Sônia Costa: a arte que vale quanto pesa

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Sônia Costa: "Na arte eu me expresso livremente".
Quem nunca viu nas feiras do Instituto Mauá ou em casa de amigos esculturas de barro de negras gordinhas “toda prosas”? Quase sempre deitadas, elas estão de vestidos coloridos, com o rosto bem delineado e os cabelos cuidadosamente penteados… Decerto que as “gordinhas” mais conhecidas são obra da artista plástica Eliana Kertész - três delas, imponentes, ilustram a paisagem do bairro de Ondina, em Salvador. Mas há uma diferença: as de Eliana, nem sempre são negras. Já as gordinhas de Sônia Costa, 53 anos, também artista plástica, de sorriso fácil e contagiante, jeito meigo e acolhedor, são sempre negrinhas e cheias de charme, “pois é assim a maioria das mulheres baianas”, explica. Moradora do Sieiro, na região da Liberdade, Sônia possui um atelier na Avenida Peixe – via que liga, dentre outros, os bairros de Pero Vaz e Caixa d’Água – e que costuma freqüentar o noticiário policial como cenário de ações violentas.

As negras gordinhas: "Pois é assim a maioria das mulheres baianas"
Tudo começou em 1978, quando ela ingressou no curso de Educação Artística (habilitação em Artes Plásticas) da Universidade Católica de Salvador. A então jovem pessimista chegou a duvidar ser possível viver de arte e até pensou em fazer carreira na agronomia. Tudo por conta do dinheiro. Afinal, é racionalmente natural ter um pé atrás sobre a profissão de artista, quando não se vem de um bairro nobre e muito menos de família rica, como Sônia, filha de feirante com empregada doméstica.
Mas, entre razão e sentimento, prevaleceu a paixão pela arte. “Fiz minha inscrição no vestibular, junto com uma amiga, passei, me formei e hoje estou aqui, feliz com meu barro. Sou da primeira turma de Artes Plástica da Católica!”, festeja. Na família não há notícias de nenhum outro talento artístico: “Minha família me acha uma doida!”, brinca a artista, que, na universidade, participou do diretório acadêmico (DA), organizou e participou de muitas feiras de artesanato. “Éramos muito ativos e reivindicativos também!”, ela lembra, surpresa com o paradeiro da meninada de hoje: “Embora sejam muito bons no que fazem, os estudantes de hoje são muito acomodados”, avalia.

