O caso do piolho

Não ria que é sério

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ilustracao-do-google-para-materia-do-piolhoMeu irmão é do tipo que adora criança. Daqueles que pegam meninos como se fossem pacotes, jogam para cima e aparam no ar. Lembro de minha mãe aflita e assustada, correndo e pedindo: “Rei, não faça isso” (é, ele era o Rei dela. O primeiro filho, depois de duas filhas). Mas não tinha jeito, porque os guris, como ele costuma chamá-las, sempre se entregavam às brincadeiras e faziam filas disputando a vez. Era ele chegar em casa e a folia começava. Adolescente, os meninos batiam na porta lá de casa, bola embaixo do braço, procurando pelo “amigo” para jogar futebol, outra paixão da vida dele. E minha mãe protestava: “Mas por que esses meninos ficam atrás de Rei?” E lá ia ele, o eterno meninão, se misturar com a gurizada. Adulto, já não cabiam mais os babas com um bando de garotinhos, e o amor passou a se traduzir de outras formas, por meio de atenção e carinho, agora dividido também com os sobrinhos. Hoje, adepto da doutrina espírita, ele não só freqüenta, como também trabalha em um centro. Numa das reuniões, percebeu que um menino estava com um ar triste e ficou preocupado e comovido. Aproximou-se e perguntou se ele estava bem. O garoto respondeu que sim. Ele continuou a observar e não se convenceu. Novamente perguntou e outra vez a mesma resposta. Mas havia alguma coisa errada sim com aquele garoto, ele tinha certeza e insistiu na pergunta. “O que é que você tem?”. E aí, veio a resposta, inesperada e surpreendente: “Piolho. Estou cheio de piolho. Coça até os olhos”.

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