Lourdes Machado, de metamorfose ambulante à verdadeira Dilu

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Maria de Lourdes Santos Machado, a Dilu, é pós-graduada em língua inglesa, professora de inglês, foi secretária bilingue em várias multinacionais e morou em Londres por três anos, trabalhando no escritório do Adido da Aeronáutica da Embaixada do Brasil. Embora o currículo seja admirável, Dilu é bem mais do que todos esses títulos podem sugerir.
Dilu é daquelas pessoas que não deixam passar nenhuma oportunidade de mudança, renovação e experiência na vida. E, mais ainda, não deixa passar nenhum desafio. Nascida em Ubaitaba, sul da Bahia, foi uma menina tímida, nascida numa família tradicional dos tempos áureos do cacau. Sua mãe, católica fervorosa, levava ela e seus dois irmãos para a missa todos os domingos, sem falta.
Além das missas, havia os saraus organizados pela mãe, que pedia para os filhos recitarem poemas para as visitas, e isso era uma tarefa árdua para a tímida Dilu, uma obrigação. Mesmo cheia de amarras, a menina recitava os poemas mais lindos para a alegria da mãe, não sabendo que ali nascia uma futura poeta, cantora e escritora. A verdadeira Dilu.
O perfil artístico da mãe fez com que Dilu e os dois irmãos desenvolvessem também essa característica de forma bem marcante. Eles cresceram, seguiram profissões diferentes, mas nunca perderam o interesse pela arte. Ainda jovens, participaram juntos, em 1966, do 1º Festival Regional da Canção de Ilhéus e Dilu, com 15 anos, ganhou 1º lugar como intérprete, e o concurso literário promovido pela ” El Ateneo do Brasil”.
Em paralelo, as três crianças ubaitabenses também aprenderam sozinhas o inglês. Não tiveram aulas e nem contato com estrangeiros. E essa facilidade e domínio da lingua inglesa abriu muitas portas para Dilu que, aos 17 anos, teve seu primeiro emprego como professora de inglês, ainda em Ilhéus.
A partir desse emprego e dominando o inglês não parou mais de trabalhar. Mudou-se para Salvador, em 1976, formou-se em pedagogia, e seguiu a roda viva. Muitos convites apareceram, inclusive os mais financeiramente interessantes. Trabalhou muitos anos na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) como secretária bilingue e relações públicas e se tornou uma grande executiva, com direito a tudo: meias finas, terninhos, cabelos presos, saltos finos e estresse. 
Mas, como a verdadeira Dilu era aquela de Ubaitaba, que gostava de recitar poesias, escrever e dar aulas de inglês, essa “boa vida” não lhe trazia tanta felicidade. Insatisfeita, e a convite de uma prima que morava em Londres, pediu demissão e mudou-se para a capital inglesa. Na verdade, o convite da prima foi mesmo um pretexto, porque o que ela queria mesmo era sair daquela rotina sufocante e ir para qualquer outro lugar e fazer qualquer outra coisa.
Passou três anos em Londres, trabalhou, firmou um noivado, mas não se adaptou àquela frieza, tanto de clima como de relacionamento entre as pessoas. Muito curiosa e humana, gostava de conhecer pessoas e saber mais sobre elas, além da casca e do terno que as encobriam. Sangue de escritora, todas aquelas pessoas, de uma cultura diferente da sua, eram personagens riquíssimos para as suas histórias imaginárias. Gosta tanto de outras culturas, que hoje ela recebe em casa jovens ingleses para intercâmbio.
De volta aos terninhos… até a mudança definitiva
Voltou para o Brasil, onde seu perfil mais humano e descontraído se encaixava, de fato. Casou-se, teve um filho e conseguiu por um tempo ser quem sempre foi: artista e professora. Ou, pelo menos, tentou. Porém, outros convites de trabalho apareceram, tentadores como sempre, por oferecerem um bom salário e Dilu voltou para os terninhos e sapatos scarpans. 
E viveu durante muito tempo essa sina. O certo é que tinha um bom salário e isso lhe trouxe algum conforto, mas aquela frase que diz que dinheiro não traz felicidade se fez muito presente. “Eu não tinha nem tempo de gastar o dinheiro que eu ganhava. Passava a semana toda trabalhando e nos finais de semana nem pensava em compras”, lembra. Talvez por conta da maturidade natural que todo ser humano desenvolve, essa última volta ao mundo dos executivos foi a mais terrível.
Ela não se conformava mais em ter que passar por cima de si mesma como antes. Até o frio do ar condicionado da sala de trabalho a incomodava. “Nem em Londres eu sentia tanto frio”, comenta. Tudo passou a lhe incomodar e virou mote para seus poemas, cuja produção aumentou sensivelmente. A poeta e escritora queria se libertar de vez.
E, há aproximadamente dez anos, a executiva Dilu abandonou a formalidade e cedeu de vez o lugar para a verdadeira. Pediu demissão mais uma vez, mas ninguém a apoiou. Como abrir mão de um bom salário, em troca da vida desregrada e libertária que a arte proporciona? Na verdade, Dilu sempre foi assim: sem pressa e sem lógica. É o que ela diz numa estrofe do poema ”Divagações”:
não preciso de tempo
não preciso de hora” (…)
E, independentemente de ter apoio ou não, hoje ela é ela mesma. Publicou o livro “Poesia Irmanada”, que é a reunião de poemas seus e do irmão Mauro Machado, e tem dois livros em fase final, o “Memórias de um guia” e “Meg e eu”. Canta também em eventos e bares e acaba de gravar o CD “Status quo”. Hoje, ela busca um produtor para ajudá-la a profissionalizar ainda mais a sua arte, caminho do qual ela não vai mais se desviar! E para celebrar a coragem dessa mulher artista, apresento a vocês um poema em que ela se descreve por inteiro, sem sombras.
Maturidade
que sensação não incontinenti
que sensação de não-inquietude
que sensação de fundição com o mundo
que plenitude!
Pressa, não há mais
respostas, não importam
esperas, não mais hão
tempo é hoje
todos os dias são
Estou una com o mundo
o escuto, o observo, o compreendo
somo todos Um.
Contatos de Dilu: 71 3336-3413 / 8152-2687
E-mail: dilumachado@hotmail.com































@Dilu Machado
rolam sim, Aninha. Passei um mes fora e cheguei há poucos dias. Rolam às 5as no Cafe Cognac no Rio Vermelho (Fonte do Boi, 5) das 20:45 até o ultimo freguês. Apareça!
POESIA E MUSICA É UNIÃO EM FAMILIA – DILU-ZE-MAURO VIERAM DE UBAITABA PARA ILHEUS. AS BRISAS DO MAR, MAIS UM TEMPERO PARA OS FRUTOS DE OURO, OS TRANSFORMARAM EM GRANDES MUSICOS E POETAS.
ZE MATTOS