Quando ainda era estudante, Sônia fez um curso de escultura em cerâmica na Aliança Francesa de Salvador e, a partir daí, definiu sua área de trabalho. Houve um tempo em que confeccionava e vendia camisas, bijuterias e pratos, mas a sua paixão está mesmo nas negras gordinhas que surgiram, “por inspiração divina” (depois de pedir a Deus uma idéia de escultura que fizesse sucesso), conta. “Eu levei para o Cafelier (galeria-café situada no Centro Histórico de Salvador) e fez o maior sucesso! Passaram a pedir a escultura e virou a minha marca”. Após algum tempo, ela percebeu: a negra gordinha que lhe traz tantas alegrias é a representação fiel da sua mãe, a quem ela devota muito carinho. Algumas peças são inspiradas também na sobrinha Ana Paula.
Mas, apesar do talento de que é dotada e do sucesso de sua negra gordinha, Sônia – artista plástica há aproximadamente 30 anos – ainda não alcançou a notoriedade merecida. Parte desse anonimato ela credita ao fato de ter se afastado temporariamente do mercado para se dedicar à sua religião, a Seicho-No-Ie. Porém, ela reconhece que a falta de recursos financeiros também compromete a desejada visibilidade. Para produzir suas peças, ela utiliza um forno de segunda mão, que comprou por R$ 600. Um forno novo custa em torno de R$ 6.000!
Recentemente, ela foi indicada através do Cafelier, onde tem alguns trabalhos à venda, para participar da Roda de Negócios do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). A chance é única e muito bem vinda, pois, mesmo sendo artista plástica há tantos anos, é a primeira vez que ela encara o mercado de frente. A partir desse convite, suas peças já foram vendidas para São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e para fora do país. Ou seja, Sônia está engatinhando no mercado, mesmo já sendo mestre no que faz. Diante do sucesso alcançado pelas negrinhas, ela já avisa, em meio a gargalhadas gostosas: “Vai vir por aí a família toda da gordinha! Criança, pai, avó… Aguardem novidades!”
Entre o lúdico da arte e a dureza da realidade
No atelier da Avenida Peixe – localidade inscrita pela polícia no mapa de áreas críticas de Salvador – Sônia alterna momentos de criação artística com a atenção aos meninos da área, expostos à violência. “Meu trabalho com o barro me aproxima desses meninos, porque, querendo ou não, é uma novidade para eles. Alguns até entraram num curso de cerâmica”, comenta.
As crianças visitam o atelier por motivos variados. Alguns querem barro para brincar ou algum lanchinho. Outros, querem uma ou outra escultura descartada pela artista para vendê-la e obter algum dinheiro. É o misto da leveza infantil com a necessidade ou hábito de “se virar” para ganhar um trocado, como constata Sônia.
Na mesma Avenida Peixe em que meninos inocentes rodeiam o atelier de Sônia, floresceu a fama de um dos mais célebres bandidos de Salvador, Amaro da Silva Rodrigues, o Amadinho, morto pela polícia em janeiro de 1996. Embora não o tenha conhecido de perto, a artista sabe “de ouvir falar” das ações a ele atribuídas. Outras faces da violência passam rente à porta do espaço criativo: há pouco mais de um mês ela ouviu rumores sobre um suposto toque de recolher na região, que começou no bairro de Santa Mônica, em plena tarde de sol. “Parei de ouvir o som alto dos carros e as risadas dos vizinhos e estranhei. Quando me disseram do toque de recolher, chamei alguns meninos para fazermos uma oração, com medo que a polícia invadisse o bairro e começasse o tiroteio”. A polícia não invadiu, mas o medo persiste na área.

Sônia, no seu atelier




























Parabéns D. Sônia. É sempre bom saber que nesse local também existe cultura, pois pessoas de bem e do bem, fazem parte do maior grupo de moradores dessa área da Liberdade. Sucesso!
agradeço a materia com meu trabalho.agradeço a Flavia(lindamente interior e exterior);não conhecia este jornal.vou indicar p/ os amigos.obnrigada
agradeço a você sonia pela atenção e pelo carinho! um beijo
@Valter Menezes
agradeço por ter lido a materia.agradeço por gostar das minhas negras.
Lindo trabalho esse da artista Sônia Costa. E do blog por mostrar que os grandes talentos estão espalhados por todos os cantos e que apesar da imagem negativa forjada pela mídia a Avenida Peixe, assim como todo o bairro da Liberdade, é endereço de famílias de bem. Os marginais não são a regra e sim a exceção, como acontece em qualquer outro bairro.
Tia Sônia adorei a entrevista que foi feito com vc, devo estar em falta com vc, porque nunca mais fui ai na casa de minha avó. Eu sou a sua fonte de inspiração….
kkkkkkkkkkkkkkkk…………
bjosss!!!! Tia e espero q Deus te abençõe e te guarde e te ilumine para que possa fazer muitas esculturas….
Parabéns para essa grande artista, um exemplo para quem ainda tem receio de mostrar o dom que tem. Belas e fofas meninas, essas que dona Sônia cria. Sucesso, sempre.
Sônia, quero lembrar que mesmo antes de vc ir para a faculdade já demonstrava seu dom, com publicação, inclusive, num jornal de grande circulação aqui de Salvador, não recordo a data. Mesmo que não demonstre sou uma das admiradoras de suas obras, não só das cerâmicas, mas de tudo o que vc já fez, sendo que o que mais gostei foram as pinturas, tanto de camisas, quanto de tecidos. Continue. Pois quem luta Deus ajuda. sua irmã Lourdes.
Eu conheço Sônia e os seus trabalhos; ela é uma pessoa maravilhosa e uma artista muito talentosa também!!
Sucesso minha amiga!
Bjssssssss
Geise Ferreira