Ainda há muitos muros que precisam cair

Envie este texto por e-mail para um amigo.
Paulo Cezar Soares*
A comemoração dos 20 anos da derrubada do Muro de Berlim e o fim da Cortina de Ferro, com debates e matérias nos jornais e nas emissoras de televisão, deixou à mostra, mais uma vez, os argumentos daqueles que advogam ser o capitalismo o melhor dos sistemas.
A queda do muro não significou o fim do socialismo, que não acabou em 9 de novembro de 1989. Findou-se o comunismo, vítima dos seus próprios erros. Surge então o liberalismo econômico, que receberia o nome de neoliberalismo.
Com o novo cenário, o capitalismo, na sua roupagem neoliberal, ficou mais agressivo, insensível, sem levar em conta – em nenhum momento -, o ser humano. Começou a ocorrer uma série de novidades com uma velocidade impressionante, entre elas, a questão das privatizações, ocasionando o desemprego em massa. Leis de amparo social foram modificadas, desrespeitando direitos adquiridos constitucionalmente.
Mas, isso, para o mundo corporativo e financeiro, não tem a menor importância. O mercado passa a ser o grande regulador de tudo, sem preocupação com o lado social. Na verdade, o que vale é o lucro. Ganhar, ganhar e ganhar. O resto é detalhe.
Tudo isso recebeu o apoio irrestrito da nossa imprensa. Aqueles que questionavam “os avanços” do novo sistema eram taxados, com desdém, de dinossauros. Esses não acompanharam o pragmatismo do neoliberalismo. Mantiveram-se firmes nas suas críticas e convicções, de que um outro mundo é possível.
A crise econômica que tomou conta dos Estados Unidos é uma prova disso. Os critérios, as estratégias e o discurso do capitalismo selvagem e especulativo não se sustentaram. Um desastre total, que agora Barak Obama está suando a camisa para consertar.
Prêmio Nobel de Economia em 2008, Paul Krugman publicou em 2003, A Desintegração Americana (Editora Record), onde mostra o que levou a economia americana ao colapso. Krugman, ao exemplo dos profetas, previu tudo.
Ao longo desse período, até chegar ao colapso do sistema, que deixou o mundo perplexo – com exceção dos dinossauros – a vida ficou mais difícil. Entre diversos problemas, as pessoas perderam o afeto, os “laços de sociabilidade”, expressão usada pelo sociólogo Emir Sader, no seu livro Século XX – uma biografia não autorizada. O século do imperialismo – (Editora Fundação Perseu Abramo).
O mundo piorou. E muito. Embora o Brasil seja um país cristão, isso não transparece na rotina das pessoas. Percebe-se isso claramente. Há falta de humanismo e ética. Sobram acidez nas críticas e uma incapacidade atroz de ajudar o semelhante, sem esperar nada em troca. Não raro, no nosso relacionamento interpessoal, nos defrontamos com muita mesquinharia e falta de compaixão, valor fundamental em qualquer religião, típico no agir de Jesus.
Durante um debate em que estive presente por ocasião da comemoração dos 20 anos da queda do muro, houve uma acirrada polêmica entre um senhor da plateia e um dos debatedores. E, a certa altura, o senhor disse: o Muro de Berlim caiu. Mas existem outros muros que também precisam cair. Sábias palavras.
* Paulo Cezar Soares é jornalista e teólogo. Carioca “por acidente” e residente no Rio de Janeiro-RJ, diz ter a alma baiana.
Os artigos publicados nesta seção são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do À QUEIMA ROUPA.





























Hi. I read a few of your other posts and wanted to know if you would be interested in exchanging blogroll links? (Oi. Eu li alguns de seus outros posts e queria saber se vocês estarias interessados em trocar links?)