial se desfez, pois lembrei-me de que tudo o que nos cerca nada mais é do que nós mesmos, refletidos em nossa percepção… Ou, melhor ainda, somos células componentes do vasto universo que é o mesmo que DEUS, assim como somos um UNIVERSO para as células e microorganismos que habitam nosso corpo. Ao invés de procurarmos “vida” em outros planetas, o que até agora não foi encontrado e talvez nunca seja, poderíamos entender que somos um tipo de vida neste tempo e espaço com um objetivo de existência assim como as células de um determinado órgão de nosso corpo, executando uma determinada função e morrendo ao mesmo tempo em que nascem outras para lhe continuarem a trajetória até que o corpo, como um indivíduo, cumpra as etapas de desenvolvimento e volte para suas origens, assim como os sóis e os universos têm seus renascimentos… Solicito autorização para publicar em meu site um trecho do seu texto, com a referência para este endereço. Beijos e coragem sempre!

  1. 30, julho, 2010 em 09:47 | #1
  2. 5, agosto, 2010 em 22:26 | #2

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